No fim da tarde do último dia de exposição, eu estava sozinha bem no meio do salão vazio, observando a luz dos refletores incidir sobre o colar batizado de "O Primeiro Encontro". Na pequena placa de acrílico ao lado da joia, deixei gravada uma dedicatória em poucas palavras.[Dedicado ao moço que conheci aos sete anos. Ele morou no meu peito por muito tempo, mas acabou se mudando, e hoje essa casa abriga apenas a mim.]Fiquei ali parada por mais alguns instantes, absorvendo o silêncio, antes de dar as costas e caminhar em direção à saída. O céu lá fora já havia escurecido por completo, revelando as luzes amarelas dos postes recém-acesos na rua. Assim que cheguei ao estacionamento, avistei o carro dele parado perto da cancela. Heitor estava encostado na lataria, vestindo aquele mesmo sobretudo cinza de sempre, com uma postura exausta de quem já aguardava no frio há horas. Respirei fundo e fui até ele.— Karina. — Chamou ele, com a voz um pouco rouca pela brisa noturna.— Oi.— Eu passei
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