LOGINAurora
“Acho que decidi namorar você. Esteja avisada.”
Franzo o rosto para a mensagem enquanto caminho para o portão do colégio. Só vi no final da última aula. Não gosto de mexer em celular durante a aula.
Um nome me vem à cabeça. E uma esperança esquisita vem junto. Meu corpo todo reage lembrando do que aconteceu mais cedo. Nem dá para fingir que o garoto não mexe comigo.
Curiosa, salvo o contato e vejo o quanto estou ferrada ao encarar a foto do cara mais gato que já encontrei.
Ele está interessado. Isso me faz sorrir enquanto penso em ser um pouco atrevida.
Eu: Quem disso que eu quero isso?
Respondo e fico esperando. Nem percebo que estou parada entre os alunos que saem pelo portão. Fico encarando o telefone. Cada segundo que passa acaba com minha confiança. Quando começo a acreditar que não haverá resposta tão cedo...
— Você não quer?
Puta que pariu! Dou um pulo no lugar com a voz gostosa falando perto do meu ouvido.
— Deus! Que susto! — Viro para trás e o vejo parado, com um sorriso ladino que destrói minhas defesas. — Por que você faz isso? Quer me matar?
Há quanto tempo estaria ali?
Droga! Parece que ele sempre aparece quando não quero que saiba o que estou pensando. E parece que lê claramente meus pensamentos através do meu rosto.
Suspiro.
— De jeito nenhum. Quero namorar você.
— Pelo que li na mensagem, você acha que quer. Acha.
Ele passa o braço pelo meu e começa a me guiar para fora. Ignora o veículo com segurança e caminha ao meu lado para a minha casa. Noto que o carro nos segue discretamente.
Seguimos silenciosamente, até que ele pergunta:
— Se fosse aceitar me namorar, que tipo de namoro gostaria? Com festas agitadas e muito fogo ou um namoro de piqueniques e carinho?
— Eu não tenho experiência nisso, mas acho que relacionamento deveria ter festa e piqueniques, assim como fogo e carinho.
— Tem razão. Vamos fazer assim: dois encontros com os ambos os lados de um relacionamento. Teremos dois encontros. E você decide se namora comigo. O que acha?
— Sem gracinha, tá bom!
Como assim? Eu já aceitei? Dou uma gargalhada interna de como ele me tem fácil.
— Prometo. — Ele beija meu rosto, me pegando de surpresa. — Promessa selada. Agora vamos nos conhecer. Fale-me de você, futura namorada.
Simplesmente é o que faço. O resto do caminho, vamos conversando. Ele é um cara bem comunicativo. Nem vejo o tempo passar. Felipe me deixa no portão de casa e se despede com um beijo em meu rosto.
Fico na porta vendo ele entrar no carro e partir.
— Quem é o rapaz? — dessa vez é a minha madrinha que me assusta, chegando por trás.
Levo a mão ao coração.
— Que susto, madrinha! — digo fechando a porta e me afastando em direção a cozinha. — É o Felipe. Um amigo da escola.
Evito dizer o sobrenome por algum motivo que não sei qual é. Se ela perguntasse, eu diria.
— Amigo, é? Se a senhorita não percebeu, estava sorrindo bem apaixonada para esse amigo.
— Estava? Não percebi. — Jogo minha mochila sobre o balcão de mármore e abro a geladeira, pegando os ingredientes para um sanduiche. Estou faminta. — Acho que ele vai me chamar para sair. O que a senhora acha?
— Que se for passar de amizade, deve trazer ele aqui para eu conhecer e aprovar.
— Combinado.
Termino sanduiche enquanto conversamos sobre coisas cotidianas e garotos. O assunto só acabou quando eu disse que ela precisava conhecer alguém e se apaixonar.
— Estou feliz cuidando da minha garotinha — ela responde e encerra a conversa dizendo que precisa sair.
Passo as horas restantes fazendo as minhas coisas de casa e tarefas do colégio. À noite, já na cama, recebo uma mensagem do Felipe. Percebo que não salvei o nome dele e salvo.
