Capítulo 16: O GELO (O CEO) O cheiro hospitalar e cáustico da cola cirúrgica ardeu nas minhas narinas, queimando o fundo da garganta. De pé, diante do espelho de cristal do meu banheiro na mansão da família no Joá, eu encarei o monstro em que precisava me transformar para sobreviver ao domingo. O mármore italiano sob os meus pés descalços era gelado, mas não chegava nem perto do frio absoluto que eu carregava no peito. A madrugada de sábado ainda pulsava nas minhas veias. O terror nos olhos castanhos de Dila, a respiração falha dela presa na minha jaula de vidro no alto do morro. Mergulhei o pincel de cerdas finas no pequeno frasco de silicone líquido. Apertei a mandíbula até os músculos do meu pescoço saltarem. Comecei a espalhar a mistura química espessa sobre o lado esquerdo do meu rosto. A cola ardeu de imediato, corroendo a pele. Eu não pisquei. A dor física era o único lembrete tangível de que, debaixo daquele mar de bilhões de dólares e falsidade corporativa, o predador ai
Última atualização : 2026-11-06 Ler mais