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Capítulo 3

Penulis: Lucky
Raiva e irritação passaram pelos olhos de Vincenzo.

Ele me encarou e falou calmamente:

— Divórcio? Nem pensar. Mesmo que eu não te ame mais, você sempre será a pessoa mais importante para mim. Não vou deixar você ir.

Ele me olhou nos olhos e pronunciou cada palavra lentamente.

— Elena, eu não fiz nada contra você. Se devo algo a alguém, é à Giuliana. Eu não pude dar a ela um título. Ela passou os melhores anos da vida ao meu lado sem um nome, sem um status.

— Eu ainda pretendia te dar alguma dignidade. Mas você é tão irracional que precisava fazer escândalo.

Ele se virou, ajoelhou-se e tirou do bolso um enorme anel de diamante.

Olhou para Giuliana com profundo afeto.

— Giuliana, a culpa é minha por ter te conhecido tarde demais.

— Nesta vida, não posso te dar um título legal, mas quero te dar o maior casamento possível. Quero que todos saibam que é você quem eu mais amo.

Giuliana cobriu a boca.

Seus olhos estavam vermelhos, mas ela virou o rosto e respondeu tristemente:

— Eu não posso aceitar!

— Eu te amo, então estou disposta a deixar meu orgulho de lado e ficar ao seu lado sem um título. Mas não quero que todos saibam que sou sua amante.

— A menos que...

Ela virou a cabeça e olhou para mim.

— A menos que a Donna oficie nosso casamento. Quero que ela admita diante de todos que quem não é amada é a amante.

Encarei a malícia nos olhos dela com uma expressão vazia.

Vincenzo percebeu meu silêncio, e sua voz ficou fria.

— Elena, não se esqueça: as cinzas dos seus pais estão enterradas naquele cemitério que eu comprei.

— Você não gostaria que elas acabassem como aquele apartamento, gostaria?

Meu coração pareceu ser cortado por uma lâmina.

Até respirar tinha gosto de sangue.

Assenti lentamente.

— Eu vou admitir diante de todos.

Giuliana começou a chorar de felicidade e se jogou nos braços de Vincenzo.

Ele a levou para escolher o vestido de noiva e reservar o local da cerimônia.

Ao sair, fez uma pausa.

Então explicou calmamente:

— Elena, é apenas um casamento. Isso não ameaça sua posição como Donna.

Não respondi.

Depois de um longo silêncio, Vincenzo voltou a falar:

— Você não precisa cuidar de Giuliana por um tempo. Cuide de si mesma. Considere isso uma compensação.

Eu apenas disse que tudo bem.

Ainda calma.

Vincenzo saiu satisfeito.

No dia do casamento, com medo de que eu causasse problemas, Vincenzo mandou os guarda-costas me levarem cedo para o camarim e me manterem sob vigilância.

Giuliana reclamava manhosamente que o vestido de noiva era pesado demais e que não conseguia calçar os sapatos.

— Donna, me ajuda, vai?

Vincenzo franziu a testa e, instintivamente, olhou para mim.

Baixei os olhos, me agachei, ergui a barra do vestido de noiva e a ajudei a calçar os sapatos.

Vincenzo me observou com uma expressão complicada.

Apertou os lábios como se quisesse dizer algo, mas Giuliana o empurrou levemente.

— Amor, estou com sede. Vai me buscar um copo de suco de laranja.

Vincenzo sorriu, bagunçou os cabelos dela e saiu.

Assim que ele deixou o cômodo, Giuliana me deu um chute no peito.

Ela me olhou com desprezo.

— Elena, você realmente acha que sou o tipo de mulher que gruda em homem rico?

— Você não sabe, mas eu também tenho um relacionamento com Vincenzo há dez anos.

Ao ver o choque nos meus olhos, ela sorriu cruelmente.

— Vincenzo dizia que eu era jovem demais e não deveria sofrer ao lado dele. Então ele apenas namorou comigo, mas se casou com você.

— Ele tinha tanto medo de me fazer sofrer que, quando ganhou o primeiro dinheiro, te disse que uma Família rival tinha roubado tudo. Mas, na verdade, usou o dinheiro para me comprar uma bolsa de grife. Sempre que eu ficava chateada, ele mandava pessoas fingirem que vinham cobrar dívidas na casa, fazia todo um teatro, e então me dava aquele dinheiro para me animar.

— Um total de um milhão e oitocentos mil dólares. Ah, e também um anel sem valor. Eu joguei fora.

Meu corpo inteiro começou a tremer.

