LOGINEVELYN BROOKSAntes de ir à sede, passei pelo retorno na clínica. Tudo estava normal com meu bebê e nada de estranho foi detectado no meu sangue. Saí aliviada, mas não menos assustada em voltar para a mansão.Na Ellis Living, encontrei Vincent ao lado da minha mesa. Ele tinha o paletó aberto e batia a ponta de uma caneta no relatório dos fornecedores.— A correção da reforma ficou pronta? — perguntou, levantando a folha assim que me sentei.— Ainda não. — Coloquei minha bolsa na gaveta. — O comprovante mostra um pagamento para Northbridge Services. Antes de trocar o nome no cadastro, preciso confirmar com o banco quem recebeu o dinheiro.Vincent parou de bater a caneta. Seus olhos foram para o relatório e depois para mim.— Daniel não disse que Northbridge participou da obra como intermediária? Não há motivo para atrasar uma atualização simples.— Se é simples, a confirmação virá rápido. — Abri a tela dos pagamentos e procurei manter a voz tranquila. Por que ele mesmo não fazia essa
CECÍLIA ELLIS WHITMORE— Essa data foi um dia antes de perder meu filho.Evelyn olhou outra vez para a foto no celular. O rosto dela perdeu a cor, mas não tirou o telefone da minha frente. Mantive o dedo sobre a data, como se pudesse ter lido errado.Não tinha lido. Eu sabia de cor o dia em que entrei no hospital grávida e saí sem o meu bebê.— O que Daniel comprou? — perguntei. Minha voz saiu tão baixa que precisei repetir: — Está escrito o nome do produto?Evelyn aproximou a imagem com dois dedos. A foto mostrava um comprovante preso à lista de despesas, mas outra folha cobria a descrição da compra.— Não aparece — respondeu, erguendo os olhos. — Eu devia ter fotografado o resto. Tirei fotos às pressas, não sabia que te interessaria.— Você não tinha como saber. — Soltei o telefone sobre a mesa e esfreguei as mãos. Até poucos minutos antes, estávamos falando de uma reforma do hotel. Quarenta mil dólares enviados a uma empresa desconhecida. Aquilo continuava grave, mas a data no pap
EVELYN BROOKS Daniel chegou à mansão um pouco mais tarde. Encontrei-o no escritório, separando folhas em duas pilhas. — Pensei que fosse me avisar quando chegasse — falei da porta. Ele ergueu os olhos e sorriu. — Eu ia, amor. Vincent me pediu ajuda com umas contas antigas do Grand. Já estou acabando. — Você trouxe trabalho para casa? — perguntei, me aproximando da mesa. — Quer que eu confira alguma coisa amanhã? — Hoje seria melhor. — Daniel puxou uma cadeira para mim. — Você conhece os registros de pagamentos. Vincent quer limpar alguns erros. Sentei. Daniel colocou diante de mim uma folha intitulada “Correção de fornecedor”. Dois pagamentos de quarenta mil dólares se referiam à mesma reforma. Meu trabalho seria colocar no sistema o nome de quem recebeu o segundo valor. — Colocar o nome do empreiteiro nos dois? — perguntei, acompanhando as linhas com o dedo. — É o que consta no projeto. — Daniel pousou a mão em meu ombro. — O cadastro antigo ficou incompleto e não
CECÍLIA ELLIS WHITMORE— A partir de amanhã, vão barrar você na entrada do Ellis Grand.Olhei para Daniel por um instante, ele manteve a expressão séria, então comecei a rir. Ele pareceu ainda mais ofendido com minha risada.— Você está falando sério? — perguntei, ajeitando o casaco. — Quero ver você me impedir de entrar no hotel que minha mãe fundou.— Não teste minha paciência, Cecília. — Ele se aproximou da porta antes que eu a abrisse. — Nesse momento sou eu quem dou as ordens sobre a operação do Grand.— E eu dirijo a empresa à qual o Grand pertence. Passar bem. — Passei por ele e abri a porta.Atravessei a entrada do hotel sem olhar para trás. Naquela semana, ele estava trabalhando diretamente no Grand e agia como se isso lhe desse o poder de me expulsar. Não vou deixar essa ameaça sem resposta. Pela manhã, vou passar no hotel antes de ir à sede da Ellis.Dormir na casa de Maya já não era confortável, minhas roupas se misturavam às dela na área de serviço e eu raramente tinha um
CECÍLIA ELLIS WHITMORE— Sorria comigo ou conto a todos que saiu de casa porque perdeu a cabeça e por isso tá agindo como uma cadela no cio abanando o rabo pra qualquer um.A fotógrafa esperava com a câmera diante do rosto. Atrás dela, Nathaniel continuava perto da mesa de bebidas. Eu mal o conhecia. Daniel precisava transformar até uma conversa de cinco minutos numa forma de me ofender?Segurei a mão que apertava minha cintura e afastei seus dedos, um por um. Daniel manteve o sorriso para a câmera, mas seus olhos se estreitaram.— Você está me machucando — falei baixo, para que só ele ouvisse.Dei um passo para o lado. A fotógrafa abaixou o aparelho, sem saber se ainda queríamos a foto. Eu conhecia aquela hesitação: ninguém gosta de ficar no meio de uma briga de casal durante o trabalho.— Desculpe — eu disse a ela, endireitando o vestido. — Quer fotografar os anfitriões da noite, não é? A equipe do Grand está perto da entrada. São eles que fizeram esse jantar acontecer, então o que
CECÍLIA ELLIS WHITMORENa quarta-feira à noite, voltei ao Ellis Grand para receber o jantar anual da associação de hotelaria. O salão tinha sido reservado meses antes da festa de aniversário do hotel. Naquela época, eu ainda imaginava Daniel ao meu lado, cumprimentando os convidados e reclamando comigo, em segredo, de quem falava demais.Agora não passava de uma situação imaginária.Na entrada do salão, parei para observar a equipe. Dois garçons conferiam os lugares, e a gerente do Grand orientava os convidados até as mesas.— Senhora Whitmore, está tudo pronto — disse a gerente, ajeitando o crachá. — Quer que chamemos o senhor Daniel para recebê-la?— Não precisa. Vou cumprimentar os convidados. — Toquei de leve o braço dela e segui para o salão.Daniel estava perto da mesa principal, conversando com dois donos de hotéis. Quando me viu, abriu aquele sorriso que tanta gente julgava sincero. Veio ao meu encontro antes que eu pudesse virar para outro grupo.— Você chegou — disse, oferec







