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E então, os olhos dele me encontram.

ผู้เขียน: Burn knight
last update วันที่เผยแพร่: 2025-12-06 01:15:20

Isadora

O táxi para em frente à Mansão Lancaster e meu coração parece que vai saltar pela boca.

A porta se abre e o silêncio me engole.

A casa é enorme, toda vidro e aço, perfeita demais. Tudo parece medido, frio.

Tento respirar devagar, mas não ajuda.

— Senhorita Duarte? — a voz surge de algum lugar do corredor.

Olho e vejo uma mulher parada, impecável, postura perfeita. Olhos firmes, quase militares.

— Sim… sou eu — consigo dizer, a voz menor do que queria.

— Sou Helena Parker. Governanta da casa.

Tento sorrir. Um sorriso pequeno, nervoso.

Ela não muda a expressão. Nada.

— Siga-me. Vamos conversar no escritório.

Sigo atrás dela.

— Aqui é o escritório — diz Helena, abrindo a porta.

O cômodo é escuro, apesar da luz que entra pelas janelas enormes. Mesas, telas, papéis organizados com precisão cirúrgica. Tudo muito sério, muito caro.

— Sente-se — ordena, apontando a cadeira à minha frente.

Obedeço.

— Vamos começar com algumas perguntas básicas — continua, voz firme, sem qualquer calor.

Helena faz as perguntas de forma direta, sem pressa, sem sorriso.

— Já trabalhou com crianças antes?

— Como lidaria com uma birra de quatro anos?

— Conseguiria seguir regras rígidas sem questionar?

Respondo o melhor que posso, tentando não gaguejar. Cada palavra sai medida, quase ensaiada. Ela escuta, testa, observa cada detalhe.

Quando termina, acena com a cabeça.

— Muito bem. Vamos conhecer a casa.

Saímos do escritório. Cada corredor parece mais longo que o anterior, cada porta esconde algo que não posso tocar.

Ela me guia, falando sobre a rotina da filha:

— Aurora acorda cedo. Café, banho, depois brincadeiras no jardim ou atividades supervisionadas.

— Às 12:30, almoço. Às 15h, lanche e descanso.

— O toque de recolher é às 22h. Nada de questionar ou contrariar regras relacionadas a ela.

Sigo prestando atenção, tentando memorizar tudo sem parecer que estou desesperada. Mas o ritmo dela me deixa sem fôlego.

— Isso é o básico — conclui Helena, olhando para mim como quem espera uma promessa.

Sinto o peso do silêncio depois da fala dela, e sei que cada passo que eu der a partir daqui vai ser vigiado.

Subimos as escadas em silêncio. Cada degrau range sob nossos pés e o corredor parece mais longo do que realmente é.

— Aqui fica o seu quarto — diz Helena, abrindo uma porta grande e clara.

O espaço é enorme.  Cama perfeita, lençóis esticados.

Olho em volta, confusa, o coração acelerado.

— Eu… vou morar aqui? — arrisco, sem acreditar.

Ela me encara, firme, nada no rosto além de neutralidade.

— Sim. A função exige disponibilidade total. Você precisa estar aqui para cuidar de Aurora.

Sinto minhas pernas tremerem. Tento rir, mas sai mais um suspiro nervoso.

— Mas… eu não sabia que teria que morar… Eu…

Helena cruza os braços, impassível.

— Se não precisa, pode ir. Mas quem entra na casa, fica. Não é negociável.

Fico sentada na beira da cama, o desespero crescendo.

É tudo grande demais. Perfeito demais. E eu… pequena demais pra tudo isso.

E agora tenho que me adaptar a um mundo inteiro que parece me vigiar a cada passo.

— Entendo — digo finalmente, tentando soar firme. Por dentro, sei que estou perdendo o chão.

Respiro fundo e me levanto da beira da cama, tentando colocar firmeza na voz.

— Não vai ser problema — digo, ainda com o coração disparado. — Eu consigo me adaptar.

Helena me observa por um instante, como se avaliando se acredito de verdade no que digo.

Ela acena levemente e então nos dirigimos de volta ao térreo, descendo os corredores silenciosos.

Chegamos de frente para a escada principal, aquela que domina toda a entrada da casa.

O ar parece vibrar diferente ali, pesado, cheio de expectativa.

Sinto um arrepio percorrer minha espinha quando a sombra de alguém aparece no topo da escada, silenciosa, imóvel.

— Acho que temos companhia — murmuro para mim mesma.

E então, os olhos dele me encontram.

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