JADE O vento da noite soprava da direção do mar, trazendo consigo o aroma salgado da maré e aquele toque gélido que fazia a pele arrepiar. Mais uma vez, uma mecha teimosa do meu cabelo escapou do coque e deslizou até o centro do meu rosto, cortando minha visão. Antes que eu pudesse erguer o braço para afastá-la, Henrique se adiantou. Devagar. As costas dos dedos dele, ligeiramente ásperas e quentes, tocaram a minha têmpora num roçar quase imperceptível. Ele prendeu a mecha com cuidado extremo atrás da minha orelha, demorando-se no movimento. O gesto em si havia terminado, mas a mão dele não retornou ao bolso do sobretudo. Permaneceu ali, suspensa no ar, a poucos centímetros da minha pele, como um convite ou uma promessa não dita. Ergui os olhos. Ele já me encarava. Os olhos escuros de Henrique absorviam cada pequeno detalhe do meu rosto com uma atenção quase física, densa, palpável. Nenhum de nós ousava quebrar aquele silêncio. Curiosamente, a ausência de som não gerava desconf
Última actualización : 2026-09-24 Leer más