Mag-log inUm assassinato. Bem diante dos meus olhos. Eu deveria ter corrido. Deveria ter fugido no instante em que vi o homem que acelerava meu coração tirar uma vida sem hesitação. Mas monstros têm um jeito peculiar de nos prender... e eu fui tola o suficiente para me deixar capturar. Charlotte Moretti é apenas uma garçonete tentando sobreviver. Com uma mãe e uma irmã que dependem dela, trabalhar no Queen off Hearts — um clube envolto em segredos obscuros — é sua única opção. O que ela nunca imaginou era chamar a atenção de um Belladonna. E quando um Belladonna deseja algo, ele não para até conseguir. Damian é conhecido como O Assassino. Executor da máfia de sua família, ele nasceu para matar, proteger os seus e espalhar medo por onde passa. Frio, implacável e perigoso, ele nunca precisou de ninguém. Até vê-la. Desde o primeiro instante, Charlotte se tornou sua obsessão. Mas desejar uma mulher inocente tem um preço. Agora, ela está presa em um mundo de violência, sangue e segredos mortais. E, por causa dele, tornou-se um alvo. Damian fará qualquer coisa para mantê-la viva. Qualquer coisa. Mesmo que isso signifique mostrar a ela o lado mais sombrio e cruel de sua alma. Porque monstros não amam da maneira certa. Eles possuem. E Damian já decidiu que Charlotte lhe pertence. “Ela é minha. Só ainda não sabe disso.”
view moreCharlotte Moretti
Oh, meu Deus! Oh, meu Deus!
Pisco algumas vezes, tentando entender o que acabou de acontecer bem na minha frente. Minha mente grita em puro horror, como se tentasse me alertar de que aquilo não é real, de que, se eu fechar os olhos por alguns segundos, quando abrir novamente tudo terá desaparecido. Mas não desaparece. O suor escorre pela minha testa e desliza lentamente pelo meu rosto, enquanto outro fio desce pelo vão dos meus seios. Meu corpo inteiro está quente, mas minhas mãos estão geladas e tremem sem que eu consiga controlar.
Não consigo acreditar que essa merda está acontecendo comigo. Mas está.
Era para eu ter esperado. Não era para eu ter saído. Eu deveria ter permanecido dentro do clube, onde estava segura, onde nada daquilo poderia ter acontecido diante dos meus olhos. Contudo, não importa mais. Já que estou aqui... e ele está bem ali. Damian Belladonna.
A sorte é que ele não pode me ver, porque, no instante em que apareceu, eu me escondi atrás das lixeiras. Se não tivesse feito isso, agora eu provavelmente estaria com uma bala atravessando o meio da minha testa, assim como o homem que ele acabou de tirar a vida.
Eu vou morrer...
É a única coisa que passa pela minha mente. Se ele me vir, ele também vai me matar. Sou uma testemunha do que acabou de acontecer. Eu vi tudo. Vi a maneira como ele sequer hesitou, como se tirar uma vida fosse apenas mais uma tarefa que precisava cumprir antes de seguir com a noite.
E o pior é que ele nem piscou.
Simplesmente estendeu o braço, apontou a arma e atirou.
Um único disparo.
Seco. Rápido. Preciso.
E, no segundo seguinte, o homem estava no chão, com um buraco de bala no meio da testa.
Lágrimas turvam minha visão, e meu estômago se embrulha só de olhar para o corpo estendido no chão. Há sangue demais. Uma quantidade absurda de sangue. Meu coração dispara ainda mais, e uma vontade desesperada de vomitar sobe pela minha garganta. Seguro a lixeira com tanta força que meus dedos começam a ficar brancos, como se aquele pedaço de metal fosse a única coisa capaz de me manter de pé.
Prendo a respiração e fico completamente quieta.
Não posso fazer barulho.
Não posso me mexer.
Não quero que ele saiba que estou aqui.
Não quero morrer.
Preciso sair daqui. Preciso voltar para o clube antes que seja tarde demais. O problema é que Damian está entre mim e a porta que leva de volta para dentro. E tenho certeza de que este lugar possui câmeras. Claro que possui. Porque, aparentemente, tudo precisa conspirar contra mim nesta noite. Mesmo que eu consiga escapar daqui sem que ele me veja, de qualquer forma ele saberá que eu estive aqui. Saberá que vi o que fez.
Ouço o som do celular tocar.
