Dias atrás, assisti a um documentário sobre sobreviventes do Holocausto, e uma frase de Frankl ecoou: 'Tudo pode ser tirado de um homem, menos sua liberdade de escolher como reagir'. Isso me fez chorar. Quantas vezes nos sentimos vítimas das circunstâncias? Sua filosofia não é positiva tóxica, mas um convite à responsabilidade. Tenho tentado aplicar isso – em discussões, no trabalho, até no trânsito. Mudar a postura muda tudo. A vida dói, mas também ensina, e essa dualidade é o que a torna bela.
Quando me deparei com Viktor Frankl pela primeira vez, foi como encontrar um farol em meio à névoa. Sua ideia de que a vida tem significado mesmo nas piores circunstâncias me fez refletir sobre minhas próprias lutas. Frankl ensina que não controlamos tudo que nos acontece, mas podemos escolher como reagir. Essa perspectiva transformou minha maneira de encarar perdas e frustrações.
Lembro de um período onde me sentia completamente perdido, sem rumo. A leitura de 'Em Busca de Sentido' me mostrou que até no sofrimento há propósito. Frankl sobreviveu aos campos de concentração encontrando significado na dor, e isso me inspira a buscar valor nas pequenas coisas. Hoje, quando enfrento desafios, penso: 'O que essa experiência pode me ensinar?'. A resposta nem sempre vem fácil, mas a busca em si já é libertadora.
Frankl fala sobre a 'logoterapia', que basicamente é a cura pelo sentido. Isso me pegou de jeito porque, depois de uma fase difícil, percebi que estava apenas existindo, não vivendo. Comecei a me perguntar: 'Por que levanto da cama?'. Aos poucos, reconstruí minha rotina com base no que realmente importa pra mim – ajudar outros, criar arte, aprender. Não é sobre ignorar a dor, mas sobre usar ela como combustível.
Uma coisa que ninguém conta é que o sentido muda. O que me motivava aos 20 não é o mesmo hoje, e tá tudo bem. A vida é assim mesmo, cheia de ajustes de rota. O importante é nunca parar de buscar.
Li 'Em Busca de Sentido' durante uma crise pessoal, e foi como ganhar um mapa novo. Frankl diz que o propósito pode ser encontrado em três vias: através do trabalho, do amor e da atitude diante do sofrimento. Isso me fez repensar minha carreira e relacionamentos. Percebi que mesmo tarefas simples ganham profundidade quando feitas com intenção.
O mais fascinante é como ele aplica isso aos campos de concentração – se naquele inferno havia sentido, então ele está em todo lugar. Agora, quando vejo alguém passando por traumas, tento lembrar que a cura começa quando encontramos um 'porquê'. Não é fácil, mas é possível. E às vezes, o sentido está justamente em ajudar outros a encontrar o deles.
2026-05-25 08:55:22
20
View All Answers
Scan code to download App
Related Books
Pare de Chorar, Encontre a Felicidade
Eunice Loureiro
0
5.9K
No meu vigésimo aniversário, meus pais trouxeram fotos de herdeiros de todo o país e as colocaram diante de mim, pedindo que eu escolhesse alguém para um casamento arranjado.
Eu disse ao meu pai que queria decidir por sorteio.
Só porque, na vida passada, escolhi sem hesitar o cobiçado herdeiro de Cidade Lima, o ilustre Carlos Uchoa, de quem eu já gostava há tempos.
Mas só descobri depois do casamento que a primeira paixão dele ficou tão arrasada com isso que saiu para um bar, afogou as mágoas e acabou sendo abusada por uns marginais.
Ela tentou se suicidar três vezes, e Carlos colocou toda a culpa em mim.
Ele deu toda a fortuna da minha família para a primeira paixão dele, esvaziando completamente o patrimônio dos Lemos.
Por fim, ele ainda permitiu que ela cortasse o freio do carro, causando o acidente em que meus pais e eu morremos de forma trágica.
Ao renascer, desta vez acabei sorteando o herdeiro mais respeitado, distante e celibatário de Cidade Real, Francisco Costa.
Mas, na festa de noivado, quando eu, Estela Lemos, entrei de braço dado com Francisco, chamando toda a atenção, Carlos simplesmente perdeu o juízo.
Depois de renascer, decidi que não iria mais me apegar obsessivamente a Wagner Rocha.
No aniversário dele, ele colocou uma placa dizendo: [Cachorros e Juliana Campos não entram]. Dei meia-volta imediatamente e fui para São Cristóvão, ficando bem longe dele.