Everest: Acordada, garota da bunda bonita?
Reviro os olhos para o telefone, me posiciono na cama para digitar melhor deitada e respondo:
Eu: Esse apelido já não tem mais graça.
Assim que respondo, rio para a tela, já que salvei o contato dele com o apelido do nosso primeiro encontro.
Everest: É mesmo. Agora que estamos prestes a virar um casal, vou pensar em algo mais apropriado. E esse deixo para quando quiser te irritar.
Rio lendo sua reposta.
Logo vem outra mensagem.
Everest: Te chamarei de Minha Bela.
Eu: Minha? Então você é o tipo possessivo?
Everest: Demais. E ciumento também. Talvez eu quebre alguns narizes por ciúmes. Mas relaxa, só de quem merecer. Não terei ciúmes sem motivos.
Eu: Já eu sou o tipo de ciumenta exagerada. Namorar comigo vai te proporcionar alguns barracos.
Everest: kkk. Escutou a gargalhada?
Pode deixar, terei cuidado para não despertar seu ciúme.
Sorrio para a tela. E na mesma hora lembro da minha madrinha dizendo que estou distribuindo sorrisos apaixonados. Ao que parece, estou mesmo.
Conversamos bobagens por horas. Acabei pegando no sono bem tarde. Pelo menos no dia seguinte não precisaria acordar cedo por ser final de semana. Poderia dormir até um pouco mais tarde para acordar disposta para o piquenique. Sim, ele marcou para o dia seguinte. E na hora marcada, estou na porta com meu único vestido florido e minha bolsa. Afinal, meu pretendente a namorado disse que eu não precisava levar nada.
AuroraUm mês depois...— Bom dia! — cumprimento o médico e ofereço uma caneca de café.— Bom dia, dona Aurora. — Ela aceita com seu sorriso polido. — Como foi a caminhada?— Foi bem. Fiz alguns exercícios.Ele apenas assente. Sei que quer dizer alguma coisa, mas todos já estão cansados de tentar me convencer a levar uma vida fora dessa clínica. Mas como posso fazer isso se o homem que amo passa dia e noite aqui por minha culpa? Eu coloquei aquela mulher na vida dele. Eu o deixei esperando por anos e quando acordei duvidei dele e fiz soltar aquela maldita bruxa.Caminho devagar até onde Felipe parece dormir tranquilamente ligado a aparelhos. Ele está em coma há um mês, desde o maldito dia em que o castelo foi invadido.Me sento na poltrona ao lado da cama dele e pego o livro que deixei ontem. Abro na página com marcador e começo a ler de onde parei.Não leio nem um capítulo antes de notar a gota cair no papel, seguida por outra.É impossível continuar com as lágrimas embaçando a visão
NarradorDepois de ligar para seus comparsas, Malévola simplesmente esperou e torceu para que eles não cometessem nenhuma besteira. Não podia fazer mais nada, além de esperar e resmungar sobre incompetência de seus aliados. Quando ouviu os primeiros tiros, seu rosto se iluminou em um sorriso.— Dessa vez, serei a anfitriã do baile. E será o último dos Seven.Só esperou mais um instante, ouvindo a movimentação no corredor fora do quarto, até confirmar que o guarda deixou seu posto. Depois disso, foi fácil. Sempre foi boa em abrir portas com objetos pontiagudos. Em um instante, ela está livre. E poderia fugir, aproveitando a distração da invasão, mas a maldade em seu coração escurecido não permite.— Quem vai colocar um fim naquela sonsa hoje serei eu. — Seu maior desejo ainda não foi realizado; ver o sangue de Aurora escorrendo em suas mãos.Evitando ser vista, ela sai pelo castelo à procura de Aurora.Enquanto isso, Felipe e seu pai correm contra o tempo para salvar as crianças Seven.
