تسجيل الدخولRecostei-me na cadeira.
— Então, por enquanto, temos apenas uma suspeita. — Suspeitas também merecem atenção, meu filho. — Eu sei. Ela permaneceu em silêncio por um momento. — Seu pai também desconfiava dos Bellini. Meu olhar se fixou nela. — Quando? — Alguns meses antes de morrer. Senti os músculos do maxilar se contraírem. — Por que nunca me contou? — Porque ele não tinha encontrado nada concreto. E, depois que morreu, havia muitas outras coisas com as quais precisávamos lidar. — O que exatamente ele suspeitava? Caterina balançou a cabeça. — Não sei. Ele não chegou a me explicar. Levantei-me e caminhei até a janela. Durante anos, procurei qualquer informação que pudesse me levar ao homem responsável pela morte do meu pai. Cada detalhe daquela noite havia sido revisado inúmeras vezes. Cada pessoa que estivera próxima dele havia sido investigada. Nunca encontrei uma ligação concreta com os Bellini. Mas agora havia uma nova informação. Meu pai desconfiava deles. E eu não pretendia ignorá-la. — Vou pedir que Riccardo investigue — falei. — Faça isso com cuidado. Virei-me para ela. — Sempre faço. Minha mãe soltou um suspiro. — Você diz isso como se fosse uma garantia. Não respondi. Porque não era. * Quando voltei ao escritório, encontrei uma mensagem de Riccardo. A primeira análise dos documentos não apontou irregularidades graves. Ainda estou verificando as empresas e os ativos dos Bellini. Respondi: Continue. Quero os registros dos últimos cinco anos, incluindo as movimentações das empresas que não fazem parte do acordo. Poucos segundos depois, ele respondeu: Vou cuidar disso. Deixei o telefone sobre a mesa e me aproximei da janela. A cidade estava iluminada. Lá embaixo, os carros atravessavam as avenidas, as pessoas ocupavam os restaurantes e os bares, e a vida seguia para todos aqueles que tinham a sorte de não precisar pensar em guerras familiares. Eu tinha uma reunião na manhã seguinte, uma negociação pendente e um conflito territorial que precisava ser resolvido antes do fim da semana. Além disso, havia uma investigação que se arrastava havia nove anos. E agora, aparentemente, os Bellini também exigiam minha atenção. Voltei para a mesa, abri a gaveta inferior e retirei uma fotografia antiga. Meu pai estava nela, sentado em uma poltrona de couro, com uma das mãos apoiada no ombro de Matteo e a outra no meu. Eu tinha vinte e poucos anos. Matteo era mais jovem, com um sorriso aberto que raramente aparecia em seu rosto atualmente. Meu pai parecia satisfeito. Por alguns segundos, fiquei olhando para aquela imagem. Então a guardei novamente. Havia coisas que eu não podia mudar. A morte do meu pai era uma delas. Mas descobrir quem havia ordenado seu assassinato ainda estava ao meu alcance. E eu não pretendia abandonar aquela busca. Peguei o telefone e liguei para Riccardo. — Quero que você priorize a investigação dos Bellini. — Alguma coisa aconteceu? — Meu pai tinha suspeitas sobre aquela família antes de morrer. Houve uma pausa do outro lado da linha. — Isso muda as coisas. — Muda. — Vou começar pelos registros antigos e pelos contatos que ele mantinha. — E mantenha essa investigação restrita a nós dois. — Entendido. Encerrei a ligação e fiquei alguns instantes em silêncio. Não sabia se as suspeitas do meu pai tinham alguma relação com sua morte. Não sabia se os Bellini estavam envolvidos em alguma coisa ou se aquela era apenas mais uma pista sem fundamento. Mas não pretendia deixar perguntas sem resposta. Na minha família, os segredos raramente permaneciam enterrados para sempre. E eu estava disposto a desenterrar todos eles.Escutei em silêncio, cada detalhe reforçando a impressão de que minha presença naquela mesa era apenas uma formalidade.Quando o café chegou, ele tomou um gole e voltou a me olhar.— Minha família espera conhecê-la melhor.— Já nos conhecemos.— Não dessa maneira. Minha mãe gostaria de recebê-la para jantar. Podemos organizar algo ainda esta semana.— Vou verificar minha agenda.— Valentina.O modo como pronunciou meu nome me fez erguer os olhos.— Não precisa transformar tudo em uma negociação.Quase sorri diante da ironia.— Foi você quem me chamou para conversar sobre um casamento negociado.Matteo não achou graça.— Quero que isso funcione.— Então comece me tratando como alguém que tem o direito de escolher.Ele permaneceu em silêncio, e aproveitei para me levantar.— Preciso ir.Matteo também se levantou.— Espero que tenha entendido o que conversamos.Peguei minha bolsa e ajeitei o vestido.— Entendi perfeitamente.— E?Olhei diretamente para ele.— Ainda não concordei em me ca
