Share

Capítulo 9

Author: Serein M
Ponto de Vista de Aria

Olhei friamente para o homem que soluçava como um louco aos meus pés.

As lágrimas dele misturavam-se ao sangue, manchando o meu vestido branco de alta costura.

Mas eu apenas recuei um passo, com nojo. Soltei o tecido do aperto ensanguentado das suas mãos.

— Aria... — As mãos de Killian pararam no ar. Olhou para o gelo no meu olhar, sem acreditar.

— Não me toque com essas mãos sujas de sangue e mentiras — falei, olhando para baixo, com voz neutra.

— Durante três anos, fez
Continue to read this book for free
Scan code to download App
Locked Chapter

Latest chapter

  • A Falsa Pobreza do Don   Capítulo 9

    Ponto de Vista de AriaOlhei friamente para o homem que soluçava como um louco aos meus pés.As lágrimas dele misturavam-se ao sangue, manchando o meu vestido branco de alta costura.Mas eu apenas recuei um passo, com nojo. Soltei o tecido do aperto ensanguentado das suas mãos.— Aria... — As mãos de Killian pararam no ar. Olhou para o gelo no meu olhar, sem acreditar.— Não me toque com essas mãos sujas de sangue e mentiras — falei, olhando para baixo, com voz neutra.— Durante três anos, fez de mim uma palhaça, contando cada centavo para você naquele apartamento miserável. Enquanto isso, ficava em hotéis de luxo, pisoteando o meu amor e o meu orgulho sob os seus sapatos.— Você sempre dizia que estava me protegendo. Mas foi você quem quase me matou naquela nevasca.Killian estremeceu violentamente, negando com a cabeça em desespero. — Não... eu não sabia que era mentira... Aria, me dê uma chance de consertar...— Consertar? — Sorri com desprezo, cortando-o impiedosamente.— Você dev

  • A Falsa Pobreza do Don   Capítulo 8

    Ponto de Vista de AriaO meu jantar de despedida num restaurante no terraço de Manhattan.Tomei um pouco de champanhe e senti o ar um pouco abafado, por isso abri as portas de vidro e saí para a varanda em busca de ar fresco.Um instante depois, um grito agudo e insano cortou o céu noturno.— Aria — vá pro inferno!Virei a cabeça de um solavanco.Uma figura cambaleou das sombras, atrás de uma palmeira decorativa. Uma mulher de cabelos desgrenhados e o olhar perdido de um fantasma.Era a Chloe.Já não tinha vestidos de alta costura nem joias de milhões. Usava um casaco de trincheira sujo e rasgado.Durante três anos, Killian enlouqueceu de vez me procurando. Retirou todos os privilégios da família dela, cortou os seus cartões e expulsou-a da propriedade de Long Island como se fosse um cachorro de rua.O rosto dela estava contorcido de raiva. Os olhos saltavam da cara. Segurava uma faca de churrasco afiada, roubada do restaurante.— É tudo culpa sua! Sua vagabunda!Gritou descontroladam

  • A Falsa Pobreza do Don   Capítulo 7

    Ponto de Vista de AriaDepois de dizer isso, virei-me sem olhar para trás.— Segurem-na!O grito dilacerante de Killian ecoou atrás de mim.A sua voz estava cheia de uma loucura e uma obsessão totalmente descontroladas.O som seco e sincronizado de armas sendo engatadas irrompeu pelo amplo corredor.Uma dezena de guardas armados de terno preto surgiu das sombras, bloqueando-me a passagem por completo.Aquele era ele. O Don da Máfia que comandava o submundo de Nova York.Se não pudesse ter por bem, tomaria à força.Parei e virei-me lentamente.Killian cambaleou para fora daquele apartamento falso e mofado.Os seus olhos estavam vermelhos de sangue. Fitou-me como uma fera enfurecida.— Aria, não posso deixar você ir — ofegou, com a voz rouca e desesperada. — É muito perigoso lá fora. Você só está segura comigo! Transformarei toda esta propriedade no seu castelo particular. Darei a minha vida por você!— Dar a sua vida? — Olhei para ele e ri friamente.Levei a mão ao rosto e, com uma cal

  • A Falsa Pobreza do Don   Capítulo 6

    Ponto de Vista de AriaOs seguranças não ousaram tocar no temido e implacável Don. Deixaram-no bloquear a porta traseira VIP.— Aria, por favor! — Os olhos dele estavam vermelhos de tanto chorar. A voz tremia descontroladamente. — Mesmo que me condene à morte, me dê ao menos uma chance de explicar. Venha ver a minha propriedade. Apenas um olhar.Eu nem sequer olhei para ele. Caminhei direto para a van da minha equipe.— Eu ainda tenho o seu velho caderno verde-escuro! — Berrou de repente. — Tem todos os seus primeiros rascunhos! Não o quer de volta?Os meus passos pararam.Aquele caderno guardava a alma das minhas primeiras criações.Saí tão desesperada três anos atrás que não tive tempo de levá-lo comigo.Virei o rosto, com o olhar gélido.— Mande o endereço — disse friamente. — Só vou buscar minhas coisas. E fique longe do meu carro.Uma hora depois, o meu carro parou diante da Propriedade Moretti.Três anos atrás, os guardas armados dele me expulsaram daqueles portões de ferro como

  • A Falsa Pobreza do Don   Capítulo 5

    Ponto de Vista de AriaQuando o ônibus Greyhound me deixou em Los Angeles, eu tinha apenas trinta dólares no bolso.Não havia tempo para chorar. Nem energia para olhar para trás, para aquela nevasca de Nova York.Eu precisava sobreviver.Montei uma barraca na Praia de Veneza. Usei fios de cobre baratos e cacos de vidro comprados por quilo no mercado de pulgas.Durante aqueles três anos no apartamento miserável, para economizar dinheiro para o Killian, eu transformava sucata barata em joias.Eu sabia exatamente como fazer o lixo brilhar. Assim como tentei fazer aquele casamento barato brilhar.Minha barraca fez um sucesso enorme.A vida crua e a luta pura nos meus desenhos chamaram a atenção de um homem de cabelos brancos e óculos escuros.O Senhor Arthur. O mais misterioso e recluso magnata das joias da Costa Oeste.Ele ficou parado na minha barraca analisando o meu trabalho por dez minutos inteiros.Depois, me entregou um cartão de visitas com letras douradas. — O seu trabalho tem os

  • A Falsa Pobreza do Don   Capítulo 4

    Ponto de Vista de KillianA luz da sala de cirurgia permaneceu vermelha por três dias seguidos.O irmão dela levou um tiro para me salvar. Eu devia uma vida à família Costello.Aquela maldita dívida me prendia como uma âncora do lado de fora da porta.Puxei o meu terno e olhei o relógio de novo.Três dias.Não havia aquecimento no Brooklyn. A nevasca estava brutal. Aria estava sozinha naquele apartamento miserável. Ela iria passar frio.Finalmente, as portas da sala de cirurgia se abriram.As enfermeiras empurraram a maca com Chloe, a cabeça dela enrolada em ataduras grossas.O cirurgião chefe acenou brevemente, nervoso. — Senhor Moretti, a cirurgia foi um sucesso.Suspirei profundamente e me virei para sair.— Kil…Chloe esforçou-se para estender a mão. Agarrou a manga do meu terno sob medida.Respirava com dificuldade, mas um brilho de pura maldade passou pelos seus olhos.— Kil, você ficou três dias comigo. Não ouse voltar para aquela rata de esgoto do Brooklyn — cuspiu, com a voz

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status