
Love In The Dark
Ela entrou na VOSSEN para sobreviver.
Ele construiu a VOSSEN para nunca perder o controle.
Kiara Voss nunca imaginou que aceitar um emprego em uma das casas de moda mais poderosas do mundo a colocaria tão perto de um homem que deveria permanecer intocável.
Trabalhando nos bastidores da luxuosa VOSSEN Atelier, ela é apenas mais uma funcionária em meio a modelos, estilistas, câmeras e roupas que custam mais do que ela jamais poderia pagar.
Até que os olhos do CEO começam a encontrá-la pelos corredores.
Ele está acostumado a ter tudo o que deseja. Mulheres bonitas, poder, dinheiro e uma empresa construída sobre um legado que sua família protege há décadas.
Kiara, porém, não se curva diante dele.
E talvez seja exatamente isso que desperte algo que ele passou a vida inteira tentando controlar.
Entre olhares demorados, provocações perigosas e uma atração impossível de ignorar, os dois se aproximam sem perceber que existe um segredo enterrado no passado da VOSSEN.
Um segredo ligado ao sobrenome dela.
Porque Kiara Voss não é apenas uma funcionária.
E quando a verdade vier à tona, eles descobrirão que algumas histórias de amor não começam por acaso.
Algumas são escritas muito antes do primeiro encontro.
E algumas podem destruir tudo.
Desejo. Poder. Segredos.
Na VOSSEN, nada é o que parece.
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Chapter: Um lugar à mesaMinha mãe quase sempre dizia que não precisava de nada. Ainda assim, quando perguntei o que ela queria fazer no aniversário, respondeu que gostaria de passar o dia com a família. — Só isso? — perguntei. Ela me olhou por cima da xícara de café. — “Só isso” parece pouco? — Não. Parece fácil. — Então você pode organizar. Eu devia ter desconfiado do sorriso dela. Minha mãe sabia transformar uma tarefa simples numa lista cheia de detalhes, mesmo quando garantia que não queria nada demais. Mas, dessa vez, a lista foi curta: um bolo, comida suficiente para todos e nenhum discurso longo. — E nada de presentes caros — acrescentou. — Certo. — Kiara. — Certo — repeti, dessa vez com mais sinceridade. Meu pai, sentado à outra ponta da mesa, levantou os olhos do jornal. — Posso fazer alguma coisa? — Você pode ficar responsável pela música — disse minha mãe. — Música de aniversário ou música que você gosta? — As duas coisas podem ser a mesma coisa. — Vou preparar uma seleção. — Uma
Last Updated: 2026-11-08
Chapter: Uma tarde entre vitrinesMinha mãe quase sempre dizia que não precisava de nada. Quando eu perguntava se queria sair, ela respondia que tinha roupa suficiente, sapatos suficientes e compromissos suficientes para encher a semana. Mas, depois do passeio de barco com meu pai, senti vontade de fazer algo parecido com ela: passar algumas horas juntas, sem documentos para organizar nem assuntos urgentes para resolver. — Vamos fazer compras? — perguntei naquela manhã. Ela ergueu os olhos do livro que lia à mesa. — Compras de quê? — Não sei. Roupas, talvez. Ou qualquer coisa que a gente encontre pelo caminho. — Você está me convidando para gastar dinheiro sem um plano? — Exatamente. Minha mãe fechou o livro. — Então preciso pensar. — Pense até o almoço. Ela fingiu considerar a proposta com seriedade. Depois, sorriu. — Está bem. Mas só porque quero ver o que você considera uma tarde sem plano. Saímos depois do almoço. Minha mãe dirigiu até o centro, enquanto eu escolhia as músicas no rádio. A
Last Updated: 2026-11-07
Chapter: O rio das lembrançasMeu pai perguntou se eu queria sair no sábado de manhã. Não explicou para onde. Disse apenas que deveríamos levar um casaco e que voltaríamos antes do anoitecer. Eu aceitei sem perguntar muito. Depois de tantas semanas em que cada convite parecia esconder uma pista ou uma preocupação, havia algo reconfortante em não saber exatamente o que nos esperava. O dia amanheceu claro, com nuvens finas espalhadas pelo céu. Minha mãe nos entregou uma sacola com sanduíches, duas maçãs e uma garrafa térmica de café. — Vocês vão voltar com fome — disse ela, colocando a sacola no banco de trás. — Sempre voltamos com fome — respondeu meu pai. Ele dirigiu para fora do centro, seguindo uma estrada que acompanhava o rio. Eu conhecia aquele caminho, embora não soubesse de onde. As casas foram ficando para trás, depois vieram árvores altas, pequenas lojas e trechos de água que apareciam entre os galhos. — Onde estamos indo? — perguntei. — Para o lugar onde costumávamos passar os sábados, quando você
