Mag-log inExamino o último currículo enquanto Benson aguarda minha decisão, Kalina Westbrook, vinte e seis anos, formada em Administração de Empresas, com experiência profissional em organizações de pequeno porte.
— Suas referências destacam responsabilidade, pontualidade, facilidade para resolver problemas e capacidade de organização, mas não encontro experiência em grandes corporações nem qualificações internacionais que justifiquem sua candidatura. — Muito bem, Benson, mande a última candidata entrar, vamos terminar essa seleção, porque ainda tenho vários compromissos aguardando minha atenção. — Meu assessor deixa o escritório e retorna alguns minutos depois acompanhado por uma mulher de cabelos castanhos, longos e ondulados, que caem delicadamente sobre os ombros. — Ela possui olhos azuis, um rosto muito bonito e um corpo cheio de curvas, valorizado por uma calça de alfaiataria escura e uma blusa de botão. — Suas roupas são simples, mas estão limpas, bem cuidadas e adequadas a uma entrevista profissional. A mulher demonstra nervosismo quando se aproxima da cadeira, embora procure manter a postura correta e uma expressão educada. — Percebo que segura a alça da bolsa com certa firmeza, provavelmente tentando controlar a ansiedade, mas seus olhos acompanham meus movimentos enquanto examino o currículo. — Senhorita Kalina Westbrook, estou examinando suas informações profissionais e não consigo compreender por que acredita possuir as qualificações necessárias para trabalhar como minha assistente pessoal. — A senhorita trabalhou apenas em pequenas empresas, não possui experiência numa corporação do porte da Whitaker e não domina os idiomas exigidos para a função. —: As candidatas anteriores falavam três ou quatro idiomas, enquanto a senhorita fala inglês e conhece somente parte do espanhol. O que exatamente veio fazer aqui? A senhorita acredita que poderá acompanhar meu nível de pensamento e compreender os assuntos que discutimos diariamente nesta empresa? Kalina aperta discretamente as mãos sobre a bolsa, percebi que minhas palavras a deixaram desconfortável, mas ela respira profundamente, endireita os ombros e me encara diretamente. —'Seus olhos demonstram uma determinação que não havia percebido quando entrou no escritório. — Senhor Whitaker, reconheço que não possuo todas as qualificações que o senhor mencionou. — Meu inglês é perfeito, pois é minha língua materna, e meu espanhol ainda precisa melhorar. — Trabalhei em pequenas empresas porque sou mãe solo e precisava de horários que me permitissem cuidar da minha filha, mas isso não significa que eu não tenha capacidade para trabalhar numa grande corporação. Observo sua expressão enquanto ela continua, sua voz permanece educada, mas demonstra uma firmeza que desperta meu interesse. — Candidatei-me a este emprego porque acredito que possuo conhecimento, capacidade e potencial para exercer a função de sua assistente pessoal, independentemente de falar vários idiomas. — Sei que tenho muito a aprender, principalmente em relação às línguas estrangeiras, mas, com um salário melhor, poderei pagar cursos on-line e desenvolver essas habilidades. —: Quanto às demais exigências, acredito que tenho condições de acompanhar seu nível de pensamento. —:O senhor pode fazer as perguntas que considerar necessárias para avaliar minha competência. A resposta me surpreende, Kalina não tentou despertar minha compaixão mencionando a filha, tampouco utilizou sua condição de mãe solo como justificativa para receber tratamento especial. — Reconheceu suas limitações, explicou as circunstâncias que influenciaram suas escolhas profissionais e apresentou uma solução para aquilo que ainda precisa aprender. — Gostei da resposta, ela não se rebaixou, não tentou me agradar e também não demonstrou arrogância, vamos descobrir se realmente possui a capacidade que afirma ter. —:Fecho o currículo e me acomodo melhor na cadeira, decidido a avaliar seu raciocínio, Benson permanece numa das poltronas próximas à porta, acompanhando a entrevista em silêncio. — Muito bem, senhorita Westbrook, vamos começar com uma questão relacionada ao mercado financeiro. — Como a senhorita avalia a instabilidade política e econômica de determinados países da América Latina, principalmente aqueles em que mudanças frequentes nas políticas governamentais