Contrato Após Traição
— Que bom que já lhe serviram!
Juliana sentou-se com uma intimidade que, na vida anterior, Maia chamaria de irmandade, mas que agora fedia a audácia. Ela pegou uma torrada, agindo como se fosse a dona do aposento. Maia a observou por cima da borda da xícara. O contraste era doloroso: as lembranças da traição e do calabouço ainda queimavam em sua mente, enquanto ali, diante dela, Juliana sorria com pura falsidade.
Maia percebeu, com uma clareza cortante, o quão profunda fora sua ingenuidade. Ela não havia sido apenas traída; havia permitido que uma serpente se alimentasse em sua própria mão.