Lembro que fiquei intrigado quando descobri que 'O Seminarista', aquele livro denso do Rubem Fonseca, tinha uma adaptação pro cinema. Achei que seria difícil capturar a atmosfera sombria e psicológica da obra, mas o filme de 2017 dirigido pelo Geraldo Santos Pereira conseguiu traduzir bem a angústia do protagonista. A fotografia escura e os closes nos rostos dos atores reforçam o clima de tensão. O Eugênio, personagem principal, vive um conflito entre fé e desejo que é ainda mais visceral nas cenas sem diálogo – aquela sequência do confessionário arrepia!
A adaptação mantém o espírito cru da prosa do Fonseca, embora tenha condensado alguns eventos. Pra quem leu o livro, vale a pena comparar como o diretor optou por mostrar (ou não mostrar) certas cenas polêmicas. O elenco merece palmas, especialmente o João Pedro Zappa que carrega o filme nos ombros. Não é uma obra fácil, mas fiel ao material original.
2026-04-15 06:08:10
8
Flynn
Radar literário
Analista
Vi 'O Seminarista' num festival de cinema independente e bateu uma nostalgia. Lia o livro escondido na adolescência, achando proibido. O filme captura bem essa dualidade – luz e escuridão, pecado e redenção. Destaque para a direção de arte: os objetos religiosos parecem sempre à espreita, vigiando cada movimento. A ausência de cores vibrantes reforça o tema da repressão. Difícil esquecer o último quadro, que deixa um vazio perturbador, igual ao que senti ao fechar o livro.
2026-04-15 19:26:29
4
Kieran
Dica boa
Jornalista
Cara, quando me falaram que 'O Seminarista' virou filme, corri pra alugar! A história do Eugênio sempre me pegou porque mistura religião, repressão e sexualidade de um jeito que dói. A versão cinematográfica tem um ritmo mais lento que o livro, quase como um sonho ruim que você não consegue acordar. As locações em Minas Gerais ficaram perfeitas – aqueles casarões antigos parecem personagens também. O que mais me impressionou foi a trilha sonora, cheia de cantos gregorianos distorcidos, criando uma vibe meio claustrofóbica.
2026-04-20 00:01:06
5
Scarlett
Apoiador
Modelo
Discutindo adaptações literárias na aula de cinema semana passada, o professor usou 'O Seminarista' como exemplo de como traduzir conflitos internos para a tela. O filme faz escolhas interessantes: reduz diálogos e amplia expressões faciais, especialmente nas cenas onde o protagonista luta contra seus impulsos. A mudança mais significativa é a condensação do tempo – enquanto o livro abarca anos, o filme parece acontecer num verão sufocante. A cena do rio, que não vou spoilar, ganhou uma simbologia visual poderosa com planos subaquáticos que lembram batismo e afogamento simultaneamente. Fiquei pensando nisso por dias!
2026-04-20 11:27:06
5
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Sete Vezes sem Aparecer e Uma Despedida
Carlos D.M
0
2.9K
Na sétima vez em que combinei com Breno Lima de ir ao cartório buscar nossa certidão de casamento e fui deixada esperando, tomei a iniciativa de cortar todos os laços que ainda nos uniam.
Se havia um encontro de amigos em que ele estava presente, eu simplesmente deixava de ir.
Se ele era convidado para se apresentar na comemoração da escola, eu me retirava antes do início.
Se a empresa decidia fechar parceria com ele, eu pedia demissão imediatamente.
Até mesmo no Natal, quando ele veio me visitar em casa, inventei uma desculpa para sair e visitar outros amigos.
Bloqueei seu número, apaguei-o da lista de contatos, cortei tudo sem deixar rastros.
Não o procurei mais, e ele também não conseguiu me ver.
Durante os trinta anos anteriores, passei a maior parte da vida apaixonada por ele, cuidando dele com todo o meu empenho.
