O cheiro de mofo, umidade e ferrugem impregnava o ar do subsolo da contenção. A única iluminação vinha de uma lâmpada fraca e amarelada que pendia por um fio desencapado no teto de concreto. Dentinho estava amarrado a uma cadeira de ferro no centro da sala, com os braços presos para trás por correntes pesadas e o rosto marcado pelo confronto da madrugada.Ajoelhei-me na frente dele, em silêncio. Peguei o alicate pesado sobre a bancada e o pousei sobre o joelho baleado do desgraçado, apertando a carne ferida com paciência e frieza.Um grito agudo de dor ecoou pelas paredes abafadas da cela. Dentinho se contorceu, o suor frio misturando-se ao sangue seco no seu rosto.— Quem te deu o dinheiro, Dentinho? — perguntei, a minha voz emitida num tom calmo, quase sussurrado, que dava mais medo do que qualquer grito. — Quem lá no asfalto te deu as armas e a rota da curva do S?— V-vai se foder, Vance... — ele cuspiu sangue no meu peito, arfando pesado, os dentes sujos. — Você pode me rasgar int
Última atualização : 2026-08-27 Ler mais