--- Paro a caminhonete em frente de casa, desligo o motor. O silêncio que nos acompanhou durante todo o trajeto ainda pesa no ar, denso, quase sufocante. Sofia leva a mão até a maçaneta da porta, mas antes que consiga abrir, seguro seu punho com firmeza. Ela se vira devagar, os olhos pousando em mim, surpresa. O pulso dela é fino, quente, e eu sinto o bater do coração dela contra os meus dedos. — O quê foi? — pergunta, num sussurro cauteloso. Não a encaro diretamente. Continuo olhando para frente, as mãos firmes no volante, mas minha voz sai baixa e firme: — Tome um banho... e depois vá para o meu quarto. Vejo pelo canto do olhar seus olhos se arregalarem, o choque estampado em cada traço do rosto. Sua boca se entreabre, mas nenhuma palavra escapa. O ar entre nós fica denso, carregado de algo que eu não sei nomear. Solto seu pulso devagar e abro a porta do carro. O ar frio da noite invade o espaço abafado. Contorno a caminhonete, abro a porta do lado dela. Sofia não me olha.
Last Updated : 2026-10-15 Read more