A chuva parecia ter sido enviada para me castigar. Forte, constante, impiedosa. Cada gota caía como se quisesse me empurrar ainda mais para baixo, como se o céu tivesse decidido que eu precisava sentir tudo — o frio, o cansaço, a solidão.Segurei firme a alça da mala e continuei andando. As rodinhas já não giravam direito, travando nas irregularidades da calçada encharcada. Em alguns momentos, eu praticamente arrastava o peso morto atrás de mim, sentindo os braços doerem, os dedos escorregarem. Mas eu não parei. Não podia parar. Eu estava em uma cidade estranha. Sozinha, sem hotel, sem um plano B.Depois que pedi demissão, Daniel não perdeu tempo. Cancelou minha estadia no hotel como se eu fosse descartável. Respirei fundo, tentando ignorar o aperto no peito. A água escorria pelo meu rosto, misturando-se com lágrimas de decepção, de frustração. Eu precisava ir embora. Sumir daquele lugar.O som de um carro se aproximando quebrou o ritmo da chuva. Não dei atenção no começo. Achei que f
Last Updated : 2026-10-08 Read more