Um milhão e oitocentos mil dólares.

Era o dinheiro que eu havia economizado ao longo dos anos administrando os negócios da Família de Vincenzo.

Na minha pior fase, desmaiei de exaustão nas docas e quase fui esmagada por um contêiner.

Quando Vincenzo descobriu, me abraçou e ficou repetindo que tinha errado, o corpo inteiro tremendo.

O mais ridículo...

Foi que eu afaguei suas costas e sorri, dizendo que estava tudo bem.

No fim, tudo era mentira.

Ele esteve me enganando o tempo todo.

Giuliana continuou falando sem parar.

Aquilo me puxou de volta à realidade.

— Depois você engravidou. Fiquei tão furiosa que não deixei ele encostar em mim. Então ele armou toda uma cena com um parceiro de negócios e fez você beber até perder o bebê.

— Você nem imagina. Enquanto você estava desacordada no pronto-socorro depois do aborto espontâneo, ele me ligou implorando para eu parar de ficar brava com ele.

Aquelas palavras atingiram minha cabeça como uma marreta.

Minha visão escureceu.

O rosto de Giuliana de repente se contorceu.

Ela me encarou com puro ressentimento.

— Mas mesmo me amando tanto, ele ainda se recusa a se divorciar de você e casar comigo.

— Você só está se aproveitando de todo o sofrimento que passou com Vincenzo para mantê-lo preso a você. Mas e daí? Ele não te ama o suficiente.

Então, de repente, ela sorriu.

— Você não quer saber? Se Vincenzo descobrir que você tentou machucar meu bebê, será que ele ainda vai se importar com aquele restinho de passado entre vocês?

Eu apenas queria fazê-la parar.

Então Giuliana pegou um vaso ao lado e o esmagou violentamente contra a própria barriga.

Depois gritou:

— Vincenzo! Me ajuda!

A porta do camarim foi arrombada.

Vincenzo segurou meu pulso e me lançou ao chão.

Os olhos dele estavam vermelhos de fúria enquanto observava Giuliana caída no chão, sangue se espalhando sob o vestido.

— Não fui eu...

Minhas palavras foram interrompidas pela mão enorme de Vincenzo apertando minha garganta.

Os olhos dele queimavam de ódio.

Ele rugiu:

— Elena! Você não conseguiu nem poupar uma criança! Você me dá nojo!

— Você fez Giuliana perder o bebê. Então não me culpe pelo que vou fazer com seus pais mortos.

Sob meu olhar aterrorizado e agonizante, ele deu a ordem:

— Desenterrem as urnas com as cinzas dos pais de Elena. Abram-nas e despejem tudo no esgoto.

— Não!

Eu gritei.

— Vincenzo Moretti! Você enlouqueceu! Existem câmeras no camarim! Vá verificar! Não fui eu!

Giuliana cambaleou até ficar de pé, virou-se e correu para a janela.

— Meu bebê se foi. Qual o sentido de viver? Melhor eu morrer.

— Pode me incriminar o quanto quiser, Donna.

Vincenzo entrou em pânico.

Ele me empurrou para o lado e correu para segurar Giuliana.

Com o rosto frio e severo, olhou para mim e falou lentamente:

— Elena, você acabou de destruir o último resquício de sentimento que eu tinha por você. Você feriu a mulher que amo e meu filho. Não vou deixar isso passar.

Ele disse friamente:

— Mandem-na para uma prisão federal. Avisem lá dentro para “cuidarem bem” dela.

— Não quero que ela tenha um único dia de paz lá.

Vincenzo avançou todos os sinais vermelhos e correu em alta velocidade até o hospital.

Carregou Giuliana até a emergência.

— Salvem ela! Salvem meu filho! Mantenham meu bebê vivo e eu doarei dez milhões de dólares para este hospital!

O médico responsável ficou assustado.

Ele encarou Vincenzo, imóvel.

— Don Moretti?

Franzindo a testa, olhou de Vincenzo para Giuliana, pálida e frágil na maca.

Confuso, perguntou:

— Seu filho? Don Moretti, o senhor tem baixa contagem de espermatozoides. Não pode ter filhos. De onde veio essa criança?

O rosto de Vincenzo escureceu instantaneamente.

Ele virou a cabeça bruscamente para o médico, a voz baixa e carregada de raiva.

— O que foi que você disse?

— Baixa contagem de espermatozoides? Você está procurando morrer?

O médico ficou apavorado e rapidamente explicou:

— Don, eu não estou mentindo. Foi isso que constava no seu relatório médico pré-nupcial daquela época!

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