LOGINJanaínaO meu coração bate num ritmo aceleraddo. O tremor fininho nas minhas mãos entrega a minha expectativa.— Diego, meu amor... — chamo bem baixinho, inclinando meu corpo para o dele. — Tenho uma coisa que gostaria que tu visse.Coloco o celular na frente de nós dois, e aperto o play.Uma melodia instrumental suave e emocionante começa a soar pelo alto-falante. A primeira foto surge na tela: o Diego, todo desajeitado no meio do pasto da fazenda, no dia em que me ofereci pra fotografar ele pra Revista Rural. Um riso frouxo e gostoso surge.— Olhe só... A gente mal sabia o que tava por vir naquele dia, né? — murmura ele, beijando o topo da minha cabeça.— Nem imaginava... — respondo, me encaixando mais nele na cama.As fotos vão passando numa sequência viva da nossa história: o nosso primeiro beijo escondido, as nossas risadas, o nosso casamento abençoado com a entrada dos búfalos, a dança no salão e, por fim, as imagens do nosso passeio aqui em São Luís. Diego acompanha
DiegoSubimos os degraus do hotel no Centro Histórico praticamente correndo, rindo feito dois adolescentes que acabaram de aprontar na rua. A Janaína ainda tá rindo da minha cara por causa do susto ao me deparar com os policiais e do sumiço repentino do meu "dieguito", mas assim que a chave magnética destrava a porta do quarto e o trinco estala, o clima muda num estalar de dedos.O quarto é um espetáculo à parte: uma cama king-size coberta por lençóis de fios nobres, pétalas de flores espalhadas com capricho e a brisa morna da noite de São Luís entrando pela varanda, trazendo o som distante das matracas do Bumba Meu Boi que ainda ecoa pelas ruas do Centro.Apenas fecho a porta atrás de mim e tranco o mundo lá fora.Janaína se vira pra mim, encostando as costas na madeira da porta. A iluminação amarelada dos abajures desenha a silhueta do corpo dela, e os olhos cintilam como se quisessem pegar fogo. Aquele riso debochado de minutos atrás dá lugar a um suspiro fundo, pesado e
DiegoSe o paraíso existe, tenho certeza absoluta de que fica em São Luís do Maranhão. E se não fica, a nossa lua de mel tratou de criar um todinho para nós. Entre uma "aliviada" e outra no quarto do hotel, eu e a Janaína estamos vivendo os melhores dias das nossas vidas nesta terra vibrante que o povo chama de Ilha do Amor e os regueiros conhecem como a Jamaica Brasileira.É julho e as festividades juninas se recusam a acabar. A cidade continua fervendo numa energia folclórica contagiante.Nesta manhã ensolarada, caminho de mãos dadas com a minha esposa pelas ruas de paralelepípedos do Centro Histórico. Não canso de admirá-la: a pele bronzeada pelas manhãs de praia, o sorriso satisfeito de quem tá realizando um sonho e aquele brilho nos olhos que me deixa caidinho. Os casarões antigos revestidos de azulejos abrigam um céu de bandeirinhas coloridas que formam mosaicos com o Bumba Meu Boi.Fico totalmente deslumbrado com tanta beleza e a Janaína aproveita o meu momento de turist
JanaínaO anoitecer cai sobre a Fazenda Magalhães trazendo uma brisa fresca e o aroma absoluto de comida boa no ar. Após as emoções do altar, o clima muda completamente: agora é hora de celebrar com fartura, bebida gelada e muita animação!Enquanto os DJs Bil e Nanda dominam a picape com um mix contagiante de ritmos diversos, o banquete orquestrado pela minha irmã Jane faz a alegria de todos. As mesas estão postas com um banquete que vai do tradicional ao gourmet. Vejo até o padre, mesmo jurando estar de dieta, disfarçando enquanto enche o prato com os quitutes mais saborosos de Soure.A pista de dança já está fervendo, liderada pela Vera e pelo Jerônimo, que, mesmo na cadeira de rodas, roda pra lá e pra cá no meio do povo, puxando a algazarra.Diego e eu caminhamos de mãos dadas entre as mesas, recebendo abraços e parabéns. É quando a Sabrina, minha editora-chefe na Revista Rural, surge na nossa frente, exuberante num vestido rosa e com uma taça de espumante na mão.— Ah, Jana
JanaínaAlinho o meu vestido estilo sereia, que abraça meu corpo com firmeza e elegância, contrastando perfeitamente com as minhas botas brancas. Lene fez a minha maquiagem e me acompanha até o veículo que vai me levar ao ponto de partida da entrada.Lene para, olha para mim e não consegue conter as lágrimas:— Ah, Janaína! Você é a noiva mais linda que já pisou por estas bandas! Em pensar em tudo o que a gente passou até chegar aqui... fico até arrepiada. Tenho certeza absoluta de que você vai viver a melhor jornada da sua vida!A emoção me toma por inteiro. Abraço minha amiga com força e digo, com a voz embargada:— Obrigada, minha amiga! Semana que vem será a sua vez, e para mim vai ser uma honra enorme ter você como cunhada.Lene ia me abraçar quando o celular vibra na mão dela:— Vamos, noivinha linda! Se tu deixar aquele fazendeiro no vácuo mais um minuto, ele surta. De dois em dois minutos chega notificação do Diego perguntando por você. Tá num nervosismo só, com medo
DiegoDe onde estou, no altar, vejo tudo como um camarote de luxo:Próximos ao altar, noto a minha sogra dona Joana e o quieto marido, o seu André. Satisfeita ela não está 100%, afinal, os dois filhos, Janaína e Jackson, resolveram casar em semanas diferentes.Quando Janaína comentou isso, de manhã cedo quando nos falamos por dispositivo, eu nem acreditei no motivo.Pensei que ela estava chateada devido o fato de ficar longe dos filhos, mas me enganei. Dona Joana tem outro motivo.Justo quando as patas e as galinhas dela tão em plena postura de ovos lá na roça, coincidiu o momento dos casórios. Ela deve tá martelando a cabeça pensando se a irmã Agripina vai cuidar direito dos bichos.Já o seu André, pai da minha noiva, está que é puro orgulho e emoção. Para ele, é uma honra levar a Janaína ao altar e ver o Jackson virando homem responsável, optando pelo casório tão jovem. O homem já está até com brilho nos olhos sonhando com os netos!Falando em netos, lá vêm os três filhos m







