O som das portas dos veículos pretos batendo em uníssono ecoou pelo pátio da Fazenda Sol Nascente, quebrando a serenidade do fim de tarde. Da varanda, Dona Rosa e a pequena Mel observavam a cena paralisadas, enquanto Henrique, Lorena — carregando o pequeno Mateus no colo — e Seu Zé saíam do casarão para encarar a comitiva.A mulher que descera do primeiro veículo caminhou a passos lentos e calculados sobre o cascalho do caminho. Usava um terno de alfaiataria cinza-chumbo, óculos escuros e trazia os cabelos alinhados em um coque rigoroso. Parou a poucos metros da escadaria de madeira da varanda, removendo os óculos para revelar olhos frios, de uma tonalidade idêntica à de Henrique.O silêncio no gramado tornou-se sufocante.— Cecília... — pronunciou Henrique, a voz rouca, vacilando entre o choque absoluto e uma dor antiga que renascia. — Como isso é possível? Nós procuramos por você durante anos... Nós choramos a sua morte!Um sorriso gélido e sem qualquer traço de afeto desenhou-
Última atualização : 2026-10-07 Ler mais