LOGINPor alguns segundos, observou a chuva que ainda caía sobre os jardins.— Alessandro, não quero que a busca por respostas consuma tudo o que você tem.— Não vai acontecer.Ela se virou para mim.— Você diz isso como se pudesse ordenar.Soltei uma respiração curta.— Não posso ignorar o que aconteceu com meu pai.— Não estou pedindo que ignore. Só não quero que transforme cada pessoa em suspeita.Pensei em Matteo, nos documentos antigos e nas informações que ainda não tínhamos conseguido encontrar.— Preciso saber quem o matou.Minha mãe baixou os olhos.— Eu também.A sinceridade em sua voz foi mais difícil de enfrentar do que qualquer advertência.Ela se aproximou e tocou meu ombro.— Seu pai acreditava que a família precisava permanecer unida, mesmo quando havia discordâncias. Não deixe que as suspeitas destruam o que ele tentou proteger.Assenti, sem prometer algo que não sabia se conseguiria cumprir.Caterina voltou à poltrona e pegou o livro. A conversa havia terminado, mas as per
A morte do meu pai continuava sendo uma ferida aberta, mesmo depois de tantos anos. Eu me lembrava do funeral, dos rostos que se aproximaram para oferecer condolências e dos homens que, naquela mesma semana, tentaram testar os limites de um jovem que ainda estava aprendendo a comandar.Havia assumido a liderança aos vinte e cinco anos, antes de estar preparado para lidar com tudo o que vinha junto. Não tivera o luxo de sofrer em paz. A organização precisava de um Don, e eu me tornei um.Mas jamais aceitei que a morte dele permanecesse sem resposta.— Quero que rastreie essas empresas — falei. — Descubra quem as administrava, quem movimentava o dinheiro e por que meu pai assinou esse documento.— Vou precisar de acesso aos arquivos externos.— Terá.Nicolas guardou uma cópia dos registros.— Alessandro, existe uma possibilidade que precisamos considerar.— Qual?— O acordo com os Bellini pode ter relação com esses documentos, mas também pode ser apenas uma coincidência. Não podemos ass
Meu irmão soltou uma respiração irritada, mas não insistiu.— Os Bellini estão incomodados com as suas perguntas.— Deveriam estar, se têm algo a esconder.— Não têm nada a esconder.— Então não terão problemas em responder.Matteo passou a mão pelo rosto.— Você está tornando essa aliança muito mais complicada do que deveria ser.— Já discutimos isso.— E continuo sem entender por que você não pode simplesmente confiar em mim.— Porque você está me pedindo confiança sem me dar informações.Ele se levantou e caminhou até a janela. A chuva escorria pelo vidro, distorcendo as luzes da cidade.— O casamento está praticamente organizado. As famílias estão de acordo. O que mais você quer?— Saber o que estamos assinando.— Você não precisa assinar nada.— Meu sobrenome estará nessa aliança. Isso me diz respeito.Matteo virou-se.— Nem tudo gira em torno de você, Alessandro.A frase teria sido engraçada se não revelasse tanto sobre o que ele realmente pensava.— Nunca disse que girava.— En
A chuva começou pouco antes das oito da noite, transformando as janelas do escritório em espelhos escuros.Eu estava sentado atrás da minha mesa, com uma pasta aberta diante de mim e uma xícara de café que já havia esfriado. Havia passado as últimas duas horas analisando os documentos que Riccardo reunira sobre os Bellini. Quanto mais lia, menos satisfeito ficava.A família era conhecida pela solidez dos negócios, pela influência e pela habilidade de manter uma imagem impecável diante da sociedade. Hotéis, construtoras, investimentos e propriedades espalhadas por diferentes regiões da Itália. Um império construído ao longo de gerações.Ainda assim, alguns números não combinavam.Uma empresa que apresentava lucros consistentes havia reduzido discretamente seus investimentos. Outra, aparentemente independente, vinha recebendo quantias significativas por meio de intermediários. Não era prova de irregularidade, mas era suficiente para despertar minha atenção.Fechei a pasta quando ouvi du
Escutei em silêncio, cada detalhe reforçando a impressão de que minha presença naquela mesa era apenas uma formalidade.Quando o café chegou, ele tomou um gole e voltou a me olhar.— Minha família espera conhecê-la melhor.— Já nos conhecemos.— Não dessa maneira. Minha mãe gostaria de recebê-la para jantar. Podemos organizar algo ainda esta semana.— Vou verificar minha agenda.— Valentina.O modo como pronunciou meu nome me fez erguer os olhos.— Não precisa transformar tudo em uma negociação.Quase sorri diante da ironia.— Foi você quem me chamou para conversar sobre um casamento negociado.Matteo não achou graça.— Quero que isso funcione.— Então comece me tratando como alguém que tem o direito de escolher.Ele permaneceu em silêncio, e aproveitei para me levantar.— Preciso ir.Matteo também se levantou.— Espero que tenha entendido o que conversamos.Peguei minha bolsa e ajeitei o vestido.— Entendi perfeitamente.— E?Olhei diretamente para ele.— Ainda não concordei em me ca
Matteo me observou por alguns segundos.— Podemos construir uma relação depois do casamento.— E até lá?— Até lá, precisamos fazer o que é necessário.Desviei o olhar para a janela. Do lado de fora, algumas pessoas atravessavam a rua, apressadas para chegar a seus destinos. Por um momento, invejei a simplicidade daquela rotina.— Eu não aceitei me casar com você — falei.A expressão de Matteo mudou.— Seu pai me garantiu que você compreendia a importância do acordo.— Compreender não é aceitar.Ele apoiou as mãos na mesa, aproximando-se um pouco.— Valentina, não estou aqui para discutir a origem das palavras.— Então seja claro.— O casamento acontecerá dentro de três meses. As famílias já começaram a organizar tudo.Senti meu peito apertar.— Sem a minha confirmação?— Seu pai está cuidando dos preparativos.— Meu pai não vai subir ao altar no meu lugar.Matteo respirou fundo, claramente perdendo a paciência.— Você está tornando tudo mais difícil do que precisa ser.— E você está