comprometem a segurança jurídica? —' Recomendaria que nossa corporação investisse nesses mercados? —'Kalina reflete durante alguns segundos antes de responder. Sua expressão permanece tranquila, e percebo que está organizando o raciocínio em vez de procurar uma explicação pronta para satisfazer minhas expectativas. — Senhor Whitaker, eu não descartaria todos os países de uma região por causa dos problemas enfrentados por alguns deles. — Cada mercado precisa ser analisado individualmente, considerando sua estabilidade institucional, sua política econômica, a segurança jurídica e as condições oferecidas aos investidores. — Entretanto, não recomendaria um investimento de grande porte num país onde as regras mudam constantemente e as empresas não conseguem planejar suas atividades com segurança. Acompanho sua explicação com atenção. Ela apresentou uma conclusão clara, mas quero descobrir se consegue fundamentá-la. — Continue, senhorita Westbrook, quero compreender os motivos dessa recomendação, a senhorita acredita que a instabilidade política possa comprometer diretamente o desempenho da bolsa de valores? — Sim senhor, acredito que a instabilidade política pode comprometer a confiança dos investidores e provocar oscilações importantes no mercado financeiro. — Quando um governo aumenta continuamente a carga tributária, dificulta a atividade empresarial e não oferece segurança para os investimentos, acaba prejudicando o desenvolvimento econômico. — Na minha opinião, uma política econômica responsável precisa considerar a arrecadação de impostos, mas também a capacidade de produção, a geração de empregos e o fortalecimento das empresas. — Um governo deveria procurar criar condições para que as empresas prosperem, em vez de tratar o aumento de impostos como solução para todos os problemas. Kalina mantém os olhos direcionados aos meus, demonstrando segurança enquanto desenvolve seu argumento. — Sua maneira de falar é clara, e percebo que possui uma compreensão mais ampla do assunto do que as candidatas anteriores. — A senhorita mencionou o equilíbrio institucional. Explique como isso poderia interferir numa decisão de investimento. — O Executivo, o Legislativo e o Judiciário precisam exercer suas funções com independência e respeito aos limites constitucionais. — Quando existe desequilíbrio entre os poderes, a insegurança afeta investidores, empresários e trabalhadores. — As empresas precisam confiar na aplicação das leis e na estabilidade dos contratos para realizar investimentos de longo prazo. Se um governo não oferece previsibilidade, os investidores podem procurar mercados mais seguros, provocando a saída de capitais e dificuldades econômicas.Recostei-me na cadeira e examinei outra fotografia que minha tia encaminha durante nossa conversa. Mérida aparece usando um vestido caro e exibindo o anel de noivado, aparentemente satisfeita com a posição que conquistou ao lado de Boris.— Talvez tenha sido isso mesmo, tia. Nosso relacionamento começou a se desgastar porque Mérida não se contentava com nada. Ela queria roupas caras, viagens, joias e uma vida cada vez mais luxuosa. O problema definitivo surgiu porque exigiu que eu comprasse uma cobertura para ela, e me recusei a realizar aquela compra.— Então você finalmente reconhece o tipo de mulher com quem se envolveu? Porque eu procurei avisá-lo várias vezes, Timothy, mas você nunca quis me ouvir. Agora veja com quem ela está noiva! Boris é mais rico do que você, e tenho certeza de que isso representou uma grande vantagem para Mérida.Observo novamente o rosto do empresário e começo a pensar numa possibilidade que me incomoda.— Será que os dois já estavam se relacionando antes
Essa é a única explicação que encontro para sua atitude. Kalina chegou ao escritório enquanto eu estava com Mérida, provavelmente escutou o que dissemos e descobriu que os documentos do divórcio já estavam preparados. — Não sei exatamente o que ouviu, mas sua decisão de assinar tudo sem conversar comigo demonstra que compreendeu a situação.— Volto a examinar o acordo e verifico as assinaturas mais uma vez, não esperava que a separação acontecesse dessa maneira, principalmente porque imaginei que precisaria explicar a Kalina que nosso casamento por contrato estava chegando ao fim. —Ela poderia chorar, tentar me convencer a continuar casado ou utilizar a gravidez para modificar nossas condições, mas resolveu tudo sozinha.Talvez tenha sido melhor assim, afinal Kalina conhecia o prazo estabelecido no contrato e sabia que, em algum momento, precisaríamos nos divorciar.— Se decidiu antecipar a assinatura, poupou-me uma conversa que certamente seria desagradável.— Pego minha caneta, a
