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08 – MENINO MISTERIOSO

last update Fecha de publicación: 2025-03-24 18:26:08

POV: LAUREN

— Não! Não faça isso, é perigoso! — Eu gritei, correndo em sua direção enquanto ele começava a se debater na água, engolindo grandes goles e afundando. — Calma, eu vou te salvar!

Sem pensar duas vezes, mergulhei no lago e nadei com todas as forças até alcançá-lo. Seus pequenos braços agarraram meu pescoço com força, seus soluços eram altos e seu corpo tremia de medo.

— Ei, está tudo bem, eu te peguei. Você está seguro agora — Eu murmurei suavemente, tentando acalmá-lo enquanto o segurava com firmeza. — Eu vou te levar para a terra firme, tudo bem? Apenas confie em mim.

Com cuidado, nadei de volta até a margem, mantendo o menino próximo de mim, sentindo seu desespero diminuir aos poucos. Assim que cheguei à terra, coloquei-o delicadamente no chão, certificando-me de que estava bem.

— Estou com medo. — Ele choramingou, apertando-se ainda mais em meus braços, sua voz trêmula. — Eu não quero dizer adeus.

— Oh, meu pequeno... — meus olhos se encheram de lágrimas, e eu o envolvi em um abraço apertado, tentando transmitir conforto. — Seus pais precisam que você diga adeus para que eles possam seguir em frente.

— Mas eu não quero que eles vão embora sem mim! — ele chorou, sua dor cortando meu coração. Com cuidado, afaguei seus cabelos molhados, afastando-me apenas o suficiente para secar suas lágrimas.

— Não é assim que funciona, meu anjinho. — Eu sorri suavemente, tocando suas bochechas frias da água. — Eles sempre estarão com você, bem aqui.

Apontei para o seu pequeno peito, tentando confortá-lo, mas ele arregalou os olhos e voltou a olhar fixamente para o rio.

— Não, eles não vão me encontrar! — ele exclamou, desesperado, tentando correr novamente em direção à água.

— O que está fazendo? Você quase morreu afogado! — Eu gritei, segurando-o com firmeza, o que o fez parar e começar a chorar ainda mais. Sua expressão era de puro desespero, e meu tom forte claramente o assustou.

— Ei, não quis brigar com você. — Eu falei em um tom mais suave, abaixando-me para ficar na sua altura. — Estou com medo de que você se machuque. Por favor, me diga, onde está sua família? Quem está cuidando de você?

Ele soluçou, tentando recuperar o fôlego, mas não respondeu, seus olhos desviaram para o chão com vergonha.

— Eu fugi do meu tio enquanto ele se despedia. — respondeu o pequeno, ainda soluçando. — Fiquei com raiva dos meus pais porque eles me deixaram. Então joguei o colar que me deram para lembrar deles no lago. Agora, meus pais nunca mais vão me achar!

— Um colar? — Eu perguntei, suspirando enquanto pensava. Mordi os lábios, alternando meu olhar entre o lago e o menino. — Vamos fazer um acordo, está bem?

— Um acordo? — Ele murmurou, esfregando os olhos vermelhos e fungando. — Que tipo de acordo?

— Eu volto ao lago para procurar o seu colar, e você vai atrás do seu tio e conta a ele o que aconteceu. — Eu expliquei, segurando suas pequenas mãos, que estavam geladas. — Diga para ele vir me encontrar aqui, assim já terei encontrado o seu colar. O que acha?

— Não, ele não vai me ouvir. — O menino fungou, com tristeza evidente na voz. — Ele nunca me escuta.

— Então diga a ele que tem uma mulher precisando de ajuda no lago, que está em perigo. — Eu sugeri, tentando convencê-lo enquanto acariciava seu rosto e dava um beijo leve em sua bochecha. — Você pode fazer isso por mim?

— Eu... não sei. — Ele hesitou, ainda chorando baixinho. — Você promete que vai achar o meu colar?

Seus olhos cheios de lágrimas encontraram os meus, e a profundidade de sua dor era impossível de ignorar. Eu sabia que precisava ganhar sua confiança e ajudá-lo a encontrar algum conforto, por menor que fosse.

Ajoelhei-me diante dele e ergui meu dedo mindinho, oferecendo uma promessa silenciosa.

— Eu te dou a minha palavra — declarei com firmeza. Um sorriso radiante iluminou seu pequeno rosto, transformando completamente sua expressão. Ele ergueu o dedinho e entrelaçou o dele no meu, selando o acordo com um aceno de cabeça.

— Certo, conto com você para buscar reforços enquanto eu procuro o colar no rio — Eu continuei incentivando-o.

— Está bem! — respondeu ele com entusiasmo, correndo em direção ao caminho, mas parou de repente. Ele se virou e, em um impulso, correu de volta, lançando-se em meus braços. Seu abraço era apertado, cheio de gratidão e necessidade.

— Obrigado por ser minha fada protetora — murmurou ele, sua voz carregada de sinceridade e inocência.

Senti meus olhos marejarem, e retribuí o abraço com força, como se pudesse transmitir todo o conforto que ele precisava.

— Agora vá, anda. Estarei aqui te esperando — Eu falei, sorrindo, enquanto o observava se afastar. Quando ele desapareceu da minha vista, voltei minha atenção para o rio.

Encarei as águas calmas por um momento, tomando coragem.

— Vamos lá, não podemos decepcionar essa criança. A vida já tirou tanto dele... Eu entendo bem essa dor. — murmurei para mim mesma, determinada.

Tirei os sapatos e os joguei para o lado antes de mergulhar novamente no rio, começando minha busca pelo colar que significava tanto para aquele garotinho misterioso.

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