Amélia Duarte
Na noite em que fui para a cama com Afonso Teixeira, ele estava bêbado e tinha acabado de terminar com a ex-namorada.
Por se sentir responsável pelo que havia acontecido, ele se casou comigo. Nosso casamento era tranquilo e estável, mas faltava paixão. Durante muito tempo, acreditei que seria assim para sempre.
Até que a ex-namorada dele morreu em decorrência de uma doença. Só quando ele foi prestar uma última homenagem é que descobriu que, naquela época, ela já havia perdido todas as esperanças e ido embora porque tinha descoberto o que tinha acontecido entre nós.
Foi justamente então que ele encontrou meu diário, no qual eu registrava o amor secreto que nutria por ele. Convencido de que eu havia destruído de propósito o relacionamento dos dois, ele passou a me odiar profundamente.
Ele se divorciou de mim, me obrigou a sair daquele casamento de mãos vazias e, depois disso, fez de tudo para me perseguir e me prejudicar.
À beira da morte, a última coisa que ouvi foi sua voz fria junto ao meu ouvido:
— O seu amor me dá nojo.
Quando abri os olhos outra vez, havia voltado no tempo, exatamente duas horas antes de tudo acontecer.
Agarrei meu casaco, corri para fora do quarto e bati à porta da ex-namorada dele.