Last Updated: 2026-11-06
Chapter: Todas as portas abertasNa manhã em que as investigações terminaram, o ateliê estava quieto. Não era o silêncio tenso dos últimos dias, cheio de ruídos que pareciam esconder mensagens. Era um silêncio comum: o som distante de um ônibus passando, o vento mexendo nas folhas do jardim, a chaleira começando a ferver na cozinha. Ainda assim, ninguém conseguia agir como se fosse uma manhã qualquer. O medalhão de Amélia permanecia sobre a mesa, guardado num saco transparente. Ao lado dele, havia uma caixa de madeira, uma pilha de documentos e a fotografia da árvore plantada em 1987. O doutor Ramos chegaria a qualquer momento com o resultado da análise dos registros, das mensagens e dos objetos encontrados. Cecília estava sentada perto da janela, com o caderno da mãe aberto sobre os joelhos. Desde que voltáramos da porta azul, ela passava horas tentando encontrar outras anotações sobre a música. Não falava muito. Às vezes, cantarolava as quatro primeiras notas e parava, como se ainda tivesse medo de chamar alguém
Last Updated: 2026-11-04
Chapter: Quatro, dois, dois, umNa manhã seguinte, a melodia ainda estava na minha cabeça. Quatro notas. Duas repetidas. Mais duas. Uma última, sustentada até desaparecer. Eu a cantarolava sem perceber enquanto meu pai preparava café no ateliê. Quando me dei conta, parei no meio da sequência. — Não precisa interromper — disse ele, sem tirar os olhos da chaleira. — É uma música bonita. — É uma pista. — Pode ser as duas coisas. A observação me fez pensar em Cecília. Na véspera, ela ouvira a gravação várias vezes, como se quisesse memorizar cada respiração da mãe e cada palavra do homem que talvez fosse seu pai. Não sei se conseguiu dormir. Eu também não dormira muito. O doutor Ramos chegou pouco depois das nove. Trazia uma pasta e notícias da equipe que examinava a porta azul. — Encontraram quatro pequenas placas metálicas na moldura — explicou. — Estão ligadas a um mecanismo antigo. Ainda não sabemos se respondem a som, pressão ou a uma sequência manual. Ian, que chegara comigo, apontou para a pasta. — E a
Last Updated: 2026-11-04
Chapter: O lugar onde a música terminaA frase ficou comigo durante toda a volta ao ateliê. "Ceci, eu tentei voltar." Eu a repetia em silêncio, como se a cada vez pudesse descobrir algo que não tinha visto. Uma despedida. Um pedido de perdão. Uma prova de que Marcelo estivera mesmo atrás daquela porta. Mas as palavras não mudavam, e nenhuma delas respondia à pergunta que mais importava: para onde ele tinha ido? Cecília permaneceu quieta no banco de trás. Tomás sentou-se ao lado dela, sem tentar preencher o silêncio. Ian dirigia devagar, atento ao trânsito e, pelo retrovisor, ao carro que nos seguia desde o prédio. — O carro atrás de nós está desde a rua paralela — disse ele. Ramos, no banco da frente, olhou pelo vidro traseiro. — Não mude de rota bruscamente. Continue até a avenida e entre no estacionamento da delegacia. Ian fez o que ele pediu. O carro escuro manteve a distância. Quando entramos no estacionamento, passou direto pela rua. Não pudemos ver quem dirigia. — Isso não prova que estava nos seguindo — diss
Last Updated: 2026-11-03

Algumas Cartas Nunca Deveriam Ser Respondidas
Scarlett Sinclair encontrou na rotina a sua maior segurança, acreditando que a beleza da vida residia na simplicidade e na previsibilidade dos seus dias. Trabalhadora de uma livraria antiga, ela jamais imaginou que sua realidade calma mudaria ao folhear “O que os olhos não vêem, mas o coração sente” e encontrar, na página 18, um envelope misterioso. Sem remetente, sem endereço, apenas selado com cera preta e a inicial K, a carta trazia desabafos sombrios de um desconhecido que se via aprisionado na própria existência. Ele confessava, em palavras enigmáticas, não ter nada que o prendesse ao mundo, nenhuma luz ou motivo para permanecer, e admitia estar prestes a seguir um caminho silencioso do qual não haveria retorno.
