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capítulo 16

作者: Loba azul
last update 公開日: 2026-11-06 21:58:27

Capítulo 16: O GELO (O CEO)

O cheiro hospitalar e cáustico da cola cirúrgica ardeu nas minhas narinas, queimando o fundo da garganta.

De pé, diante do espelho de cristal do meu banheiro na mansão da família no Joá, eu encarei o monstro em que precisava me transformar para sobreviver ao domingo.

O mármore italiano sob os meus pés descalços era gelado, mas não chegava nem perto do frio absoluto que eu carregava no peito. A madrugada de sábado ainda pulsava nas minhas veias. O terror nos olhos
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    O GELO O relógio marcava dez e quarenta da manhã. Eu estava no septuagésimo andar, sentado à cabeceira da mesa de reuniões, ouvindo quatro diretores discutirem uma aquisição de trezentos milhões de reais. A bengala de fibra de carbono descansava ao lado da minha cadeira. A prótese cobria metade do meu rosto. — Precisamos da sua autorização para concluir a negociação, senhor — informou o diretor financeiro. Folheei o documento. — A margem está baixa. — Podemos renegociar. — Então renegocie. Empurrei a pasta. O homem recolheu os papéis imediatamente. Catarina havia telefonado três vezes naquela manhã. Depois do jantar de domingo, minha madrasta estava determinada a me convencer de que Isabella seria uma esposa adequada. Não atendi. Tinha uma empresa para administrar. E uma favela inteira sob meu comando. Meu celular corporativo vibrou. Roberto, sentado próximo à porta, conferiu uma mensagem no próprio aparelho. O rosto dele perdeu a cor. Conhecia aquela e

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    Capítulo 19 O impacto não foi apenas dor. Foi um clarão branco e elétrico que estourou por trás dos meus olhos, apagando a minha visão por um milésimo de segundo. O metal pesado e enferrujado do revólver calibre 38 rasgou a pele do meu rosto com um estalo úmido. A força do golpe chicoteou o meu pescoço para o lado. O meu ombro bateu com violência na quina da mesa de madeira, e eu caí de joelhos no chão áspero e sujo de poeira de giz da sala de aula. O gosto de ferro inundou a minha boca na mesma hora. Espesso, quente, nauseante. O sangue escorreu pelo meu queixo, pingando direto na gola da minha blusa branca, manchando o tecido como tinta fresca. Os gritos desesperados de trinta crianças explodiram ao meu redor. Um coro uníssono de pânico absoluto. Alunos se jogando debaixo das carteiras, chorando, apertando as mãos nos ouvidos. O zumbido no meu tímpano direito era ensurdecedor. O lado do meu rosto latejava, formigando, como se alguém tivesse encostado uma chapa em brasa na minha

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    Capítulo 18: DILAO som da palavra pedágio reverberou dentro daquela sala blindada como o gatilho de uma arma prestes a destravar.O meu pulso continuava preso na mão dele, firme como uma braçadeira de aço quente. A pele de Gelo queimava o meu braço através do tecido da jaqueta, mandando ondas de calor, pânico e uma corrente elétrica inegável direto para o meu estômago.As minhas costas estavam coladas no vidro gelado. Abaixo de mim, o abismo da cidade. Na minha frente, o abismo dos olhos dele.Eu tinha ido até o inferno peitar o monstro, exigindo respostas, mas a arrogância dele tinha acabado de me empurrar para dentro de uma armadilha ainda mais sufocante.Ele controla o bilionário.A revelação ecoava no meu crânio, esmagando as minhas últimas defesas. Na cabeça dele — e agora, tragicamente, na minha —, o CEO engravatado do asfalto não passava de um fantoche corporativo. Um homem de terno que precisava abaixar a cabeça, abrir a maleta de dinheiro e pedir permissão ao dono do morro p

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    Capítulo 17: DILA O cano frio de um fuzil estava apontado a dois palmos do meu peito. O cheiro de óleo de arma, maconha queimada e ferrugem invadiu as minhas narinas, fazendo o meu estômago dar um nó violento. A brisa úmida da noite de domingo soprava pelos becos estreitos, mas eu suava frio por debaixo da jaqueta jeans. Eu estava parada diante dos trilhos de ferro chumbados no asfalto que formavam a barricada principal da boca de fumo. Cinco garotos armados até os dentes me cercavam. Nenhum deles parecia ter mais de dezoito anos, mas os olhos injetados carregavam a letalidade de quem puxava o gatilho sem piscar. Os rádios comunicadores presos nos coletes chiavam sem parar no escuro. As minhas pernas tremiam tanto que os meus joelhos batiam um no outro. Eu não dormia há quase quarenta horas. Passei o domingo inteiro trancada na minha cozinha abafada, encarando a página quatro daquele maldito contrato sobre a mesa. Cláusula Sétima. Comparecimento obrigatório às sextas-feiras. A

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    Capítulo 16: O GELO (O CEO) O cheiro hospitalar e cáustico da cola cirúrgica ardeu nas minhas narinas, queimando o fundo da garganta. De pé, diante do espelho de cristal do meu banheiro na mansão da família no Joá, eu encarei o monstro em que precisava me transformar para sobreviver ao domingo. O mármore italiano sob os meus pés descalços era gelado, mas não chegava nem perto do frio absoluto que eu carregava no peito. A madrugada de sábado ainda pulsava nas minhas veias. O terror nos olhos castanhos de Dila, a respiração falha dela presa na minha jaula de vidro no alto do morro. Mergulhei o pincel de cerdas finas no pequeno frasco de silicone líquido. Apertei a mandíbula até os músculos do meu pescoço saltarem. Comecei a espalhar a mistura química espessa sobre o lado esquerdo do meu rosto. A cola ardeu de imediato, corroendo a pele. Eu não pisquei. A dor física era o único lembrete tangível de que, debaixo daquele mar de bilhões de dólares e falsidade corporativa, o predador ai

  • MEU PATROCINADOR BILIONÁRIO E O DONO DO MORRO    capítulo 15

    Capítulo 15: DILA Olhei para o vão escuro da escada de metal. A minha liberdade estava a exatos dez degraus de distância. Mas o preço dela era o sangue dos meus alunos. O meu corpo inteiro tremia. O ódio desceu rasgando a minha garganta como vidro moído. Engoli o pânico. Engoli a minha moralidade intacta. Engoli a minha vida limpa. Dei um passo para trás. Afastando-me da saída. Rendição. Gelo não sorriu. Não demonstrou um pingo de vitória mundana. O monstro apenas piscou, absorvendo a minha submissão com a frieza de um rei deitando a cabeça sobre um império de cinzas. Ele ergueu o queixo, apontando para o sofá de couro negro no fundo do camarote. — Sente. As horas que se seguiram foram a sessão de tortura psicológica mais brutal da minha vida. O baile funk atingiu o ápice. O som não entrava pelos ouvidos, ele entrava pelos poros. O grave das caixas de som empilhadas na quadra fazia os meus dentes vibrarem. O chão de concreto tremia de forma violenta e ininterrupta sob o meu

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