Ele disse que sentia enjoo ao sentir meu cheiro em casa, então obedeci e me mudei sem questionar.
Disse também que, após a formatura, não queria nem respirar o mesmo ar que eu na cidade, então parti rapidamente e nunca mais voltei.
Por fim, afirmou que a minha presença poderia fazer Clarinda Prado entender as coisas de forma errada.
Eu apenas assenti, e logo comecei a sair com outra pessoa.
Fui repetidamente fazendo escolhas opostas às que fiz na minha vida passada.
Tudo porque, na vida anterior, depois de finalmente me casar com Wagner, Clarinda se jogou de um penhasco e tirou a própria vida.
Ele me chamou de assassina, me torturou, me maltratou e, no fim, me deixou morrer no fundo do mar.
Desta vez, só quero viver bem.
Depois, quando segurei a mão do meu novo namorado,
Wagner ficou parado no meio do caminho, os olhos injetados de sangue.
— Juliana Campos, se você vier comigo agora, eu perdoo a brincadeira que você fez.
Meu irmão e eu sofremos um acidente de carro. Meu coração se rompeu — eu precisava de uma cirurgia de emergência. Mas minha mãe, diretora do hospital, chamou todos os médicos disponíveis… para o quarto do meu irmão.
Ele saiu quase ileso, e mesmo assim ela mandou fazer um exame completo nele, enquanto eu estava ali, perdendo sangue.
Eu implorei para ela me ajudar, mas ela respondeu, irritada:
— Você não consegue parar de fazer drama nem por um segundo? Seu irmão quase quebrou um osso!
No fim, eu morri na mesa de cirurgia.
Mas, quando a notícia da minha morte se espalhou, minha mãe — que sempre me odiou — surtou de vez.
Depois de renascer, decidi devolver meu noivo à sua primeira namorada.
Quando ele organizou uma despedida de solteiro para ela e não queria ser incomodado por mim, eu simplesmente fugi para outro país.
Ele disse que ficava irritado só de me ver; eu me demiti de forma rápida e limpa.
Ele sentia-se desconfortável em estar no mesmo país que eu; eu me mudei para o exterior imediatamente.
Por fim, ele quis dar mais segurança à primeira namorada.
Eu concordei com a cabeça e aceitei o pedido de casamento de outra pessoa.
Eu o obedeci uma e outra vez.
Tudo porque em minha vida passada, depois que me casei com ele, a primeira namorada, em um colapso, cortou os pulsos e cometeu suicídio.
Ele me culpou por tê-los separado, esfolou-me, arrancou meus tendões e drenou todo o sangue do meu corpo.
Desta vez, eu só quero viver em paz.
Mais tarde, enquanto eu, meu novo marido e nosso filho dávamos um passeio,
ele se ajoelhou diante de mim, chorando com uma dor tão intensa que parecia partir suas entranhas.
— Clarice, se você deixá-los, eu ficarei com você e vamos viver bem juntos.
O Dia em que Minha Pontuação de Sobrevivência Chegou a Zero
Eternity
10
3.7K
Depois de ser apanhada por uma explosão no cais, fui submetida a um Programa de Sobrevivência.
Ele me deu vinte e cinco anos e quatro alvos designados.
Se a Pontuação de Amor ou a pontuação de vínculo de pelo menos um alvo chegasse a 100%, eu poderia acordar no meu mundo real.
Mas falhei em todos os quatro.
Porque todos os alvos que tentei alcançar acabaram se voltando para Sophia Lane, a heroína deste mundo.
Chamaram minha dor de encenação.
Chamaram minhas lágrimas de manipulação.
Disseram que eu só estava fingindo desmoronar para que eles me escolhessem em vez de Sophia.
Mas se eles nunca me amaram, por que perderam o controle quando minha missão falhou e eu decidi deixar este mundo para sempre?
Entre a Vida e a Morte, Ele Consolava Sua Primeira Paixão
Soninho
0
1.8K
A ex-namorada claustrofóbica de Mateus Souza bloqueou meu carro à beira do penhasco, na Estrada Alto da Serra.
A cento e sessenta quilômetros por hora, bateu no meu carro doze vezes.
Quando Mateus chegou, acompanhando a viatura da polícia, os bombeiros estavam me retirando à força do banco do motorista, já completamente deformado.