Tocada por uma compaixão que não compreendia, Scarlett respondeu também por enigmas, deixando claro que a vida é muito mais do que uma prisão, e que sempre há beleza e esperança nos detalhes invisíveis aos olhos. Selou sua mensagem com cera vermelha e a inicial S, iniciando um vínculo secreto onde ambos permaneciam no anonimato: ele não sabia quem ela era, ela não tinha ideia de quem ele poderia ser, apenas sentia sua dor.
Ela deixou um pequeno adesivo com a letra K como sinal de que havia entendido e acolhido suas palavras. Ao retornar, encontrou um novo livro marcado com a sua própria inicial. Lendo sua resposta, descobriu que suas frases doces haviam se tornado o único motivo para ele adiar o fim e continuar vivendo. Agora, entre livros, páginas específicas e segredos trocados no silêncio, Scar se tornou a luz na escuridão de um homem, e ele se tornou o mistério que deu sentido à sua rotina. Uma conexão perigosa nascia: feita apenas de palavras, sentimentos e a certeza de que, mesmo invisíveis, os corações podiam se encontrar.
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Chapter: O inimigo dentro da casaPor alguns segundos, ninguém se moveu.O quarto inteiro parecia preso naquele instante, como se o tempo tivesse parado junto com o ar que entrava pela janela aberta. O berço vazio estava diante de mim. A manta ainda guardava o formato do corpo de Noah, amassada no centro, como se ele tivesse acabado de ser retirado dali.Mas não havia ninguém.Nem Noah.Nem a pessoa que o levara.Nem qualquer sinal de luta.O choro continuava ecoando pelo quarto, embora agora eu percebesse que não vinha do corredor, nem do andar de baixo. O som estava perto demais. Abafado. Metálico.Kellan foi o primeiro a entender.— O som — disse, olhando ao redor. — Não é ele.Meu coração parou.— Como assim?Ele caminhou até a cômoda e passou os olhos pelos objetos. Liam entrou no quarto logo depois, seguido pelos meus irmãos. Todos falavam ao mesmo tempo, mas eu não conseguia entender nenhuma palavra. Só conseguia ouvir aquele choro falso, repetido em um ciclo perfeito.Noah nunca chorava daquele jeito.Havia um
Last Updated: 2026-11-08
Chapter: O Nome Na TelaNão consegui ficar muito tempo sozinha no quarto.A cada poucos minutos, eu me levantava para verificar Noah. Às vezes ele continuava dormindo, alheio à tensão espalhada pela mansão. Em outras, mexia os braços sob a manta e soltava um som baixo, e eu precisava tocar seu peito até ter certeza de que ele voltara a respirar com tranquilidade.O silêncio da casa não era verdadeiro. Havia passos no corredor, portas abrindo e fechando, vozes contidas atrás das paredes. Ninguém queria falar alto, como se o perigo pudesse ouvir através da madeira.Eu estava sentada na beirada da cama quando alguém bateu duas vezes à porta.— Entre.Kellan apareceu com o celular na mão. O corte em seu lábio já tinha sido limpo, mas continuava visível sob a luz fraca do abajur. Ele não parecia cansado. Parecia concentrado demais para sentir qualquer coisa.— A polícia ligou — disse.Meu corpo inteiro ficou tenso.— Encontraram alguma coisa?— O investigador quer falar com Liam primeiro. Mas me adiantou que cons
Last Updated: 2026-11-07
