Júlio não dormiu. Andou a noite inteira — primeiro pelas ruas dos Jardins sem rumo certo, depois sentado sozinho num banco da praça perto do apartamento, o casaco jogado ao lado, encarando o celular sem coragem de olhar as fotos do Pietro que tinha tirado às escondidas nas últimas semanas, como quem já suspeitava e não tinha coragem de admitir.Às cinco da manhã, ainda escuro, ele se pegou pensando na mesma frase, repetida feito um mantra: eu tenho um filho. Não doía mais tentar entender aquilo. Doía tentar sentir tudo de uma vez — a raiva do pai, a culpa por ter acreditado nele, e por baixo de tudo isso, teimosa e absurda, uma felicidade que ele não sabia onde guardar dentro do próprio peito.Comprou um carrinho de metal numa loja de conveniência de posto de gasolina que abria a noite inteira — o primeiro brinquedo que via na prateleira, s
Última atualização : 2026-09-02 Ler mais