Só depois de ser deixada esperando pela sétima vez no cartório é que despertei.
Não queria mais viver assim.
Mesmo que fosse para ficar sozinha, não queria passar mais um dia e uma noite guardando uma casa vazia!
No momento da explosão no laboratório, meu namorado, Gustavo Sena, correu desesperado... Mas não até mim. Ele correu até Lívia Cardoso, que estava distante do centro da explosão, e a protegeu com o próprio corpo.
Quando o barulho cessou, ele a levou imediatamente ao hospital, nos braços. Nem sequer olhou para mim, caída no chão, coberta de sangue.
Aquela garota que ele criou e cuidou por dezoito anos preenchia completamente seu coração.
Não havia mais espaço para mim.
Meus colegas me levaram ao hospital. Sobrevivi por pouco.
Depois de sair da UTI, com os olhos ainda inchados de tanto chorar, liguei para meu orientador:
— Professor Luís, eu pensei bem e tomei uma decisão. Aceito ir com você para o projeto de pesquisa confidencial. Mesmo que a viagem seja em um mês, e eu não possa ter contato com ninguém por cinco anos... Está tudo bem.
Em um mês, eu me casaria e realizaria um sonho que eu alimentava há muito tempo. Mas agora... Eu já não quero mais.
— Cunhado... Amor... Me deixa sentir você por inteiro.
— Caramba... Onde você aprendeu isso? Desde quando ficou tão ousada?
No cinema, eu me passei pela minha irmã, e meu cunhado enfiou a mão por baixo da minha saia, explorando-me sem a menor cerimônia.
Minha sensibilidade o deixou ainda mais excitado. O rosto dele ficou vermelho, a respiração pesou, e, antes que eu conseguisse reagir, ele já tinha aberto a própria calça.
A ereção dele saltou para fora, dura e imponente.
Ele me ergueu, fez-me sentar em seu colo, e o calor rígido do corpo dele me atravessou de uma vez.
Estremeci inteira. Um gemido escapou da minha garganta, alto demais para aquele canto escuro do cinema, enquanto meu corpo se entregava ao prazer com uma intensidade que eu jamais tinha sentido.
No segundo seguinte, a voz urgente dele soou junto ao meu ouvido:
— Não se mexe. Tem alguém olhando para cá.
No dia do meu casamento, meu amigo de infância apareceu para me tirar do altar. Veio acompanhado de um grupo de amigos, arrombou as portas do salão e entrou sem a menor cerimônia.
Ele disse que ia se casar comigo, que ia me levar embora dali. Mas, depois de dar só alguns passos para fora, ele soltou a minha mão e abriu um sorriso preguiçoso:
— Gente, eu ganhei de novo. Essa foi a centésima aposta. Quem perdeu, paga.
Depois ele se virou para mim:
— Eu só estava brincando. Você não levou isso a sério, levou? Pode voltar lá para dentro e seguir com o seu casamento.
Todo mundo dizia que eu tinha passado dez anos me humilhando por Félix Pimenta, que eu fazia qualquer coisa por ele.
Mas nem eles, nem o próprio Félix sabiam que eu, a noiva "sequestrada" de vestido branco, fazia parte de um número cuidadosamente planejado para o meu casamento.
Uma semana antes do casamento, Lorenzo substituiu o nome no requerimento de casamento pelo de seu tio — Enzo, o novo Padrinho.
Um amigo perguntou, surpreso:
— Você ficou maluco? A Selena esperou por você durante sete anos. Ela praticamente ficou encalhada! E você vai entregá-la ao seu tio mais impiedoso?
Lorenzo sorriu despreocupadamente.
— A Lena e eu perdemos uma aposta, e eu prometi fazer uma coisa que ela pedisse.
— De qualquer forma, quando a Selena descobrir que o nome foi trocado, vai entrar em pânico e correr até mim para resolver isso.
