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Capítulo 3

Author: Guardião do Sol
Corri para fora de casa e me lancei num banco na rua, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Não demorou para eu ouvir passos apressados e sentir um cheiro familiar se aproximando. Era o Ulric.

Com a mão grande e quente, ele acariciou minha bochecha, enxugando as lágrimas.

— Não fique triste, Isobel.

No passado, sempre que Maeve armava contra mim e meus pais me atacavam sem ouvir meu lado, eu fugia e desabava em lágrimas sozinha. Naquela época, Ulric era sempre o primeiro a me procurar. Ele enxugava minhas lágrimas e me acolhia em seus braços.

Certa vez, ele me prometeu, com toda a seriedade:

— Não tenha medo. Vou estar ao seu lado para sempre e terei apenas olhos para você.

E, ainda assim, ali estávamos nós.

Fixei o olhar em Ulric, sem conseguir entender por que até ele mudou.

— Como você pôde fazer isso comigo? — Cobrei, com a voz embargada pelos soluços.

— Por que tem que dividir com outra o amor que deveria ser só meu?

Surpreso, Ulric se agachou para ficar na minha altura e tentou me acalmar, suavizando a voz:

— Não pense demais nisso. Você é quem eu mais amo. Só cuido um pouco mais de Maeve porque ela é sua irmã.

Já mais calma, soltei uma risada sarcástica.

— É só isso mesmo?

Ulric desviou o olhar, visivelmente culpado.

— Maeve gosta de mim. Os sentimentos dela são tão sinceros que eu não tive coragem de decepcioná-la ou magoá-la. Ela disse que a cerimônia era só uma forma de colocar um ponto final no amor que sentia por mim, então concordei.

Seu tom era cheio de certeza quando acrescentou:

— Não se preocupe. Você é minha única companheira.

— Você se preocupa tanto em não magoá-la, mas e quanto ao que eu estou sentindo? — Falei, sem acreditar no absurdo daquela explicação.

Ulric se calou. Arregacei a manga e mostrei os ferimentos profundos no braço, onde a prata queimou minha carne até o osso.

Ele puxou o ar com força, os olhos revelando choque e sofrimento.

— Quem fez isso com você? Me diga. Vou fazer essa pessoa pagar!

Sustentei seu olhar sem piscar.

— Ontem, desmaiei depois de beber o copo de leite que minha mãe me trouxe. Maeve me trancou no porão com um cadeado de prata. Me machuquei assim tentando escapar.

A expressão de Ulric congelou. Em seu rosto, a resignação se misturava a uma raiva crescente.

— Isobel, eu sei que você está chateada com o que aconteceu ontem. Mas isso não é motivo para pintar Maeve como uma vilã! Ela teve uma infância difícil nas ruas, é frágil e nunca faria uma coisa dessas!

Sorri de tanta raiva, mas, antes que pudesse dizer alguma coisa, o celular dele tocou. Assim que ele atendeu, ouvi a voz estridente e apavorada de Ivy:

— Ulric, venha depressa! Maeve vai se jogar no rio para se matar! Ela está chorando, se culpando por atrapalhar sua relação com Isobel. Quer pagar com a própria vida para compensar o que fez!

Ulric empalideceu e se levantou num salto, me lançando um olhar aflito.

— Isobel, eu...

— Pode ir. — Interrompi, indiferente.

Ele hesitou por um segundo, surpreso com a rapidez com que concordei, e tentou se justificar para disfarçar a culpa:

— É uma vida que está em jogo. Não posso simplesmente virar as costas.

— Você acha mesmo que ela vai morrer? — Insisti.

— Você sabe como ela sempre foi boa em armar contra mim. Acha que uma loba egoísta como ela colocaria a própria vida em risco?

Ulric franziu a testa e respondeu num tom de reprovação:

— Ela é sua irmã. Além disso, depois de conhecê-la melhor, percebi que é doce e inocente. Ela não é tão má quanto você diz. Acho que você pode estar enganada sobre ela.

Do outro lado da linha, Ivy o apressou, histérica:

— Por que está demorando tanto? Maeve está prestes a se jogar! Esqueça aquela loba sem coração! Por mim, ela que apodreça!

Ulric fechou os olhos, angustiado. Então endureceu o coração e deu um passo para trás.

— Preciso ir. Quando voltar, vamos conversar direito sobre isso.

— Não se dê ao trabalho pois não existe mais nada entre nós. Não vou me unir a você. — Respondi, com o rosto impassível e num tom de seriedade.

Os olhos de Ulric ficaram vermelhos.

— Não diga coisas da boca para fora só porque está com raiva. Prometo que volto logo!

Não respondi. Ulric deu meia-volta e disparou na direção do rio, sem olhar para trás.

Fiquei olhando enquanto ele se afastava. Então fechei os olhos, e uma lágrima escorreu.

Aquela seria a última lágrima que eu derramaria por ele.

Ergui o braço e limpei o rastro da lágrima no rosto. Quando abri os olhos de novo, só restava uma frieza inabalável.
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