Mag-log inThomas Mitchell.
O sábado e o domingo passaram mais rápido do que eu gostaria de admitir. Consegui descansar o suficiente para recuperar as energias, fui à academia apenas para espairecer a mente sufocada pela rotina, dormi um pouco e até saí no sábado à noite com Philipe, um amigo de longa data que sempre sabia onde encontrar os melhores lugares.
Fomos a uma boate badalada no centro da cidade, e era exatamente disso que eu precisava para desligar o cérebro: música eletrônica pulsante, álcool de boa qualidade e mulheres atraentes para elevar meu ânimo. É óbvio que não perdi a oportunidade — caso contrário, não me chamaria Thomas Mitchell —, e saí de lá acompanhado.
Fomos para um motel e, antes de ir embora nesta manhã, fiz questão de deixar a conta inteiramente paga; afinal de contas, posso ter meus defeitos, mas não sou nenhum cafajeste.
Saí de lá antes que ela acordasse. Não me lembrava do seu nome e nem me preocupei em perguntar. Era apenas uma transa rápida e nada mais do que isso: sexo sem compromisso, puro desejo carnal.
Agora são exatas 20h30 e só há pouco me dei conta de que precisava buscar os goblins na casa de Rebecca. Afinal de contas, elas têm aula amanhã de manhã e, sendo totalmente sincero, é uma verdadeira batalha de trincheiras para fazê-las levantar cedo.
Dirijo pelas ruas tranquilas em uma noite amena de domingo, observando o ritmo calmo da cidade. Demoro cerca de quarenta minutos para chegar até a casa de Rebecca e estaciono o carro logo em frente ao portão. A calmaria que envolve o bairro contrasta fortemente com o caos desenfreado que certamente deve estar acontecendo do lado de dentro.
Caminho até a varanda, toco a campainha e aguardo.
Rebecca havia me mandado uma foto na manhã de ontem acompanhada de uma mensagem, afirmando que a tarefa não estava sendo tão difícil assim. Eu ainda não abri a imagem, mas tenho certeza absoluta de que aquelas palavras foram escritas apenas para me provocar.
Ela trabalha para mim há alguns anos e, na maior parte do tempo, vivemos em pé de guerra. Aparentemente, Rebecca sente um prazer quase mórbido em discordar das minhas ordens e questionar minhas decisões executivas. Isso transforma cada mínima interação nossa em uma disputa de egos para saber quem está com a razão.
Ouço o barulho característico da fechadura sendo destrancada, e a porta finalmente se abre. Meus olhos são prontamente atraídos para os seus trajes — ou para a flagrante falta deles. Ela está envolva apenas em uma toalha felpuda, com os cabelos soltos em um desalinho selvagem e uma gosma rosa cobrindo metade do rosto.
Mas a máscara facial é o de menos se levarmos em consideração o quão pouco aquele pedaço de tecido cobre suas curvas. Meus olhos deslizam de forma involuntária pelo seu corpo, e minha mente traiçoeira começa a desenhar cenários que sequer deveriam passar pela minha cabeça.
— Senhor Mitchell... Sinto muito interromper seu monólogo interno, mas meus olhos ficam aqui em cima — as palavras dela ecoam com ironia, puxando-me bruscamente de volta à realidade.
Pisco algumas vezes para disfarçar o solavanco, ajusto minha postura e fecho o semblante de imediato. Quanta petulância da parte dela achar que eu a olharia com algum tipo de desejo.
— Boa noite, senhorita Rossi — digo, esforçando-me para manter o tom estritamente profissional que costumo usar no ambiente corporativo. — Vim buscar meus gremlins.
Ela arqueia as sobrancelhas, e um sorriso de puro escárnio surge em seus lábios.
— As meninas estão no sofá com o Zeus — ela avisa, afastando-se da porta para me dar passagem.
— Eu não pretendo entrar, senhorita Rossi. Já está tarde e amanhã elas precisam acordar cedo para...
Ela me interrompe com a mesma audácia sem limites que costuma usar no escritório. A única diferença é que, agora, estamo-nos encarando na entrada da casa dela.
— Claro que precisa — ela revira os olhos, sustentando aquele sorriso desafiador. — Se eu estivesse no seu lugar, esperaria que elas terminassem de comer o bolo de cenoura antes de levá-las.
— Eu sou perfeitamente capaz de fazer um bolo de cenoura em casa, senhorita Rossi. Não sou nenhum incompetente na cozinha — rebato de pronto, sentindo minha pouca paciência ir pelo ralo antes mesmo de colocar as mãos nas garotas.
— Eu não disse nada sobre incompetência — ela dá de ombros com uma indiferença calculada. — Só acho que a sua versão de bolo de cenoura e a minha são totalmente diferentes.
Um sorriso sádico e vitorioso curva seus lábios — o mesmo olhar provocativo que ela usa quando quer me tirar do sério durante as reuniões de diretoria.
— Fique à vontade. As meninas estão na sala e as coisas delas já estão devidamente organizadas. Quando saírem, feche a porta. Eu vou tomar o meu banho.
Dito isso, ela simplesmente me dá as costas, deixando-me parado no hall de entrada com a porta aberta enquanto desaparece corredor adentro. Sentindo minha raiva borbulhar diante de tamanha petulância, dou um passo para dentro e bato a porta com força excessiva atrás de mim, apenas para ouvir um grito estridente vindo de algum canto do segundo andar:
"Quebra mesmo, a casa não é tua, filho da puta!"
