HENRIQUE O escritório estava em silêncio. A minha cabeça, não. Augusto, que organizava alguns papéis na escrivaninha ao lado, percebeu a minha agitação e ergueu os olhos. — Ela ainda não chegou? — perguntou, a voz contida. Balancei a cabeça negativamente, sentindo o maxilar travar. — Não. — Doutor... — Augusto tentou ponderar, erguendo as mãos em um gesto pacificador. — Ela só foi conversar. É uma rescisão de contrato, conversas difíceis levam tempo. Vai dar tudo certo. Tentei me agarrar àquelas palavras, forçando os meus próprios pensamentos a aceitarem a lógica fria do direito. Mas a minha intuição, aquela mesma que nunca falhava nas mesas de negociação mais agressivas de São Paulo, gritava que havia algo errado. Muito errado. Pouco depois, o som agudo e cortante do meu celular quebrou o silêncio da sala. Olhei para o visor. Jade. Atendi na mesma hora, a urgência evidente no tom: — Oi. A voz dela estava calma. Calma demais. O tipo de tranquilidade artificial que escondia
Última actualización : 2026-09-25 Leer más