O sábado amanheceu ensolarado, trazendo uma trégua bem-vinda para o turbilhão em que a vida de Ana Toricelli havia se transformado nas últimas semanas. No parquinho do condomínio, sentada num banco à sombra, ela observava o pequeno Pietro correr atrás de uma bola surrada, rindo alto o suficiente para chamar a atenção de outras mães ao redor.O som daquela gargalhada solta, sem peso nenhum de adulto, era o único bálsamo capaz de suturar as feridas que a Prado Construtora reabria em seu peito todos os dias, uma atrás da outra, sem descanso.À tarde, enquanto Pietro tirava seu cochilo, Ana sentou-se na varanda do apartamento ao lado de Dona Elisa, segurando entre as mãos uma caneca de chá que já esfriava sem que ela notasse. O encontro misterioso com Dona Marta Prado, dois dias antes, ainda pesava em seus pensamentos como uma pedra que se recusava a afundar.— A Marta realmente me propôs uma aliança, Elisa — confessou Ana, os olhos fixos na paisagem de prédios que recortava o horizonte d
Última atualização : 2026-08-13 Ler mais