LOGIN~MINA~Uma luz branca explodiu diante dos meus olhos ao mesmo tempo que um estrondo ensurdecedor pareceu partir minha cabeça por dentro. Perdi o equilíbrio e bati contra a parede, levando as mãos aos ouvidos, embora já não ouvisse nada além de um zumbido agudo que apagava o mundo.Pisquei desesperadamente, mas mal conseguia distinguir manchas, sombras se movendo entre clarões brancos e uma névoa leve que flutuava pelo apartamento.Então começaram os tiros.Eu os percebia mais como golpes abafados do que como detonações. Uma figura grande, escura e armada apareceu pela porta.Um dos homens tentou levantar a pistola em direção a ela e caiu antes de conseguir. Outro se lançou para o lado procurando cobertura, mas a sombra girou com ele e voltou a atirar. Vi um corpo desabar no chão, depois outro. Tudo acontecia rápido demais para que meu cérebro atordoado conseguisse acompanhar.Eu continuava encostada na parede, respirando com dificuldade e tentando obrigar meus olhos a focar enquanto a
~MINA~«Será que isso é possível?», me perguntei.Será que era possível que eu tivesse vivido enganada durante seis anos.Seis malditos anos acreditando em uma coisa.Seis anos vivendo com aquela ausência.Seis fodidos anos de sofrimento, pensando que estava morto.«Não. Não pode ser», disse a mim mesma.—Você está mentindo —consegui dizer, embora minha voz tenha saído fraca demais para toda a raiva que eu sentia se acumulando dentro de mim.O homem continuava de joelhos, respirando com dificuldade por causa da facada que eu havia dado em suas costas, mas, mesmo assim, teve a audácia de me olhar como se fosse eu quem não estivesse entendendo algo evidente.—Não estou mentindo para você.—Claro que está, seu desgraçado! —disparei, apertando os punhos—. É uma puta armadilha.—E se não for? —rebateu, me atingindo em cheio—. Vai ficar com a dúvida?Engoli em seco e senti minha determinação de escapar para o mais longe possível rachar como um ovo caindo no chão.—A única forma de tirar ess
~MINA~Apertei o telefone com o punho, enquanto aquela pergunta retumbava dentro da minha cabeça e o medo percorria meu corpo inteiro, frio e pegajoso, e durante alguns segundos senti que meu corpo queria fazer exatamente a pior coisa que poderia fazer naquele momento: ficar imóvel.Tive que me obrigar a respirar e pensar. Não podia ficar sentada esperando Artem chegar como se aquilo fosse uma das minhas novelas do caralho e o galã aparecesse justamente quando a protagonista estava prestes a morrer.Artem estava sabe-se lá onde, possivelmente ainda em um avião, e aqueles desgraçados já estavam vindo atrás de mim. Se Ezequiel me encontrasse outra vez, eu preferia que me tirassem morta daquele apartamento a voltar voluntariamente com ele, mas, se ia acabar assim, não pretendia facilitar para ninguém.Guardei o telefone no bolso e fui até a cozinha tão rápido quanto meu pé permitiu.A dor apareceu quando o apoiei com força demais, mas ignorei e abri uma das gavetas até encontrar a maior
~MINA~A noite caiu devagar demais para o meu gosto. A essa altura, eu já tinha preparado uma bolsa com as poucas coisas que pretendia levar: algumas roupas, os medicamentos, o carregador do telefone e o necessário para não ter que voltar para buscar nada se Artem decidisse me tirar de Sinaloa naquela mesma noite.Deixei-a ao lado do sofá, com as muletas por perto, e desde então não havia feito outra coisa além de andar de um lado para o outro pelo apartamento, sentar por alguns minutos, levantar novamente e verificar o telefone como se olhar para ele a cada trinta segundos pudesse fazer Artem aparecer mais rápido.Ele não havia me dito exatamente a que horas chegaria, apenas que voaria naquele mesmo dia e que eu não saísse, não abrisse a porta e não voltasse a me aproximar da janela. Eu havia obedecido, embora estivesse me custando pra caralho.De vez em quando olhava para as cortinas fechadas e precisava conter o impulso de afastá-las.Queria saber se o carro continuava ali, se aque
~MINA~Eu havia esperado exatamente o contrário. Queria que Artem me dissesse que sim, que aquele homem perigoso que havia percorrido as esquinas e depois levantado a cabeça em direção à minha janela estava ali porque ele mesmo o havia colocado para vigiar o prédio. Teria sido até lógico.Artem sabia que Ezequiel continuava me procurando, tinha homens, contatos e recursos suficientes para mandar alguém sem se dar ao trabalho de me avisar, e eu podia ter passado dois dias inteiros me assustando como uma idiota enquanto algum de seus homens simplesmente verificava que ninguém se aproximasse do apartamento. Mas essa explicação acabava de desaparecer com sua resposta.O telefone começou a vibrar antes que eu pudesse responder.Artem estava me ligando.Deslizei o dedo pela tela e levei o aparelho ao ouvido enquanto me levantava com cuidado.—Güero?—O que está acontecendo?Não houve cumprimento nem nenhuma das bobagens com as quais havíamos começado a nos acostumar em nossas ligações. Sua
~MINA~Aquele homem estava parado em uma esquina, um pouco mais adiante do prédio, onde a luz dos postes mal alcançava a calçada. Não fazia nada. Não caminhava, não falava com ninguém, não parecia estar esperando um transporte. Simplesmente estava ali, com uma parte do corpo escondida pela penumbra.Fiquei imóvel, tentando distinguir melhor seu rosto, mas daquela distância era impossível. Só conseguia ver uma silhueta masculina, alta, imóvel.Meu coração voltou a acelerar, embora eu dissesse a mim mesma que aquilo não precisava significar nada.Podia estar esperando alguém. Podia ter saído para fumar. Podia morar em qualquer um dos prédios próximos. Podia ser um homem qualquer fazendo qualquer coisa que não tivesse absolutamente nada a ver comigo.Então levantou a cabeça e senti minha respiração parar.Seu rosto se virou na direção do prédio. Para cima. Justamente para o ponto onde ficava minha janela.Afastei-me de repente e fiquei colada contra a parede, fora do alcance do vidro, co