Ele, porém, foi direto ao carro esportivo de edição limitada, que tinha apenas alguns arranhões na pintura, e abraçou Beatriz Martins, que tremia dos pés à cabeça.
— Sr. Mateus, a Srta. Sabrina está com um ferimento na testa e sangrando. Precisamos levá-la imediatamente ao hospital para sutura.
Mateus ergueu a mão, impedindo a passagem da maca de que me carregava, lançou um olhar rápido para minha testa ensanguentada e para os hematomas no meu braço:
— É apenas um ferimento leve. Beatriz sofre de claustrofobia; aqui, neste lugar isolado, a situação dela é mais urgente. Levem-na primeiro ao hospital.
No momento em que fui abandonada, reuni minhas últimas forças e me agarrei, em desespero, à barra da calça dele.
Com o cenho franzido, ele abriu meus dedos um a um:
— Beatriz não fez por mal, foi apenas uma crise. Você é advogada, deve entender o que é força maior. Pare de criar problemas. — Em seguida, pegou um acordo de conciliação das mãos do assistente, segurou meu pulso já sem forças e pressionou minha digital no papel. — Há mais veículos de resgate a caminho. Aguente mais um pouco.
Viktor Frankl mergulha fundo na ideia de que encontrar significado no sofrimento é uma das chaves para a resiliência humana. Ele argumenta que, mesmo nas piores circunstâncias, podemos escolher nossa atitude diante da dor. Sua experiência nos campos de concentração nazistas mostrou que quem mantinha um propósito – seja um amor, uma obra inacabada ou a fé – tendia a sobreviver mais.
Frankl não romantiza o sofrimento, mas o enxerga como um terreno fértil para crescimento. Seu livro 'Em Busca de Sentido' descreve como prisioneiros que criavam pequenos rituais (como compartilhar histórias) encontravam alívio. A logoterapia, sua abordagem terapêutica, sugere que a busca por sentido é a força motriz primária do ser humano, não o prazer ou poder.
Frankl me fez enxergar a vida de um jeito completamente novo. Em 'Em Busca de Sentido', ele não fica teorizando sobre conceitos abstratos, mas parte da própria experiência nos campos de concentração. A mensagem central é brutalmente simples: a vida tem significado mesmo no sofrimento, porque podemos escolher nossa atitude diante dele. Ele conta como os prisioneiros que encontravam um propósito – seja lembrar de um ente querido, ajudar outros ou criar algo na mente – resistiam mais.
Isso me fez pensar nas minhas 'pequenas tragédias' cotidianas. Perder um emprego, terminar um relacionamento, tudo ganha outra dimensão quando você pensa: 'Como eu vou reagir a isso?'. Frankl diz que não somos definidos pelas circunstâncias, mas pela nossa resposta a elas. Essa ideia virou meu mantra nos dias ruins.
Lembro de uma cena em 'Anne with an E' onde a protagonista encontra beleza até nas raízes de árvores retorcidas. Frankl fala disso, né? A capacidade humana de transformar sofrimento em significado. Tenho um caderno onde anoto microjóias do dia: o cheiro de pão fresquinho às 6AM, a risada estridente da minha sobrinha quando brincamos de esconde-esconde.
Frankl defendia que não controlamos nossas circunstâncias, mas sempre podemos escolher nossa atitude. Ontem mesmo, preso no trânsito, decidi observar os grafites nos viadutos – aquelas cores vibrantes contra o concreto cinza me fizeram repensar quanta arte ignoramos no piloto automático da rotina. A logoterapia não é sobre grandes epifanias, mas sobre colecionar esses instantâneos de sentido como quem colhe morangos silvestres num campo árido.
Frankl mergulha fundo na ideia de que o sofrimento, por mais cruel que seja, pode ser transformado em algo significativo quando enfrentado com propósito. Ele fala sobre sua experiência nos campos de concentração, onde mesmo nas piores condições, quem mantinha um 'porquê' para viver conseguia suportar quase qualquer 'como'. Não é sobre romantizar a dor, mas sobre encontrar uma luz dentro dela.
Essa abordagem me faz pensar em como nós, hoje, lidamos com desafios cotidianos. Frankl sugere que a busca por significado não depende de circunstâncias externas, mas da nossa capacidade de atribuir valor às experiências. Quando perdeu tudo, ele ainda tinha o controle de como interpretava seu sofrimento – e isso virou a base da logoterapia. A vida não precisa ser perfeita para ter sentido; às vezes, o sentido nasce justamente das fissuras.