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CAPÍTULO 73 — A FUGA NOTURNA

Author: Gell Pereira
last update publish date: 2026-10-03 19:33:08

A noite já havia caído por completo, vestindo a floresta e a casa com um manto de sombras densas e silenciosas quando os faróis do carro de Henry iluminaram a entrada da propriedade. Ele regressava exausto, com o peso de um dia inteiro passado em voltas e frustrações, mas com uma prioridade clara na mente, encontrar Annaluz.

Assim que entrou em casa, subiu as escadas a passos firmes e parou em frente à porta do quarto dela. Bateu de leve com os dedos na madeira, esperando alguns segundos até ou
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    — Pronto. Agora que tudo foi resolvido com a Marta, já podemos ir embora em paz — disse Henry, respirando um pouco mais aliviado ao se aproximarem de onde Liam e Oscar esperavam.Annaluz parou de repente, cruzando os braços com firmeza.— Ir embora para onde, Henry?— Para a nossa casa, é claro. Onde mais seria?— Eu não vou para a sua casa. Vou passar na minha antiga casa primeiro — retrucou ela, irredutível.Henry arregalou os olhos, sentindo o sangue gelar-lhe nas veias.— O quê?! Você perdeu o juízo, Annaluz?! Ir para a sua casa agora é extremamente arriscado, a Marta disse que aquilo está cercado! Você sabe perfeitamente disso.— Eu preciso ir buscar o meu material pessoal de parteira, além de um conjunto de ervas medicinais específicas que não existem em lugar nenhum da vila — eu já me informei — argumentou ela, com o olhar teimoso.— Mesmo assim...— Mesmo assim o quê, Henry?! Se quiser ir embora, pode ir sozinho! Se decidir ficar e vir comigo, me faz o favor de não me encher o

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    Annaluz chegou ofegante ao portão da casa de Marta, sentindo a marca em seu ombro latejar como brasa viva sob a jaqueta. Girou nos calcanhares e cravou os olhos azuis em Henry, que havia estacionado a poucos metros de distância.— Você vai continuar me seguindo?Henry não recuou um centímetro. Parou de frente para ela, a postura inabalável de um verdadeiro protetor.— Vou. Eu não vou sair do seu lado.Annaluz revirou os olhos, soltando um suspiro longo.— Você é um chato, sabia?— Eu sei. Já me disseram isso algumas vezes — ele rebateu, sem alterar o tom, a voz grave soando firme na rua deserta. — E, mesmo assim, você não vai a lugar nenhum sem eu estar por perto. Acostume-se.Ela estreitou os olhos, avaliando a teimosia irredutível do lobo à sua frente. Sabia que não ganharia aquela discussão, e o tempo corria contra ela.— Tá. Se vai ser minha sombra, então preste bem atenção e fique calado. Não pergunta nada, não questiona nada e, se possível, nem respira. Entendido?Um sorriso de

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    Annaluz chegou à capital com o coração acelerado, sentindo a marca no ombro pulsar em brasa viva. Seguiu por um caminho mais discreto, evitando as ruas principais, até finalmente avistar a casa de Marta ao longe.Ao chegar à esquina da rua onde ficava a residência de Marta, Annaluz reduziu a velocidade e desligou o motor da moto a alguma distância, guiando-a silenciosamente até escondê-la atrás de uma frondosa árvore. Ali parada na penumbra, ela permaneceu em absoluto silêncio, observando a fachada da casa e tentando regular a respiração ofegante. No entanto, o alívio durou poucos segundos. Um cheiro inconfundível e marcante de hortelã fresca cortou a brisa da noite, o aroma de Henry.Um calafrio percorreu a espinha. Percebendo que tinha sido alcançada com uma rapidez assustadora, Annaluz deu meia-volta de imediato e começou a caminhar a passos largos e apressados pela calçada, na esperança de o despistar antes que ele a visse. Mas, antes mesmo que pudesse dar mais do que alguns passo

  • A Loba Branca Rejeitada da Matilha Sem Lei   CAPÍTULO 73 — A FUGA NOTURNA

    A noite já havia caído por completo, vestindo a floresta e a casa com um manto de sombras densas e silenciosas quando os faróis do carro de Henry iluminaram a entrada da propriedade. Ele regressava exausto, com o peso de um dia inteiro passado em voltas e frustrações, mas com uma prioridade clara na mente, encontrar Annaluz.Assim que entrou em casa, subiu as escadas a passos firmes e parou em frente à porta do quarto dela. Bateu de leve com os dedos na madeira, esperando alguns segundos até ouvir o som arrastado de passos lá dentro. A porta abriu-se lentamente, revelando Annaluz com um semblante fechado, distante e revestido de uma muralha de gelo.— Annaluz... — começou ele, a voz carregada de genuína preocupação. — Como você está? Precisa de alguma coisa? Conseguiu comer algo enquanto eu estive fora?Ela desviou o olhar por um segundo, mantendo os braços cruzados defensivamente contra o peito.— Está tudo bem comigo. Não preciso de nada, obrigada.Ele franziu a testa, notando a man

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