Os dias sem Nora passavam devagar, como se fossem cortando a família aos poucos.No primeiro mês, a mãe ainda ligava para todas as pessoas que conseguia lembrar.Ao chegar ao terceiro mês, parou.Não havia número de telefone da instituição. Nenhum endereço onde pudessem ir. Nenhuma pessoa disposta a informar para onde eu havia partido.No sexto mês, ela já não conseguia dormir.O médico classificou como insônia causada por ansiedade e receitou um remédio.Todas as noites, a mãe tomava o comprimido e ficava deitada, desperta, fitando o teto.Às vezes, levantava-se de repente e ia parar diante da porta do depósito.A porta permanecia sempre aberta.Ela proibia que alguém a fechasse.Como se mantendo a porta aberta, eu ainda pudesse voltar para casa.O pai envelheceu rapidamente.A maior parte dos seus cabelos embranqueceu, e os ombros pareciam se curvar cada vez mais.Falava raramente, mas certa noite, durante o jantar, pousou o garfo sobre a mesa.— Revirei todas as fotografias antigas
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