O silêncio das três da manhã na casa do alto foi quebrado por um toque leve, mas extremamente urgente, no meu ombro. — Marcos... — a voz de Maria Júlia saiu sussurrada, mas firme, cortando a escuridão do quarto. — Acorda, meu amor. Chegou a hora. Num salto automático, alimentado por anos de reflexo rápido, fiquei de pé ao lado da cama. A iluminação fraca do abajur mostrava Maju sentada na borda do colchão, vestindo uma camisola clara. O rosto dela estava calmo, mas banhado por um suor fino, e o lençol abaixo dela estava molhado. A bolsa havia rompido. O meu coração disparou a mil por hora — uma descarga pura de adrenalina que ultrapassava qualquer sensação de perigo que já experimentei na vida. Ajoelhei-me imediatamente à frente dela, segurando as suas mãos quentes que tremiam ligeiramente. — Tá sentindo dor, Maju?! O que você tá sentindo?! — perguntei com o peito arfando, a minha voz falhando pelo pavor de vê-la sofrer. — As contrações começaram, Marcos — ela sorriu no meio de u
Last Updated : 2026-09-04 Read more