(Henrique)A névoa cinzenta que cobria o céu do Rio de Janeiro parecia pesar sobre o teto do sedã preto, parado a duas quadras do campus universitário.Pelo retrovisor, eu observava a respiração descompassada de dona Helena. Suas mãos calejadas, marcadas por anos de trabalho duro na roça, apertavam a alça da bolsa de couro sintético com tanto tremor que as juntas dos dedos permaneciam brancas.Laura, ao meu lado no banco do carona, mantinha os olhos fixos na tela do celular, monitorando o horário. Tudo estava cronometrado ao segundo.— Faltam dez minutos para o término da última aula, Pai— disse Laura, num tom baixo, sem se virar.Girei o corpo no banco do motorista e encarei a mulher que carregava nas mãos o destino daquela guerra. Abri mão da postura fria de executivo que sempre usei como escudo na holding. Naquele momento, eu precisava ser apenas o condutor de um choque inevitável.— Dona Helena, olhe para mim — pedi, mantendo a voz pausada, grave e firme.A senhora ergueu os olhos
Última actualización : 2026-09-27 Leer más