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####CAPÍTULO 14

last update Fecha de publicación: 2026-11-05 23:02:14

Agradeço pelas informações e aguardo enquanto a professora chama minha filha. Grażyna aparece carregando sua pequena mochila e se aproxima de mim com os braços estendidos. Abaixo-me para recebê-la, dou-lhe um beijo e ajeito delicadamente seus cabelos, satisfeita por finalmente tê-la comigo depois de um dia tão movimentado.

— Minha princesinha, você gostou da escolinha hoje? A professora me contou que você comeu direitinho, fez todas as atividades e brincou com seus coleguinhas.

Grażyna segura minha mão e responde com um sorriso discreto.

— Sim mamãe, gostei. Hoje a gente brincou bastante, e eu fiz um desenho para a senhora.

— Que maravilha, minha filha! Quero ver esse desenho quando chegarmos em casa. Agora vamos embora porque a vovó está preparando um jantar gostoso para nós, e ainda precisamos organizar suas coisinhas.

Acompanho minha filha até o carro, acomodo-a cuidadosamente na cadeirinha e verifico se o cinto de segurança está ajustado corretamente. Depois de guardar sua mochila, ocupo o banco do motorista e começo a conversar com ela antes de sair do estacionamento.

— Minha filha, a mamãe tem uma novidade muito boa para contar. Consegui um emprego novo e vou começar a trabalhar amanhã. É uma empresa grande, e talvez você possa estudar numa nova escolinha, com outras professoras e novos coleguinhas. O que você acha? Gostaria de conhecer outra creche?

Grażyna parece refletir sobre minha pergunta, observando-me pelo espelho enquanto coloco o carro em movimento.

— Acho que sim, mamãe. Eu queria conhecer outra escolinha.

Sua resposta me surpreende, principalmente porque ela sempre demonstrou carinho por algumas professoras e costumava falar sobre as atividades realizadas durante o dia.

— Mas você não gosta dessa escolinha, minha filha? Pensei que estivesse feliz com seus coleguinhas e com as professoras.

Grażyna abaixa os olhos para as próprias mãos e demora alguns segundos antes de responder. Sua mudança de expressão desperta minha preocupação, pois percebo que existe alguma coisa que ainda não me contou.

— Eu gosto da minha professora, mamãe, mas tem outras professoras que não ligam muito para a gente. Também tem uns coleguinhas que ficam falando coisas feias para mim.

Procuro manter a voz tranquila, embora sinta uma preocupação imediata ao ouvir suas palavras.

— Que coisas feias são essas, minha filha? O que seus coleguinhas estão falando para você?

Minha pequena aperta as mãos sobre o colo e responde com uma tristeza que me deixa profundamente incomodada.

— Eles falam que eu não tenho papai, que meu pai foi embora porque eu fui muito malvada e que ele não quis ficar comigo. Às vezes, eles falam isso quando a gente está brincando, e eu não gosto, mamãe.

Durante alguns segundos, fico sem saber como reagir. Minha filha tem apenas três anos e já está ouvindo comentários cruéis sobre uma situação que não compreende e pela qual não possui responsabilidade alguma. Respiro profundamente, pois não quero demonstrar uma indignação que possa assustá-la ainda mais.

— Como é que é, minha filha? Eles dizem que seu pai foi embora porque você fez alguma coisa errada? Você contou isso para alguma professora?

— Eu falei uma vez, mamãe, mas disseram para eu ir brincar. Depois os meninos falaram de novo, e eu fiquei triste porque não sei o que fiz para meu papai não gostar de mim.

Meu coração se aperta ao ouvir essa pergunta. Timothy pode ter escolhido não participar da vida de Grażyna, mas não permitirei que minha filha cresça acreditando que foi rejeitada por alguma coisa que fez. Ela não tem culpa das escolhas do pai, e ninguém possui o direito de utilizar essa situação para humilhá-la.

— Escute uma coisa muito importante, minha filha. Você não fez nada de errado, absolutamente nada. A mamãe ama você, a vovó ama você, e sua chegada foi uma das maiores alegrias da nossa vida. Seu papai não está conosco por uma decisão dele, e isso não tem nenhuma relação com você ser uma menina boa ou má. Você é uma criança maravilhosa, e ninguém tem o direito de dizer essas coisas para machucar seu coração.

Grażyna acompanha minhas palavras com atenção, embora sua expressão continue triste.