Felipe— O que houve com ela? — entro em desespero ao ver Florian correndo com Aurora nos braços em direção ao consultório que montei no castelo.Sim, montei quase que um mini hospital aqui desde a chegada dela. A ideia foi bem recebida, afinal nosso trabalho é perigoso, sem contar a quantidade crescente de crianças sapecas que passam por aqui e podem se machucar... mas isso não vem ao caso agora. Tudo que importa é minha mulher desacordada.— Ela desmaiou quando foi ver a madrinha. — Florian diz enquanto me entrega ela gentilmente.— Aquela maldita! Vou acabar com ela.— Pode acabar com ela, será um alivio para todos, principalmente para vocês. Mas pelo que Aurora falou, não foi culpa dela, sua mulher já estava passando mal antes.Ouvir isso não me deixa mais animado.Seguimos os poucos metros em silêncio. O médico que contratei lia tranquilamente na sua sala enquanto esperava precisarmos dos seus serviços.Assim que nos entramos, ela levanta prontamente.— Coloca ela na maca — orien
MalévolaAnos antes...— Como assim?— Um Seven?— Puta merda!Espero cada um desses imbecis darem sua opinião sobre o que contei sobre o namoradinho da sonsa as Aurora.— Terminaram com a ladainha? Se sim, quero continuar, pois não contei quem é o namoradinho daquela peste para passar o tempo.— Fala. Estamos esperando. — Cassio, o maior babaca que já tive o desprazer de conhecer, diz.— É o seguinte... — Faço uma pequena pausa, até ter a atenção de todos. — Quero que juntem todos os que estão ferrados pelos Seven. Aqueles que não tem mais nada a perder. Farei esse momento virar a nossa chance de acabar com cada um deles ao mesmo tempo. Eles fazem muitos bailes...— Onde é impossível entrar. — Um deles me interrompe. Nem olho para saber quem foi.— O namoro de Aurora será minha chance de convencer alguém na casa a deixar meus amigos penetras entrarem... Algo do tipo. Sabem que sou bem persuasiva. Preparem-se.Algum tempo depois...— Acorda, bruxa. Eu não disse que poderia dormir.A v
Felipe— Bom dia, minha bela adormecida! — Estou sorrindo feito um garoto que perdeu a virgindade com a menina que sempre amou.— Por que não me mostra fotos? — franzo o rosto sem entender a pergunta repentina. — Fotos de nós dois. Você quer que eu acredite, mas não me mostra fotos, nada que prove.Até parece que não pensei nisso.Vou até a gaveta da mesa de cabeceira e pego o celular lilás, sua cor favorita. Caminho até a cama e sento na beira. Meu coração fica mais tranquilo quando ela não se afasta.— Pensei em fazer isso, mas hoje em dia as pessoas podem fraudar até vídeos. Desisti. Você estava muito propicia a não acreditar em mim. Mas se quiser, pode ver muita coisa aqui. Inclusive coisas que não podem ser fraudadas. — Entrego o telefone para ela.Aurora pega o aparelho e analisa.— E por que não me mostrou essas coisas então?— Pode parecer tolice, mas eu escolhi esperar que acreditasse e se lembrasse de mim. — Sorrio. — E não me arrependo. Mesmo sem te mostrar, olha onde você
AuroraO que foi que eu fiz? O que acabei de dizer?Foi tudo tão bom, tão gostoso. Me pareceu tão certo, que nem percebi as palavras saindo da minha boca.Tento escapar, mas Felipe me prende, ainda dentro de mim.— Não faz isso. Você me deu essa noite para viver como um casal. Não vou abrir mão de nenhum segundo dessa chance — diz com seriedade. — Vamos esquecer que você se assustou porque disse essas três palavras, eu vou me afastar, vamos nos vestir, sair e aproveitar a noite que me prometeu, ok?Que ousado! Eu não prometi nada, apenas disse aquilo no calor do momento.— Estou esperando sua resposta.— Ok. Pode sair de dentro de mim agora?Ele puxa a calça, fecha, e obedece. Se afastando o suficiente para pegar os papéis macios de enxugar as mãos e se abaixar na minha frente, limpando seu sêmen que escorre por minhas pernas.Com um sorriso ladino, Felipe aperta o papel contra minha intimidade sensível, fazendo meu corpo entrar em alerta outra vez, ansioso por mais.— Será que dessa