Meu coração quase para.
Damian dá as costas para onde estou, coloca a arma na cintura e pega o aparelho. Quase solto o ar que estava prendendo, mas me obrigo a continuar imóvel.
— Sim?
Sua voz rouca e grossa ecoa pelo lugar escuro e causa arrepios em toda a minha pele. É ridículo que até mesmo agora, quando deveria estar apavorada demais para sentir qualquer outra coisa, meu corpo reconheça aquela voz. O mesmo tom que tantas vezes me fez perder o rumo agora me faz querer desaparecer.
— O problema foi resolvido — diz, firme, como se estivesse falando sobre algo completamente banal. — Ele estava de olho na próxima vítima da noite, contudo, o peguei primeiro.
Ele se vira lentamente e olha para o corpo do homem no chão. Pela pouca iluminação do lugar, consigo enxergar a careta que surge em seu rosto.
Meu estômago se contrai novamente.
Seu pé dá um pequeno chute no homem morto, apenas para verificar se não há mais nada a ser feito.
— Preciso de alguém para vir limpar a bagunça.
Engulo em seco.
Não entendo muito do que ele está dizendo. Sobre vítima, sobre resolver o problema, sobre o homem estar atrás de alguém... nada disso importa agora. Não consigo me prender às palavras porque existe uma única coisa ocupando todos os meus pensamentos.
Ele matou uma pessoa.
A sangue-frio.
Damian diz mais algumas palavras enquanto encara o corpo diante dele, e então um sorriso frio surge em seus lábios.
Droga!
Eu estou muito ferrada.
Muito, muito ferrada.
Porque esse homem... esse maldito homem faz meu coração bater mais rápido, minha pele se arrepiar e meu corpo inteiro reagir apenas com um olhar. Faz meu estômago se contorcer, minhas pernas fraquejarem e minha respiração ficar presa na garganta.
E agora...
Agora eu sei do que ele é capaz.
Quão ferrado é isso?
Eu estou apaixonada por ele.
E agora posso ser morta por ele.
Enquanto permaneço ali, escondida atrás das lixeiras, vejo o monstro que ele é. Vejo a sombra que parece envolver seu corpo, a frieza em seus olhos, a tranquilidade assustadora com que permanece diante de um homem morto. Pela primeira vez, consigo enxergar além do homem que me faz perder o fôlego. Consigo enxergar o perigo.
Consigo enxergar Damian Belladonna.
E mesmo assim...
Mesmo assim, meu coração ainda b**e por ele.
Como se não entendesse que deveria sentir medo.
Como se não soubesse que aquele homem poderia ser a minha morte.
Fodida.
É o que estou neste momento.
Completamente fodida.
Meu olhar segue o movimento de sua língua umedecendo os lábios, e, sem perceber, mordisco os meus. É uma reação automática, quase involuntária, e me odeio por isso. Porque ele está diante de um cadáver, com uma arma escondida na cintura e sangue no chão, e ainda assim uma parte de mim continua observando cada pequeno movimento seu.
Damian Belladonna me faz acelerar.
Meu coração, minha respiração, tudo.
Mas preciso me manter longe dele.
Preciso lembrar que ele é perigoso.
Preciso lembrar que posso morrer.
— Pode sair daí, Charlotte.
Ouço sua voz.
Meu sangue gela.
Espera...
Ele está falando comigo?
Seguro ainda mais apertado a lixeira, sentindo o metal frio contra meus dedos. Meu coração b**e tão forte dentro do peito que chega a doer. Tenho a sensação de que ele pode ouvir cada uma das minhas batidas do outro lado daquele esconderijo.
Não me mexo.
Talvez ele esteja blefando.
Talvez não saiba realmente que estou aqui.
Talvez...
— Vamos, Charlotte. Não se faça de difícil e saia de trás das lixeiras.
Oh, merda...
É definitivo.
Eu vou morrer.
Lágrimas começam a escorrer pelos meus olhos, quentes e silenciosas. Minha visão fica ainda mais turva, mas não tenho coragem de limpá-las. Respiro fundo, embora meus pulmões pareçam incapazes de encontrar ar suficiente, e, devagar, ergo meu corpo trêmulo.
Cada movimento parece pesar uma tonelada.
Saio de trás das lixeiras e fico de frente para ele.
Damian está me esperando.
Seu olhar encontra o meu.
Por alguns segundos, nenhum de nós diz nada.
