بيت / Máfia / A Escolha do Don: Entre Sangue e Poder / Capítulo 2 - Alessandro (Parte 2)

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Capítulo 2 - Alessandro (Parte 2)

مؤلف: Sia Paiomas
last update تاريخ النشر: 2026-10-04 14:09:28

Voltei aos documentos, embora minha atenção já não estivesse inteiramente concentrada neles.

Os Bellini eram uma família tradicional, conhecida por seu patrimônio, suas empresas e sua influência nos círculos empresariais e políticos. O sobrenome tinha peso, e uma aliança com eles poderia ser vantajosa.

Ainda assim, havia algo naquela negociação que me incomodava.

Não conseguia apontar exatamente o quê.

Talvez fosse a rapidez com que tudo havia sido organizado. Talvez fosse o fato de os Bellini terem solicitado garantias adicionais em algumas cláusulas. Ou talvez fosse apenas minha desconfiança habitual.

Eu não havia chegado à posição que ocupava acreditando em boas intenções.

Na minha família, confiança era algo que se conquistava, não algo que se oferecia.

E, quando se tratava de acordos, eu preferia conhecer todos os riscos antes de assinar qualquer coisa.

Aos dez anos, meu pai já me levava para conhecer as empresas da família.

Eu acreditava que aqueles passeios eram uma forma de passar mais tempo com ele. Gostava de caminhar ao seu lado, fazer perguntas e observar como os funcionários se comportavam quando ele entrava em uma sala.

Aos treze, descobri que nem todos os negócios dos Moretti eram legais.

Aos dezesseis, conheci homens que minha mãe preferia que eu nunca tivesse encontrado.

Aos dezoito, entendi que o sobrenome que carregava não me oferecia apenas privilégios. Também me tornava responsável por pessoas, territórios e decisões que ultrapassavam qualquer limite que um jovem da minha idade deveria conhecer.

Meu pai nunca precisou me dizer que eu seria seu sucessor.

Era algo que todos sabiam.

E eu havia sido criado para isso.

Aprendi a negociar antes de compreender o verdadeiro valor do dinheiro. Aprendi a reconhecer ameaças antes de entender o significado de segurança. Aprendi que, em nosso mundo, uma demonstração de fraqueza poderia custar muito mais do que orgulho.

Quando meu pai morreu, não tive tempo para lamentar.

Os homens precisavam de um líder. Nossos inimigos precisavam entender que a família continuava forte. Minha mãe precisava saber que não perderia mais ninguém.

E Matteo precisava de um irmão que não desmoronasse.

Assumi o comando naquela mesma semana.

Não foi uma decisão que tomei por ambição. Foi uma obrigação que aceitei porque não havia outra pessoa preparada para ocupar aquele lugar.

Nos anos seguintes, reorganizei os negócios, fortalecei alianças, encerrei conflitos e eliminei ameaças.

Algumas decisões foram necessárias.

Outras ainda me acompanham durante a madrugada.

Mas aprendi que não existe espaço para arrependimentos quando se está no comando. Existe apenas a responsabilidade pelas consequências.

E eu sempre fui responsável pelas minhas.

*

Às oito da noite, cheguei à residência da minha mãe.

Caterina Moretti estava na sala de jantar, acompanhada de uma taça de vinho e de um livro que parecia ter sido deixado de lado havia algum tempo.

— Está atrasado — comentou, sem erguer os olhos.

Retirei o relógio do pulso e o coloquei sobre a mesa.

— Dois minutos.

Ela finalmente me encarou.

— Parece ser uma doença familiar.

Quase sorri.

— Matteo também chegou atrasado?

— Matteo não chegou.

Sentei-me à mesa.

— Onde ele está?

— Não sei. Não sou responsável pela agenda do seu irmão.

— Alguém deveria ser.

— Você já tem responsabilidades suficientes, Alessandro.

Ela disse aquilo enquanto servia o vinho, mas percebi que seu olhar permanecia atento ao meu rosto.

Minha mãe tinha uma capacidade irritante de perceber quando alguma coisa me incomodava. Talvez porque me conhecesse melhor do que qualquer outra pessoa.

— Soube que o acordo foi concluído — comentou.

— Sim.

— O casamento acontecerá em três meses?

— É o que está previsto.

Ela assentiu, pensativa.

— E você concorda?

— Não vejo motivo para impedir.

— Não foi o que perguntei.

Apoiei os braços sobre a mesa.

— O acordo é vantajoso para a família. Matteo aceitou. Não tenho mais nada a acrescentar.

Caterina me observou por alguns instantes.

— Você sempre foi muito bom em separar o que sente daquilo que precisa fazer.

— É uma habilidade necessária.

— Nem sempre.

Ignorei o comentário e peguei minha taça.

— Você conhece os Bellini há bastante tempo. Existe alguma coisa que eu deveria saber?

O semblante dela mudou discretamente.

— Por que pergunta?

— Porque quero entender por que estão com tanta pressa.

Minha mãe apoiou a taça na mesa.

— Não sei o que está acontecendo dentro daquela família, mas tenho a impressão de que Vittorio está tentando resolver alguma coisa.

— Alguma coisa relacionada aos negócios?

— Provavelmente.

— Tem provas?

— Não.

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