— Então eu não fui malvada, mamãe?

— Claro que não, minha filha. Você não fez nada para que seu pai fosse embora. Às vezes, os adultos tomam decisões que as crianças não conseguem compreender, mas isso não significa que a culpa seja dos filhos. Quero que nunca se esqueça de que é muito amada pela mamãe e pela vovó.

Minha pequena parece um pouco mais tranquila, mas continuo preocupada com aquilo que acabou de me contar. Crianças dessa idade não costumam compreender sozinhas assuntos relacionados a divórcios e abandono familiar. É possível que estejam repetindo comentários que ouviram dos próprios pais, sem entender a gravidade das palavras que utilizam.

Não sei o que essas famílias conhecem sobre minha vida, mas ninguém tem o direito de transformar meu passado em motivo de humilhação para minha filha. Nunca procurei contar aos outros pais da creche os acontecimentos do meu casamento, tampouco considero necessário explicar minha situação familiar para satisfazer a curiosidade de pessoas que não participam da nossa vida.

— Minha filha, amanhã vou conversar com sua professora sobre isso, porque não quero que ninguém continue dizendo essas coisas. Entretanto, como a mamãe começará a trabalhar bem cedo, provavelmente será a vovó quem vai levar você à creche e depois buscá-la. Vou pedir que ela converse com a professora e descubra o que está acontecendo.

Grażyna observa a rua pela janela antes de voltar a falar comigo.

— A vovó vai me buscar amanhã, mamãe?

— Sim, minha filha. Vou deixar o carro com ela e ir de ônibus para o trabalho, porque ainda não sei como será minha rotina na empresa. A vovó levará você à escolinha e também irá buscá-la, mas vou procurar saber se meu novo emprego oferece alguma creche onde você possa estudar. Talvez seja mais perto, tenha novas professoras e você conheça outras crianças.

— Eu vou poder fazer novos amiguinhos, mamãe?

— Claro que vai, minha filha. Você poderá conhecer outras crianças, brincar e participar de atividades diferentes. Mas quero saber se gostaria de mudar de escolinha, porque sua opinião também é importante para mim.

Grażyna parece pensar durante alguns segundos antes de responder.

— Não sei, mamãe, mas acho que vou gostar. Só queria que ninguém falasse mais essas coisas para mim.

Sua resposta me faz compreender que preciso resolver o problema o mais rápido possível. Sempre admirei a facilidade com que as crianças conseguem se adaptar a novos ambientes e fazer amizades, mas não posso simplesmente presumir que uma mudança será suficiente para apagar o que minha filha está sentindo. Preciso ouvi-la, acompanhar suas reações e garantir que a próxima instituição ofereça um ambiente acolhedor e respeitoso.

Continuo dirigindo enquanto conversamos sobre o desenho que ela fez durante a tarde. Grażyna me conta quais cores utilizou e explica que desenhou nossa casa, a vovó e nós duas. Procuro acompanhar sua explicação com interesse, pois não quero que toda nossa conversa fique concentrada nos comentários desagradáveis dos colegas. Ela merece aproveitar o restante do dia e se sentir segura ao meu lado.

Chegamos à nossa kitnet pouco depois, e estaciono o carro antes de retirar Grażyna da cadeirinha. Minha filha segura sua mochila e entra comigo, cumprimentando a vovó, que continua ocupada com os preparativos do jantar. O cheiro da comida já se espalha pela pequena sala, e percebo que mamãe Dorothy preparou uma refeição caprichada para comemorar minha contratação.

— Minha princesinha, vá para o seu quarto e comece a tirar o uniforme, porque a mamãe vai lhe dar banho. Antes, preciso conversar um pouquinho com a vovó, mas já vou até lá para ajudar você.

— Tá bom, mamãe. Vou guardar minha mochila e esperar a senhora.

Acompanho Grażyna com o olhar até que entre no quarto e então me aproximo de mamãe Dorothy, procurando organizar meus pensamentos antes de contar o que descobri. Não quero que ela fique excessivamente preocupada, mas preciso de sua ajuda para resolver a situação.

— Mamãe, amanhã a senhora vai precisar levar Grażyna à creche e buscá-la depois. Vou deixar o carro com a senhora e ir de ônibus para o trabalho, porque preciso chegar à empresa às oito horas e ainda não sei como será meu horário de saída. Entretanto, existe uma coisa importante que preciso lhe contar sobre a escolinha.

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