تسجيل الدخولA pergunta atingiu Ariana em cheio. O pânico nublou a íris dos olhos deslumbrantes da executiva.Por que o Gustavo tocou nesse assunto do nada? Será que ele cruzou comigo na companhia do Heitor e do Daniel? A dúvida queimava os seus pensamentos naquele instante.— Eu vim sozinha, claro. Gustavo, você está com uma energia tão pesada hoje... Não acha melhor entrarmos logo para fazer companhia aos seus pais? — Ela emitiu um risinho sem graça e tentou encurtar a distância, estendendo a mão para entrelaçar os dedos nos meus.Recuei um passo inteiro, esquivando-me do seu toque com repulsa.O choque de ser rejeitada a paralisou de vez. Os traços finos e delicados do seu rosto cederam a uma expressão de desespero e súplica.— Gustavo, por favor... não podemos tentar de novo? Olha o sacrifício que fiz vindo de tão longe só para estar com vocês. Assumo a minha culpa em tudo isso. Fui egoísta, deixei a ambição profissional me cegar e acabei negligenciando o nosso casamento, abandonando você em s
— Tem razão, cara. Talvez eu tenha me confundido mesmo. — Yago suspirou, esfregando o rosto com as mãos antes de me encarar com seriedade. — Mas ainda assim, fica o aviso. Uma mulher com esse nível de imaturidade é problema na certa, não vale a dor de cabeça. Se ela aparecer por aqui tentando se explicar, não vai amolecer esse coração, ouviu? Esse assunto estava entalado na minha garganta há dias. Preferi ficar calado antes da cirurgia do seu pai para não te causar ainda mais estresse, mas agora sinto um alívio enorme em tirar esse peso das costas.Diante desse desabafo, abri um sorriso contido e dei dois tapinhas amistosos em seu ombro.— Obrigado pela preocupação, Yago. Assim que meu velho receber alta e estiver cem por cento recuperado, faço questão de te pagar um jantar daqueles para compensar.— Ah, deixa de cerimônia! — Ele abriu um sorriso largo e brincalhão. — O importante é você não esquecer de me convidar para beber na sua festa de casamento com a Bruna!— Eu e a Bruna? De on
— Ariana? É você mesmo? Que coincidência encontrar você aqui! — Disse Heitor, com o rosto tomado por uma aflição que parecia sincera. — Eu trouxe o Daniel para viajar um pouco, mas, nestes últimos dias, ele não tem passado bem. A cada dia ele piorava, então resolvi trazê-lo ao hospital hoje. Só que ele nem conseguiu chegar ao consultório e acabou desmaiando no caminho.Assim que terminou de falar, Heitor se inclinou às pressas e apertou Daniel com força, longe o bastante dos olhos de Ariana para que o gesto parecesse apenas uma tentativa de ampará-lo. Em voz baixa, rosnou:— A sua mãe está bem na sua frente. Vá lá, peça colo para ela.— Ah...Daniel, que já parecia prestes a perder a consciência de vez, reagiu à dor com um gemido sofrido. O susto o fez recobrar um pouco os sentidos.— Mamãe... É você, mamãe? — Murmurou ele, com a voz fraca e arrastada. — Estou me sentindo muito mal... estou tonto... com fome... Mamãe, senti tanta saudade de você.Reunindo o pouco de força que ainda tin
Mas aquela determinação logo deu lugar a um incômodo peso na consciência. Durante os cinco anos em que estiveram casados, Ariana jamais havia acompanhado Gustavo em uma única visita à sua cidade natal para ver os sogros. Diante de tamanha negligência, era quase certo que o ex-marido já estivesse profundamente decepcionado com ela no fundo do coração. — Me perdoa por tudo, Gustavo. Reconheço que fui muito imatura e egoísta no passado, mas desta vez eu juro que vou consertar as coisas e compensar todos os meus erros! — Murmurou Ariana, esboçando um sorriso autodepreciativo enquanto pisava mais fundo no acelerador do carro.O que ela nem imaginava era que, logo atrás dela, um veículo preto de aparência comum a seguia com uma insistência doentia pela rodovia. Ao volante, com os olhos fixos na estrada, estava ninguém menos que Heitor, que andava sumido há algum tempo. Depois do vexame absurdo que havia passado naquele bar, ele não teve outra escolha senão pegar Daniel e ir embora da casa d
Do outro lado da linha, o assistente foi pego de surpresa pelo tom desesperado da patroa, mas não fez perguntas desnecessárias. — Entendido, senhora Ariana. Vou cuidar disso neste exato momento! — Respondeu ele com presteza.A verdade amarga era que, naquela altura dos acontecimentos, o Grupo Freitas estava com um pé à beira do abismo da falência. A crise havia espantado boa parte do quadro de funcionários, e o próprio Eduardo já começava a procurar novas oportunidades no mercado de trabalho para garantir o seu sustento.— Certo. Vou fazer uma viagem de negócios a Santa Maria e devo ficar fora por alguns dias. Quero que você fique de olho em tudo na sede do grupo enquanto eu estiver longe. — Instruiu Ariana, tentando manter a pose de líder inabalável. — Ah, e sobre o pessoal que está pedindo demissão... não perca tempo tentando segurar ninguém. Quando o Grupo Freitas voltar a dominar o mercado, eles vão se arrepender de terem pulado do barco.Houve um silêncio pesado na ligação. Eduar
— Que história é essa de grande empresário? — Brinquei, rindo com suavidade enquanto continuava a massagear o tornozelo de Bruna, aliviado por ver que ela estava bem. — Até pouco tempo atrás, eu era bombeiro. Minha rotina era arriscar a pele todos os dias, resgatar pessoas e disputar vidas contra o relógio. Depois de tanto tempo na corporação, acabei aprendendo bastante sobre primeiros socorros. Essas técnicas de massagem, por exemplo, eu desenvolvi na marra, de tanto torcer o pé durante as ocorrências...Bruna ouviu tudo com atenção, balançando a cabeça em compreensão antes de soltar um suspiro leve. — Ah, entendi. Sendo assim, é bem melhor que você continue sendo um grande empresário mesmo. — Concluiu ela.— E por que diz isso? Acha que a vida de rico é melhor? — Perguntei, tentando manter uma conversa descontraída para distraí-la da dor.— Claro que não é pelo dinheiro! — Ela rebateu na mesma hora, sem sequer pensar duas vezes. — É que a vida de bombeiro é perigosa demais. Como emp