Matteo me observou por alguns segundos.— Podemos construir uma relação depois do casamento.— E até lá?— Até lá, precisamos fazer o que é necessário.Desviei o olhar para a janela. Do lado de fora, algumas pessoas atravessavam a rua, apressadas para chegar a seus destinos. Por um momento, invejei a simplicidade daquela rotina.— Eu não aceitei me casar com você — falei.A expressão de Matteo mudou.— Seu pai me garantiu que você compreendia a importância do acordo.— Compreender não é aceitar.Ele apoiou as mãos na mesa, aproximando-se um pouco.— Valentina, não estou aqui para discutir a origem das palavras.— Então seja claro.— O casamento acontecerá dentro de três meses. As famílias já começaram a organizar tudo.Senti meu peito apertar.— Sem a minha confirmação?— Seu pai está cuidando dos preparativos.— Meu pai não vai subir ao altar no meu lugar.Matteo respirou fundo, claramente perdendo a paciência.— Você está tornando tudo mais difícil do que precisa ser.— E você está
O relógio sobre a mesa marcava pouco mais de seis da tarde quando meu celular vibrou.Matteo Moretti.Fiquei alguns segundos encarando o nome na tela antes de atender.— Matteo.— Valentina. Precisamos conversar.A voz dele era firme, sem qualquer vestígio de cordialidade.— Meu pai disse que você gostaria de falar comigo.— Prefiro que seja pessoalmente.Olhei pela janela do meu escritório. O céu começava a adquirir tons alaranjados, e o movimento dos carros se acumulava nas ruas.— Sobre o quê?— Sobre o nosso casamento.A palavra provocou uma sensação desagradável no meu estômago.— Estou ocupada.— Não vai demorar.Fechei os olhos por um instante, respirando fundo.— Onde?— Estou no restaurante do hotel Bellini. Podemos conversar aqui.A escolha do lugar não me passou despercebida. Um dos nossos hotéis, um ambiente onde eu conhecia os funcionários e onde Matteo, teoricamente, não teria qualquer vantagem sobre mim.— Estarei aí em vinte minutos.Encerrei a ligação antes que ele pu
Por alguns segundos, não respondi. A confiança não era algo que eu distribuía para aliviar o orgulho de alguém. Era construída, testada e, quando necessário, retirada.— Não confundo confiança com negligência — falei. — E não vou deixar de proteger esta família porque você se sente ofendido.— Esta família também é minha.— Nunca disse o contrário.Matteo apertou os lábios, como se procurasse uma resposta que pudesse me atingir. Quando finalmente falou, sua voz estava mais baixa.— Você sempre precisa ter a última palavra.— Quando a conversa envolve a segurança dos Moretti, sim.Ele soltou uma risada amarga e pegou o paletó que havia deixado sobre a poltrona.— Um dia, Alessandro, você vai perceber que não pode controlar tudo.— Nunca precisei controlar tudo. Apenas o que pode nos destruir.Matteo parou junto à porta.— Não se preocupe com os Bellini. Cuide dos seus próprios assuntos.— É exatamente o que estou fazendo.Ele saiu, fechando a porta com força suficiente para deixar clar
O silêncio no escritório era interrompido apenas pelo movimento das páginas que Riccardo folheava diante de mim.Havia documentos espalhados sobre a mesa, relatórios financeiros, registros de empresas e uma pasta com informações preliminares sobre os Bellini. Nada que justificasse, por enquanto, a preocupação que minha mãe havia demonstrado.Mas eu aprendera há muito tempo que as famílias não escondiam informações sem um motivo.— Os negócios dos Bellini parecem sólidos — Riccardo comentou, fechando uma das pastas. — Pelo menos, aqueles que estão à vista.Ergui os olhos.— E os que não estão?— Ainda estamos verificando. Existem movimentações que não fazem muito sentido, mas preciso de mais tempo antes de afirmar qualquer coisa.Recostei-me na cadeira, observando-o.— Continue procurando.Riccardo assentiu e empurrou outra pasta na minha direção.— Há mais uma coisa. Matteo pediu para falar com você.Soltei uma respiração curta.— Ele sabe onde me encontrar.— Disse que é importante.
Aquele silêncio começou a me incomodar de verdade.— Pai, o que está acontecendo?Ele voltou para a mesa.— Nada que você precise resolver.— Eu sou a herdeira desta família. Se existe alguma coisa que ameaça os Bellini, eu preciso saber.— Você saberá o que for necessário.Apertei os lábios.Eu odiava aquela resposta.Era a mesma que recebia quando era adolescente e fazia perguntas sobre os negócios da família que meu pai não queria explicar.A diferença era que, naquela época, eu ainda acreditava que ele sempre sabia o que estava fazendo.— Quando vou conhecer os termos definitivos do acordo? — perguntei.— Matteo virá jantar conosco no próximo fim de semana. Vocês terão oportunidade de conversar.— Que gentil da parte dele.Meu pai ignorou o sarcasmo.— Espero que seja cordial.— Sou sempre cordial.Ele ergueu uma sobrancelha.— Valentina.— O quê? Eu sou.— Não confunda sinceridade com falta de educação.Sorri.— Nunca confundo.Levantei-me.— Posso voltar ao trabalho?Vittorio as