### TIMOTHYQuando saio do quarto de conforto com Mérida, onde estávamos fazendo amor, ela ajeita suas roupas diante do espelho e verifica o horário no celular.— Nossa relação já dura bastante tempo, e estou cansado de precisar encontrá-la às escondidas dentro do meu próprio escritório.— Entretanto, agora que consegui cumprir as exigências dos meus pais para receber a herança, não existe mais motivo para prolongar meu casamento com Kalina. — A gravidez dela garantiu o que eu precisava para concluir meus negócios, e pretendo resolver a questão do divórcio ainda hoje.Mérida recolhe sua bolsa, aproxima-se da minha mesa e confere rapidamente a própria aparência no reflexo de uma das janelas.— Vou sair para almoçar, Timothy, e, quando voltar, trago seu almoço. Você passou a manhã inteira trabalhando e ainda não comeu nada. — Mas não se esqueça do que me prometeu, porque hoje você vai fazer Kalina assinar os documentos do divórcio, não é? Já esperamos tempo suficiente, e quero que f
Mamãe Dorothy interrompe o que está fazendo e me observa com atenção, percebendo que minha expressão mudou desde que cheguei.— O que aconteceu, minha filha? Grażyna está bem? A professora comentou alguma coisa sobre ela?— A professora disse que hoje ela participou das atividades, comeu bem e interagiu com os colegas, mas minha filha acabou de me contar uma coisa muito desagradável. Algumas crianças estão dizendo que ela não tem pai porque foi uma menina malvada e que Timothy foi embora por causa dela. Imagine, mamãe, uma criança de três anos ouvindo essas coisas e começando a acreditar que é responsável pelo abandono do próprio pai!Mamãe Dorothy demonstra indignação, e sua expressão se transforma enquanto explico o restante da conversa que tive com Grażyna dentro do carro. Conto que minha filha chegou a perguntar se havia feito alguma coisa errada e que aparentemente tentou procurar uma professora, mas não recebeu a atenção de que precisava.— Isso é um absurdo, minha filha! Uma cr
Agradeço pelas informações e aguardo enquanto a professora chama minha filha. Grażyna aparece carregando sua pequena mochila e se aproxima de mim com os braços estendidos. Abaixo-me para recebê-la, dou-lhe um beijo e ajeito delicadamente seus cabelos, satisfeita por finalmente tê-la comigo depois de um dia tão movimentado.— Minha princesinha, você gostou da escolinha hoje? A professora me contou que você comeu direitinho, fez todas as atividades e brincou com seus coleguinhas.Grażyna segura minha mão e responde com um sorriso discreto.— Sim mamãe, gostei. Hoje a gente brincou bastante, e eu fiz um desenho para a senhora.— Que maravilha, minha filha! Quero ver esse desenho quando chegarmos em casa. Agora vamos embora porque a vovó está preparando um jantar gostoso para nós, e ainda precisamos organizar suas coisinhas.Acompanho minha filha até o carro, acomodo-a cuidadosamente na cadeirinha e verifico se o cinto de segurança está ajustado corretamente. Depois de guardar sua mochila
Continuo guardando os mantimentos enquanto mamãe retoma os preparativos do jantar, a cozinha é pequena, por isso precisamos organizar nossos movimentos para não esbarrarmos uma na outra. — Estamos acostumadas com o espaço e conseguimos manter tudo em ordem, mas não posso evitar imaginar como será bom ter uma cozinha maior, onde possamos preparar as refeições sem disputar cada centímetro da bancada.— Mamãe Dorothy coloca uma panela sobre o fogão e muda discretamente de assunto.— Minha filha, Mildred, me telefonou hoje, você sabe o que aconteceu com Timothy?Interrompo por alguns segundos a organização das compras e olho para ela, surpresa por ouvir o nome do meu ex-marido depois de tanto tempo.— Não, mamãe, não sei, Timothy nunca procurou saber de mim nem da nossa filha, por isso também não tenho interesse em acompanhar a vida dele, o que aconteceu?— Mildred me contou que ele encontrou os papéis do divórcio depois que você foi embora e descobriu que já estavam assinados. — Pelo q