— Além disso, como o meu tio poderia se casar com a Selena? Assim que descobrir, ele certamente vai cancelar o noivado. No fim das contas, a Selena ainda vai se casar comigo.
Seu tom era frívolo e despreocupado, e o grupo caiu na gargalhada.
Eu estava escutando atrás da porta havia algum tempo e sentia meu coração esfriar aos poucos.
No dia do casamento, apareci como planejado.
Lorenzo, que sempre foi tão arrogante, enlouqueceu tentando invadir a igreja:
— Eu sou o noivo! Sou eu quem deveria ser o noivo!
No dia do meu casamento, fui traída diante do altar.
Ryder Conti, meu noivo e herdeiro da máfia, não apenas cancelou nosso casamento, ele entrou na igreja de braços dados com outra mulher. Atrás dos portões de ferro, ele olhou para mim com um meio sorriso e disse:
— Emilia, os Conti precisam de um herdeiro. A Carmela está esperando um filho dos Rossi. Quando eu garantir meu lugar na Família com a ajuda deles, vou me divorciar dela. Você continuará sendo minha mulher.
Todos achavam que eu esperaria. Que obedeceria.
Afinal, eu havia passado dez anos amando aquele homem mais do que a mim mesma — rompi com minha família, sacrifiquei tudo por ele.
Mas naquela mesma noite, embarquei num jatinho rumo à Sicília para aceitar um casamento arranjado com o Padrinho da família Vettori.
E desapareci do mundo de Ryder Conti.
Três anos depois, retornei a Nova York, ao lado do meu marido e do nosso filho, para acertar as contas com um traidor da Família.
Voltei para resolver uma traição na Família.
Zayn teve um imprevisto, então mandou um dos capangas dele me buscar. Só não esperava reencontrar o homem que um dia destruiu meu coração.
Com aquele velho sorriso arrogante, Ryder disse:
— Acabou a farra? Que bom que voltou. O filho da Carmela precisa de uma cozinheira. Pode começar hoje.
Cozinheira? Eu sou a Donna mais temida do submundo, e ele ousa me chamar de cozinheira?
Me lembro de ter pesquisado sobre 'O Seminarista' depois de terminar a leitura e descobrir que a obra é uma ficção escrita por Rubem Fonseca, mas com elementos que parecem tão reais que poderiam ser baseados em fatos. O livro mergulha na vida de um jovem seminarista que enfrenta conflitos entre sua fé e desejos carnais, uma narrativa cheia de tensão psicológica e moral. Fonseca tem esse talento de construir histórias que, mesmo sendo inventadas, carregam uma veracidade impressionante, quase como se ele tivesse vivido cada página.
A trama é envolvente e explora temas universais, como a culpa, a dúvida e a redenção, mas não há registros de que seja inspirada em uma história específica. A genialidade do autor está justamente em criar uma realidade tão convincente que muitos leitores, assim como eu, questionam sua origem. Se você gosta de dramas humanos profundos, essa é uma leitura que vai te prender do início ao fim.
Macunaíma, esse clássico modernista de Mário de Andrade, já ganhou vida nas telas em 1969 com a adaptação dirigida por Joaquim Pedro de Andrade. O filme é uma obra-prima do Cinema Novo, capturando a essência surreal e crítica do livro. A escolha do Grande Otelo como protagonista foi brilhante, trazendo a ambiguidade racial e cultural do herói sem caráter. A narrativa mantém o tom satírico e alegórico, misturando elementos folclóricos com crítica social. Assistir hoje ainda provoca reflexões sobre identidade brasileira, especialmente com a cena icônica do 'herói' sendo devorado por uma máquina de escrever.
Curiosamente, o filme foi rodado em preto e branco, mas tem uma cena colorida simbólica quando Macunaíma vira 'príncipe'. Vale a pena buscar versões restauradas — a Criterion Collection tem um lançamento recente com extras fascinantes sobre o processo criativo.