A primeira coisa que reconheci foi o cheiro. Álcool. Aquele cheiro forte, gelado, de hospital, que gruda na garganta antes mesmo dos olhos conseguirem abrir. Depois vieram os sons, um bipe constante, ritmado, seguindo o compasso do meu próprio coração, e uma voz de fundo, baixa, abafada por trás de uma cortina que eu não conseguia ver.Demorei um tempo enorme para conseguir abrir os olhos de verdade, como se as pálpebras pesassem toneladas, e quando finalmente consegui, a luz branca do teto me atingiu como uma agulha atravessando o crânio inteiro. Fechei os olhos de novo, na mesma hora, arrependida.— Angel?A voz veio rouca, tremendo de um jeito que eu nunca tinha ouvido antes, e demorei um segundo a mais para entender que era a Camila. Tentei abrir os olhos outra vez, dessa vez mais devagar, deixando que a claridade fosse entrando aos poucos, e a primeira coisa que consegui enxergar direito foi o rosto dela, inchado de tanto chorar, os olhos vermelhos, o cabelo preso de qualquer jei
Última atualização : 2026-08-21 Ler mais