Se connecter
Dois anos depois, concluí meus estudos na Universidade de Londres.Naquele dia, para variar, o céu de Londres estava ensolarado. O gramado estava repleto de formandos, e a luz do sol aquecia as antigas paredes de pedra.Mamãe Grace tinha vindo de Chicago. Ela estava no meio da multidão, segurando um buquê de rosas brancas enquanto esperava por mim.No instante em que a vi, corri para seus braços. Ela riu e deu alguns tapinhas nas minhas costas, com os olhos avermelhados.— Nossa Elena finalmente se formou.— Mãe, não chore.— Eu não estou chorando, é só o vento. — Negou imediatamente. Então, abaixou a cabeça e enxugou o canto do olho.Caspar estava por perto com uma câmera. Depois de dois anos praticando, suas fotos ainda dependiam um pouco da sorte, mas, pelo menos, ele já não deixava as pessoas espremidas no canto do enquadramento.Segurei a mão de mamãe Grace e fiquei ao lado dela nos degraus, fazendo um sinal de paz para a câmera.Quando o obturador disparou, o anel em meu dedo ref
Pela primeira vez, Luca perdeu o controle diante de todos.Destruiu tudo o que podia ser quebrado no escritório, mandou bloquear aeroportos, portos e pistas de pouso particulares e enviou seus homens a Londres para descobrir onde Elena estava hospedada.No entanto, todas as pistas afundaram como pedras no mar.O rastro dela desaparecera depois do pouso, não havia como localizar o apartamento e o sistema da universidade mostrava apenas informações básicas sobre sua matrícula. A rede de segurança da família Ross a protegia como uma muralha impenetrável.Quando Sophia soube do que havia acontecido, foi pessoalmente até a propriedade. Parou diante da porta do escritório destruído, com a voz carregada de inconformismo:— Luca, você perdeu a cabeça? Não é bom que ela tenha ido embora? Você não vivia dizendo que, se ela sofresse, Grace também sofreria?Luca ergueu os olhos.Aquele único olhar era tão gelado que fez um calafrio percorrer a espinha de Sophia.— Saia.— Luca...— Eu mandei sair.
Às cinco da manhã, Luca despertou por força do hábito. A primeira coisa que fez foi estender a mão para o espaço ao seu lado.Ainda estava vazio.Elena não tinha voltado durante toda a noite.O coração de Luca despencou. Ele retornou ao próprio quarto e estava prestes a mandar alguém descobrir onde Elena estava, quando sua mão tocou dois objetos debaixo do travesseiro.Uma carta e um cartão bancário.Seus movimentos cessaram.No passado, sempre que Elena queria animá-lo, escondia pequenos presentes sob seu travesseiro: cartões escritos à mão, abotoaduras, uma edição esgotada de uma coletânea de poemas e até um doce guardado dentro de um frasco de vidro.Aquele era o pequeno ritual infantil dos dois.Luca contemplou a carta, e a escuridão que o perseguira durante toda a noite de repente se dissipou um pouco.Ela havia se lembrado do aniversário dele.Só estava sendo teimosa.Luca não abriu a carta. Pegou apenas o cartão bancário, levou-o ao escritório e pediu à secretária que verificass
O voo para Londres decolou no horário previsto.Quando o avião atravessou as nuvens, agarrei o apoio de braço com as palmas suadas. Somente depois que as luzes de Chicago desapareceram sob a névoa consegui relaxar os dedos aos poucos."Eu realmente consegui ir embora."Estava longe da propriedade, longe de Luca e longe da Elena que insistia em se aprisionar entre o amor e as mentiras.Uma chuva fina caía sobre Londres quando pousei no Aeroporto de Heathrow.Saí da área de desembarque empurrando três malas e logo avistei uma placa com meu nome.Uma mulher de aparência gentil segurava a placa. O marido estava ao lado dela e, do outro lado, havia um jovem alto usando um casaco preto. Seus traços eram definidos e elegantes, mas não existia em seus olhos nenhum sinal da agressividade de Luca.Assim que me viu, a mulher acenou.— Elena! Estamos aqui!Era Margaret Ross, amiga de infância de mamãe Grace. Ela e o marido administravam uma empresa de segurança em Londres.Empurrei as malas na dir
Ergui os olhos para Luca e, de repente, senti como se o homem diante de mim fosse um completo estranho.Durante muito tempo, acreditei que o conhecia. Conhecia sua rara ternura, as feridas do passado e o ressentimento que nutria pela bondade de mamãe Grace. Naquele momento, porém, percebi que só conhecia as partes que ele havia permitido que eu visse.Coloquei o celular de volta sobre o criado-mudo. Por causa da febre, minha voz saiu rouca.— Tem alguma coisa aí que eu não deveria ter visto?Luca se aproximou e lançou um rápido olhar para a tela. Seus dedos se apertaram ao redor do copo com tanta força que a água transbordou e molhou sua mão.No entanto, ele se recompôs depressa. Sentou-se na cama e me puxou para os braços.— São apenas alguns desgraçados falando besteira. Você ainda está doente. Não fique pensando demais nisso.— E o nosso noivado? Também era uma mentira?Luca beijou o alto da minha cabeça. Sua voz era tão gentil que quase fazia a mentira parecer verdadeira.— Elena,
Caminhei por quase quarenta minutos debaixo da chuva até chegar ao centro de solicitação de vistos.Meus cabelos estavam encharcados, a saia grudava nas pernas e os documentos quase se perderam por causa da água. Uma funcionária me entregou um copo de água quente e perguntou se eu precisava descansar.Balancei a cabeça em negação e entreguei os documentos, um por um.Carimbar. Confirmar. Assinar.Quando levaram o último formulário, encarei o pequeno carimbo azul e senti meu coração ficar estranhamente sereno. Agora, apenas uma passagem me impedia de deixar a propriedade dos Moretti para trás.A chuva ainda não tinha parado quando saí. Como não consegui encontrar um táxi, precisei voltar caminhando pela rua. A água escorria dos meus cabelos para dentro da gola, gelada o bastante para fazer meus dentes baterem.Quando retornei à propriedade, já estava escuro.Não fui à sala de jantar nem avisei a ninguém que tinha chegado. Simplesmente voltei para o quarto e tirei as roupas molhadas. No







