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C132: CAPTURADA

Author: Dirtsa Aijem
last update publish date: 2026-10-24 00:29:08

~MINA~

A casa continuava ali.

Eu não sabia o que esperava encontrar quando virei a esquina e a vi diante de mim, talvez algo menor, mais deteriorado, menos parecido com o lugar que guardava nas minhas lembranças. Mas não. Continuava tendo a mesma forma, as mesmas janelas e o mesmo pequeno espaço na frente, onde meu irmão e eu havíamos brincado tantas vezes quando éramos crianças. Parei do outro lado da rua, observando-a durante um longo tempo, sentindo algo se apertar dentro do meu peito.

Ali e
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  • A Gordinha Que Domou um Mafioso   C132: CAPTURADA

    ~MINA~A casa continuava ali.Eu não sabia o que esperava encontrar quando virei a esquina e a vi diante de mim, talvez algo menor, mais deteriorado, menos parecido com o lugar que guardava nas minhas lembranças. Mas não. Continuava tendo a mesma forma, as mesmas janelas e o mesmo pequeno espaço na frente, onde meu irmão e eu havíamos brincado tantas vezes quando éramos crianças. Parei do outro lado da rua, observando-a durante um longo tempo, sentindo algo se apertar dentro do meu peito.Ali eu havia sido feliz de verdade.Antes de Ezequiel. Antes dos homens armados, das ameaças, dos gritos, do sangue e de todo o resto. Ali eu havia tido uma família, uma mãe que me dava bronca quando deixava as coisas espalhadas, um pai que chegava cansado, mas sempre encontrava forças para se sentar e jantar conosco, e um irmão que me provocava até me deixar furiosa só porque podia.Ezequiel havia destruído tudo aquilo.Engoli em seco e desviei o olhar da casa. Não queria ficar ali por muito tempo.

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    ~EZEQUIEL~—Diga a Salgado que, se ele voltar a entregar menos do que deve, da próxima vez não vou cobrar em dinheiro.O homem diante da minha mesa assentiu sem fazer perguntas. Melhor assim. Ultimamente, eu tinha menos paciência do que o habitual para explicar ordens que qualquer pendejo com dois neurônios deveria entender de primeira.Revisei os números da carga que havia chegado na noite anterior, apontei com o dedo um valor que não batia e empurrei a pasta na direção dele.—E descubra onde caralhos foram parar esses duzentos mil. Não venha amanhã me dizer que ninguém sabe de nada.—Sim, patrão.Dispensei-o com um movimento da mão e esperei até que fechasse a porta antes de me recostar na cadeira. Os negócios continuavam funcionando, as pessoas continuavam obedecendo e meu território continuava sendo meu, mas havia uma única coisa que, fazia tempo demais, se recusava a voltar ao seu lugar: Herminia Salazar.Aquela filha da puta tinha escapado de mim.Toda vez que a cicatriz na minh

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    ~MINA~—Uma jaula? —repetiu Maksim.Assenti.A incredulidade em seu rosto não me surpreendeu. Alessia também me observava com os olhos um pouco mais arregalados, embora nela eu não percebesse rejeição, mas curiosidade. Artem, por outro lado, permaneceu tranquilo ao meu lado.Ele já sabia exatamente o que eu queria fazer e por quê; havíamos conversado sobre isso antes de nos sentarmos com Maksim e Alessia, então não precisava de nenhuma explicação.—Sim —respondi—. Uma jaula.Maksim recostou-se na poltrona e cruzou os braços.—Explique-se.Respirei fundo lentamente. Dizer aquilo em voz alta não me provocava medo nem vergonha. Pelo contrário. Eu havia pensado muito naquilo desde que a ideia me ocorreu e, a cada vez, me parecia mais justo.Olho por olho, dente por dente.—Toda vez que Ezequiel ficava bravo comigo ou queria me castigar por alguma coisa, me trancava em uma jaula como se eu fosse um animal. Às vezes eram horas. Outras vezes, podia me deixar ali por dias. Dependia do que eu

  • A Gordinha Que Domou um Mafioso   C129: O QUE É QUE VOCÊ QUER?

    ~MINA~—Valdés disse que, se Artem não cumprir logo, vai contar a Ezequiel quem estava por trás de Ramiro e de Chuy. Também vai dizer onde ele pode encontrar essa pessoa.Maksim parou de se mexer e a expressão em seu rosto mudou imediatamente. Até aquele momento, ele havia permanecido recostado em uma das poltronas, escutando enquanto Artem resumia o que havia acontecido, mas aquilo bastou para que se endireitasse e apoiasse os antebraços sobre as pernas. Alessia, sentada ao seu lado, também ficou séria e dirigiu o olhar para Artem.—Esse filho da puta está começando a se achar esperto demais —disse Maksim.—Sim —respondeu Artem—. Mas também está cansado de esperar.Eu estava sentada ao lado dele e sentia seu braço roçando o meu. Havíamos decidido nos reunir com Maksim e Alessia porque, depois da ameaça de Valdés, já não fazia sentido continuar adiando aquilo que sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, teríamos que fazer.Artem e eu havíamos conversado antes de vir e estávamos de acord

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    ~ARTEM~Soltei o ar pelo nariz e apertei o celular contra a orelha, contendo a irritação que senti subir pela garganta e a vontade de mandá-lo à merda.Valdés já estava acabando com a minha paciência.—Já te disse que vou cumprir.Sua resposta veio carregada de irritação.—É isso que você me diz todos os malditos dias, russo de merda. Todos os dias eu te ligo para exigir que cumpra sua parte e todos os dias você me promete que vai cumprir, mas continuo sem ver resultados. Já se passaram semanas desde que fizemos nosso acordo e desde que cumpri a minha parte, e estou farto de esperar que você cumpra a sua.Olhei para Mina. Ela continuava perto de mim, embora já não estivesse falando. Havia percebido a mudança na minha expressão e agora me observava atentamente, enquanto atrás dela continuavam o barulho das ferramentas e as vozes dos homens trabalhando. Emiliano permanecia sentado à sua mesa, completamente alheio a tudo, concentrado em seu dinossauro verde.—Não preciso que você me ligu

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    Mais alguns dias depois...\~ARTEM\~Quando cheguei ao imóvel, o barulho das ferramentas podia ser ouvido do lado de fora. Havia homens trabalhando em várias partes do lugar, materiais empilhados perto de uma parede e uma parte da cozinha já começava a tomar a forma que Mina havia imaginado desde aquela primeira noite em que lhe entreguei a chave.A primeira coisa que vi foi ela.Estava de pé ao lado do supervisor da obra, apontando para alguma coisa nos fundos enquanto falava em inglês. Não era perfeito. Ela ainda fazia pequenas pausas, procurava alguma palavra e, de vez em quando, corrigia uma frase enquanto falava, mas já conseguia manter uma conversa sem depender do tradutor do celular nem de alguém ao seu lado repetindo tudo por ela.—The counter... I want it a little more... —franziu a testa, procurando a palavra—. Wide. More wide.O supervisor sorriu.—Wider.—Yes. Wider. So we have more space here.Fiquei alguns segundos observando-a antes de continuar avançando.Eu não precis

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