Então, lentamente, seu sorriso se abre ao me ver.
Meu coração despenca.
É isso, Charlotte...
Sua sentença de morte.
Você vai morrer pelas mãos do homem pelo qual está apaixonada.
DAMIAN BELLADONNAAssim que chego ao clube, estaciono o carro e pego o celular, acessando o sistema de segurança para verificar as imagens das câmeras instaladas ao redor do estabelecimento. Percorro cada ângulo com atenção, observando a entrada principal, a calçada, os becos próximos e os pontos mais escuros onde alguém poderia se esconder sem ser facilmente percebido.Não vejo nada suspeito. Nenhuma movimentação estranha, nenhum rosto conhecido circulando por ali sem motivo, nenhuma figura escondida nas sombras à espera de uma oportunidade.Tudo parece tranquilo demais, mas, por enquanto, aceito isso como uma coisa boa.O clube conta com uma equipe de segurança responsável por monitorar tudo a partir da sala de controle, um ambiente reservado onde vários homens passam horas diante de telas, acompanhando cada movimento dentro e fora do estabelecimento. Eles sabem o que estão fazendo e são bons no trabalho, mas confiar na competência dos outros nunca significou deixar de fazer minhas
DAMIAN BELLADONNA— Terra chamando, Damian. — Uma mão aparece na minha frente, com os dedos estalando repetidamente, tentando chamar minha atenção.Pisco algumas vezes, como se precisasse de alguns segundos para me desligar das lembranças e voltar ao presente. Aos poucos, volto a me concentrar na pessoa parada à minha frente, deixando para trás as imagens daquela noite que insistiam em permanecer na minha cabeça.Dean me observa com uma sobrancelha erguida e um pequeno sorriso de lado nos lábios, claramente se divertindo com o fato de eu estar tão distraído. Suspiro, passando a língua pelos lábios enquanto tento afastar os últimos resquícios das memórias.— Pensando em alguém? — pergunta ele, com aquele tom provocador que conheço muito bem.— Sim, na primeira pessoa que matei. — Respondo sem demonstrar qualquer hesitação.O sorriso em seu rosto vacila por um instante, dando lugar a uma pequena careta. Não é como se o assunto fosse novidade entre nós. Dean conhece meu passado tão bem q
DAMINAM BELLADONNA — QUANDO TINHA 9 ANOSErgo o rosto imediatamente, voltando toda a minha atenção para o que acontece diante dos meus olhos.A menina se encolhe, como se já soubesse o que está prestes a acontecer. Seus ombros se curvam, e ela tenta afastar o rosto, mas não tem tempo de fazer nada antes que o homem, sujo e desagradável, erga a mão e acerte um tapa violento em sua bochecha.O som estala pelo ar, seco e cruel, fazendo meu próprio corpo estremecer. Por um instante, fico imóvel, encarando a cena com os olhos arregalados. A pele delicada do rosto dela fica vermelha quase imediatamente, e consigo perceber o início de um inchaço na região atingida.Minha mão se fecha ao redor do cabo da faca. Sinto o sangue correr pelas veias, quente, como se alguém tivesse acendido uma chama dentro de mim. Meu coração começa a bater mais rápido, e uma sensação sufocante se instala no meu peito. Fecho as mãos em punhos, tentando conter a raiva que cresce dentro de mim em ondas cada vez maior
DAMIAN BELLADONNAA constatação me faz franzir a testa. Se minha irmã realmente herdou a personalidade daquela velha, todos nós teremos um grande problema nas mãos. E o pior é que Violet parece ter puxado justamente o lado mais complicado da família: a teimosia, a língua afiada e essa necessidade irritante de provar que ninguém pode controlá-la. O que me preocupa é que só agora parei para analisar essa possibilidade.Minha mãe, por outro lado, é mais tranquila. Não que seja fraca, muito pelo contrário. Lily é dura na queda e não se importa nem um pouco com o fato de ser casada com meu pai, apesar de todos os riscos envolvidos. Ela sabe muito bem quem ele é, conhece a natureza dos nossos negócios e nunca tentou fingir que nossa família é um exemplo de honestidade. Como ela mesma disse uma vez:Entrei nessa com seu pai para ficar. Eu o amo demais para desistir só porque nem todos os nossos negócios são honestos.E ela realmente quis dizer cada palavra. Minha mãe nunca precisou fingir qu






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