Com quem diabos essa mulher pensa que está falando? Pelos céus, eu devia estar muito desesperado quando decidi propor esse maldito acordo a ela.
Rebecca Ross. Segunda-feira. A querida chegou arrombando a porta como se fosse a polícia cumprindo um mandado de busca e apreensão. Eu tinha tido uma noite de sono magnífica, perfeitamente tranquila... isto é, até as quatro da manhã, quando Zeus decidiu por livre e espontânea vontade que claramente gostaria de acrescentar uma passagem mais prática para o andar de baixo.Que escada, que nada.O plano do meu querido pastor-malinois era muito mais ousado: cavar um buraco no chão do meu quarto para descer direto para a cozinha.Eu não deixei, é claro. Ele ficou profundamente frustrado e começou a uivar para a vizinhança inteira. E lá fomos nós caminhar às quatro e meia da madrugada, porque a culpa, no fundo, é toda minha; eu sabia perfeitamente que não era fácil ter um cão dessa raça, mas quis mesmo assim.Em fim, o puro caos.O relógio na tela do meu computador marca cerca de 10h28 da manhã quando as portas do elevador executivo finalmente se abrem. A figura de Thomas Mitchell surge na
Thomas Mitchell. O sábado e o domingo passaram mais rápido do que eu gostaria de admitir. Consegui descansar o suficiente para recuperar as energias, fui à academia apenas para espairecer a mente sufocada pela rotina, dormi um pouco e até saí no sábado à noite com Philipe, um amigo de longa data que sempre sabia onde encontrar os melhores lugares.Fomos a uma boate badalada no centro da cidade, e era exatamente disso que eu precisava para desligar o cérebro: música eletrônica pulsante, álcool de boa qualidade e mulheres atraentes para elevar meu ânimo. É óbvio que não perdi a oportunidade — caso contrário, não me chamaria Thomas Mitchell —, e saí de lá acompanhado.Fomos para um motel e, antes de ir embora nesta manhã, fiz questão de deixar a conta inteiramente paga; afinal de contas, posso ter meus defeitos, mas não sou nenhum cafajeste.Saí de lá antes que ela acordasse. Não me lembrava do seu nome e nem me preocupei em perguntar. Era apenas uma transa rápida e nada mais do que iss
Thomas Mitchell.Entro em minha cobertura na companhia de Duke e a primeira coisa que me atinge é o silêncio absoluto que me espera. Sem música infantil tocando em loop infinito na TV, sem os passos acelerados pelos corredores e sem o coro frenético de "moço, ela pegou a minha boneca!" ou "moço, a água da pia tá caindo no chão!".Porque sim, a dupla de monstrinhos conseguiu a proeza de entupir a pia do banheiro social usando rolos inteiros de papel higiênico, transformando o piso de mármore em um pequeno lago artificial em questão de minutos.A verdade é que, no último mês, a minha vida resolveu virar de ponta-cabeça e eu simplesmente não faço ideia de como fazê-la voltar para os trilhos. Fazia oito anos que eu e minha irmã não nos falávamos. Oito longos anos de um silêncio cavado no dia do funeral dos nossos pais.Um maldito mal-entendido — mesclado com orgulho e teimosia de ambas as partes — fez com que eu passasse quase uma década longe da vida de Dahlia. E agora que o destino deci
Rebecca RossiO aroma da lasanha preenche a cozinha inteira. O cheiro está de dar água na boca e, enquanto ponho a mesa, dois pares de olhos verdes a rondam com uma curiosidade genuína e infantil.Certo, eu meio que intimei meu chefe e suas sobrinhas a ficarem para o almoço. Thomas estava com uma cara tão cansada que deu até dó.Por falar em Thomas, ele está há quase uma hora parado na entrada da cozinha, de braços cruzados e olhar analítico, encarando-me como se tentasse descobrir se eu envenenei a comida.Tudo bem que ele é um babaca como chefe e no escritório nós vivemos em pé de guerra. Mas aqui é diferente... Aí você se pergunta: como? É simples, tem crianças envolvidas. Eu não enveneno crianças, e tampouco vou perder meu almoço para me vingar do meu chefe pelas minhas duas semanas de sono mal dormido.— Senhorita Becca? — uma das gêmeas me chama. A de vestido roxo, com aqueles enormes olhos verdes encarando-me com curiosidade. — A gente também pode comer na mesa?Pisco algumas v
Rebecca Ross.iA policial feminina à minha frente me encara com o semblante de quem já passou por aquela situação inúmeras vezes. O tédio é notável em sua face enquanto ela inspeciona o ambiente da minha sala de estar.— É a quinta denúncia apenas em apenas duas semanas, senhorita Rossi. Seus vizinhos apontam que existe uma criança e um animal sofrendo maus-tratos neste endereço — diz ela, mantendo o tom profissional, mesmo que sua expressão denuncie que preferia estar em qualquer outro lugar do mundo que não fosse a minha sala.— Eu se quer tenho filho, policial Rivera — respondo, sentindo o desespero crescer dentro de mim. — Cachorro sim. Tenho o Zeus, que está em algum lugar do quintal destruindo o gramado, e também estou cuidando temporariamente do Duke, o buldogue francês do meu chefe. Mas não existe criança nenhuma aqui. Posso mostrar as câmeras, e o restante da casa caso seja necessário.A policial Rivera me encara por alguns segundos, como se decidisse se aquilo realmente é ne







