تسجيل الدخولCheio de madeira.
É esse o cheiro de um tribunal. Perfumes amadeirados misturados à madeira de cada canto.
Um paraíso de cupins. Provavelmente porque é o tipo de inseto que mais combina com lugares projetados para destruir sonhos.
Quando saí do carro, os flashes das câmeras quase me cegaram. Jornalistas gritavam perguntas que eu não entendia, empurravam microfones na minha direção.
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Eu poderia encerrar a minha história falando sobre todas as noites que passamos juntos.Ou contando como foi o nascimento de Celeste, nossa terceira filha.Mas escolhi encerrar falando sobre o amor e como muitas vezes desistimos de nós para sermos apenas úteis e funcionais.Aumentamos nosso fardo para aliviar a dor de outros ou desacreditamos dos nossos sonhos para sobrevivermos em um mundo que deixou de acreditar no amor.Minha vida é a prova de que viver exige coragem.Algo quase raro em um universo em que as pessoas aprenderam a imitar máquinas e em que corações sangram em silêncio pelo peso do não reconhecimento.Eu vivi tudo.As recusas, o desemprego, o medo e até as traições. Mas sobrevivi a tudo porque, enquanto o mundo acreditava que poderia me derrubar com golpes, minha mente vagava em sonhos bonitos que eu tornei realidade.Não tive sorte como Beatriz falou no dia do próprio casamento com Antony.— Você pode ter se casado com uma máquina de fazer dinheiro, mas eu peguei uma
Dois dias e já tínhamos aprendido a dar banhos, trocar fraldas, que amamentar não tinha nada de bonito e que não é apenas o bebê que sabe a hora de mamar.Mães também sabem.Os seios doem, o leite vaza em gotas pesadas e isso sem contar que ficamos o tempo todo fedendo, enquanto os bebês têm cheirinho naturalmente doce.Mas o dia de irmos para casa chegou e Clara, que tinha ficado apenas com os empregados durante aqueles dias, estava esperando no carro.Estiquei dois macacões sobre a cama e perguntei a Daniel.— Vermelho ou marinho?— Azul, o Theo é macho.Sorri e vesti o macacão vermelho.— Ele não precisa provar nada para ninguém. Vamos escolher o vermelho para evitarmos mau-olhado.Daniel não discutiu.— Tem razão. Vamos garantir o começo e deixamos que ele decida o futuro. Por isso preciso de você ao meu lado, viu?Depois de todos os papéis da alta e recebermos as orientações iniciais, fomos para o carro. Clara ficou encantada com o irmão.— Mãe? Ele é muito pequeno. Como vamos br
Apertei a borda da mesa.Uma sensação estranha que se parecia com uma vontade insuportável de usar o banheiro.— Senta um pouco, Serena.— Não, eu preciso ir ao banheiro. Parece que estou com prisão de ventre, sei lá. Devo estar bem. Não é hora ainda. Pode comprar um laxante para mim. Aaaai... sei lá. Qualquer coisa.— Vamos para o hospital, não vai tomar nada que a médica não diga que pode.— Não quero sair assim. Acho que fiz xixi. Eu não sei.A dor tinha passado, mas a sensação de que eu precisava fazer cocô continuava. Tentei ir ao banheiro, mas Daniel me segurou.— Vamos fazer as coisas com calma.Ele abriu um armário que antes eu me lembrava claramente de ter apenas garrafas de bebida. Tirou de lá duas bolsas, abriu o zíper da maior e pegou um vestido azul.— Deixei tudo pronto.Enquanto Daniel me ajudava a trocar as roupas, a dor voltou. Curvei o corpo e puxei os ombros do meu marido, que estava abaixado tentando me calçar.Alguns segundos que pareciam horas, tudo voltou ao nor
Dormimos agarrados e fizemos amor mais vezes do que sou capaz de contar.Não por desespero, nem para provar nada, mas porque realmente nossos corpos pediam um pelo outro.Mas na manhã seguinte, Daniel ainda queria continuar.Acordei com o corpo dele colado ao meu. Eu estava de costas enquanto ele acariciava a lateral do meu corpo deixando os movimentos descerem pela curva da minha cintura até o meu braço.Depois ele descia e recomeçava. Abri os olhos preguiçosa.— Você não cansa?— De você? Nunca! Acho que vou passar a vida me perguntando como conquistei uma mulher tão bonita.— Bobo.— Vou pedir o nosso café.Ele se levantou, mas eu o segurei e puxei de volta.— Vamos comer em casa. Por favor. Clara já deve ter acordado.— Ela está bem, ninguém mandou mensagem.— Eu sei, mas estou com saudade da minha princesinha.— Tem tempo para um banho com o seu marido?Fui com Daniel para o banho e quando saímos eu estava sem ar. Muito pouco de sabonete e uma infinidade de beijos e toques que eu
Assistimos Antony e Beatriz saírem abraçados e juntei as peças.— Então foi assim que ele teve acesso aos documentos do Grupo Savoia.— Parece que sim.Dali saímos para nossa lua de mel.Nada tão esplendoroso quanto o Caribe, mas delicioso por eu poder ver meu mundo refletido no suor de Daniel.Desviamos o caminho que deveria nos levar ao que Daniel chamou de pré-lua de mel. Ele estava planejando algo maior, no entanto, a situação da Carter exigia atenção.— Você me perdoa, por isso, Serena? Prometo que vou te compensar.— Compensar? Daniel, você me deu tudo o que eu sempre quis na vida. Um homem que me ama, dois filhos e uma carreira. Você é o sonho que se tornou realidade.Ele segurou a minha mão e beijou com cuidado.— Eu te amo.Deixamos Clara em casa com uma equipe de recreação. Achei cômico e fofo ao mesmo tempo.— O que é tudo isso?Perguntei enquanto Clara já estava girando no meio da sala repleta de bolinhas brancas. A casa estava toda decorada com o tema da Frozen. Um filme
— Beatriz?A chegada da ex-cunhada de Daniel foi estridente.Não que ela tivesse feito qualquer coisa para nos afrontar. Ao contrário. Ela simplesmente entrou, e bastou isso para me fazer estremecer.Daniel segurou forte a minha mão, quase como se ele sentisse o que a presença de Beatriz me causava.— Calma, Serena.Ele fez um gesto para os seguranças, mas os mandou esperar em seguida. Antony estava indo em direção à irmã de Luciana, e Daniel respeitava o amigo quase como a um irmão.Observamos de longe a forma como ela sorriu e passou direto pelo nosso advogado, que em seguida se aproximou de nós.— O que é isso, Antony?— Não faz nada, meu amigo. Prometo que ela não vai causar problemas.Daniel assentiu sem procurar por explicações. Acho que uma das maiores qualidades dos homens é esse respeito pelo silêncio.A festa continuou, e em pouco tempo realmente tínhamos esquecido da presença de Beatriz.Daniel fazia planos para nossa viagem de lua de mel, enquanto Clara reclamava que os do