Chapter: As peças que faltavamA viagem até a mansão foi silenciosa. Noah dormia no meu colo, protegido pela manta que eu havia ajeitado ao redor dele. Kellan dirigia com as duas mãos no volante. De vez em quando, olhava para mim pelo espelho, mas não perguntava nada. Talvez soubesse que eu ainda estava tentando organizar o que acontecera na delegacia. Talvez também estivesse esperando que eu começasse. O nome de Augusto continuava martelando na minha cabeça. Ele não tinha aparecido. Não entrara na delegacia nem ameaçara Noah pessoalmente. Mesmo assim, sua presença estava em toda parte: na van abandonada, nos homens que tentaram me levar e nas palavras do suspeito, que dizia ter recebido ordens em nome dele. E havia Liam. Meu irmão estava na mansão, junto com os outros. Kellan era o pai de Noah. Não havia mistério sobre isso, nem dúvida que precisasse ser resolvida. O que eu não entendia era por que Augusto acreditava que poderia usar meu filho para atingir nossa família. — Você acha que eles vão estar todos
Last Updated: 2026-11-06
Chapter: O que é meuA delegacia parecia menor do que antes. Talvez fosse porque eu não conseguia parar de olhar para a porta. Ou porque Noah, finalmente quieto no meu colo, ocupava todo o espaço que havia dentro de mim. Cada vez que ele respirava fundo, eu contava as inspirações, como se precisasse confirmar que ainda estava ali. Kellan permanecia ao meu lado, com o lábio cortado e as mãos machucadas. A policial que nos atendera fazia perguntas havia quase uma hora. Eu já tinha repetido a mesma história tantas vezes que as palavras pareciam não me pertencer. Os homens na praça. A van. O nome de Augusto. O disparo que nos fizera correr para nos proteger. O rosto do homem que eu julgava ter visto observando de um carro. Tudo registrado. Tudo anotado. E, ainda assim, nada parecia suficiente. — Você precisa beber um pouco de água — disse Kellan. — Não estou com sede. — Scarlett… — Eu disse que não. Ele não insistiu. Pegou o copo de plástico sobre a mesa e o deixou perto de mim. A discussão entre n
Last Updated: 2026-11-04
Chapter: O Nome na MolduraA primeira coisa que ouvi foi Noah chorando. A segunda foi a voz do homem ao telefone. — Você ainda não entendeu? Meu corpo inteiro ficou tenso. Apertei Noah contra o peito e olhei para a porta do escritório de Daniel. Continuava fechada, mas agora eu tinha certeza de que não estávamos sozinhos naquela casa. O celular de Elena estava sobre a mesa, no viva-voz. Eu não conseguia ver a tela dali, mas reconheci a voz. Não porque já a tivesse ouvido antes. Reconheci porque, desde que chegara, ela parecia estar à minha espera. — Onde você está? — perguntei, tentando não deixar o medo transparecer. O homem riu baixinho. — Você está no lugar certo. — Quem é você? — Alguém que conhece a sua família melhor do que você. — Isso não é uma resposta. — Não. É um aviso. Noah soluçou junto ao meu pescoço. Fiz carinho nas costas dele, desejando que aquela conversa terminasse antes que meu filho entendesse que alguma coisa estava errada. Mas o desconhecido parecia determinado a me deixar com
Last Updated: 2026-11-04
Chapter: Quando O Silêncio Vai EmboraEu não sabia o que doía mais. Descobrir que minha vida inteira havia sido construída sobre mentiras ou perceber que o homem que deveria estar ao meu lado parecia ter escolhido mais uma vez o lado dos segredos. Kellan estava diante de mim. O rosto fechado, os braços cruzados e aquela expressão que eu já conhecia bem demais. A expressão de quem estava prestes a dizer alguma coisa, mas preferia transformar a própria raiva em palavras afiadas. — Dylan — repeti. — Esse é o nome do meu pai? — Foi o que eu disse. — E você sabia? — Scarlett, não vamos começar novamente. Soltei uma risada desacreditada. — Não vamos começar? Kellan, acabamos de descobrir que meu irmão é filho de outro homem, que minha mãe escondia documentos, que meu nascimento está relacionado a uma família que eu sequer conhecia e você quer que eu simplesmente fique quieta? — Quero que você pare de agir como se fosse a única pessoa sofrendo nessa casa! A frase me atingiu. Olhei para ele, esperando que percebesse o
Last Updated: 2026-11-03