Romances clássicos brasileiros têm essa habilidade única de entrelaçar amor e dor de um jeito que parece quase palpável. Quando lembro de 'Dom Casmurro', a relação entre Bentinho e Capitu é repleta de nuances que misturam paixão com uma angústia sufocante. Não é só sobre ciúme ou traição, mas sobre como o amor pode ser um terreno fértil para a desconfiança e o sofrimento.
Machado de Assis, aliás, era mestre em mostrar que o amor não existe num vácuo — ele é contaminado pelas fraquezas humanas, pela sociedade, pelo tempo. Em 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', até mesmo o afeto mais puro é corroído pela ironia e pelo pessimismo. A dor não é um acidente, mas parte inevitável do processo. E isso me faz pensar: será que a grande literatura brasileira clássica está nos dizendo que amar, verdadeiramente, é também aprender a carregar feridas?