A adaptação recente de 'Os Sofrimentos do Jovem Werther' para uma minissérie alemã trouxe o eros e a amizade de forma visceral. Werther e Lotte têm uma química que queima a tela, enquanto sua relação com Albert mostra a complexidade da amizade que vira rivalidade. O diretor usou planos-sequência longos para capturar a intensidade desses sentimentos, especialmente no episódio do baile onde os três dançam juntos.
A série não fala explicitamente sobre os quatro amores, mas qualquer fã de Lewis reconheceria os temas. A cena da carta final de Werther, lida em voz alta por Lotte, é um estudo magnífico sobre como o eros pode ser tanto criativo quanto destrutivo. Fiquei impressionado com a modernidade dessa história do século XVIII.
Durante o episódio 'San Junipero' de 'Black Mirror', percebi ecos dos quatro amores. Yorkie e Kelly vivem um eros digitalizado, enquanto a decisão final delas reflete caridade. A relação das protagonistas com o ambiente do povoado mostra afeto pelo passado, e a amizade com outros residentes completa o quadro.
O brilhantismo está em como o amor transcende até mesmo a mortalidade nesse universo. A cena do baile, onde Kelly ensina Yorkie a dançar, captura perfeitamente como os amores podem ser simultâneos e complementares. Foi uma das representações mais originais desses conceitos que já vi na ficção científica.
No filme 'A Vida em Si' (2018), há uma cena onde o avô conta ao neto sobre os diferentes tipos de amor, quase como um tributo não declarado à obra de Lewis. A narrativa em camadas mostra o afeto na família, a amizade entre Will e Javier, o eros tempestuoso de Will e Abby, e atos de caridade espalhados pelas histórias paralelas.
O que mais me pegou foi a forma como o roteiro entrelaça esses amores através de gerações. Quando o pequeno Rodrigo faz amizade com a garota do orfanato, é como ver a teoria da amizade de Lewis ganhar vida – aquela conexão que surge quando dois pessoas veem o mesmo horizonte. O filme tem falhas, mas acerta em mostrar como os amores se misturam na vida real.
Lembro de ter visto uma série no ano passado que me fez pensar muito sobre os quatro amores descritos por C.S. Lewis – afeto, amizade, eros e caridade. A produção 'The Good Place' aborda esses conceitos de maneira inteligente, especialmente nas relações entre os personagens. Eleanor e Chidi representam o eros e a amizade filosófica, enquanto Michael e Janet exploram o afeto e a caridade em suas evoluções.
Uma cena que me marcou foi quando Chidi explica a ética aristotélica usando marshmallows; é uma metáfora divertida para o amor como fundamento moral. A série não cita Lewis diretamente, mas a construção dos personagens e seus arcos refletem esses tipos de amor de forma orgânica. Fiquei surpreso como uma comédia pode ser tão profunda.
2026-07-08 20:36:59
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Lembro de assistir 'A Vida é Bela' e me emocionar profundamente com o amor sacrifical de Guido por seu filho. Aquela cena onde ele transforma o horror do campo de concentração em um jogo para proteger a inocência da criança é algo que nunca saiu da minha memória. É um exemplo clássico de 'storge', o amor familiar que enfrenta qualquer adversidade.
Já em 'Titanic', temos o 'eros' em sua forma mais pura e trágica. Jack e Rose representam a paixão que queima rápido e intensamente, desafiando convenções sociais e até a morte. Aquele momento no convés, onde ela desiste de entrar no bote salva-vidas para ficar com ele, mostra como o amor romântico pode ser tanto libertador quanto devastador.
E quem não chorou com 'Up - Altas Aventuras'? Carl e Ellie são a personificação do 'philia', o amor de amizade que evolui para uma parceria de vida. A sequência muda no início do filme conta uma história de amor mais profunda que mil diálogos. Já o 'agape' aparece lindamente em 'O Terminal', onde Viktor sacrifica seus planos pessoais para ajudar um estranho, demonstrando amor incondicional por alguém que mal conhece.