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Capítulo 2

Author: Sea One
A voz da minha mãe veio pelo telefone, quente e decidida.

– Certo. Daqui a uma semana volte para Miami. Eu organizo tudo.

– Mm. Obrigada, mãe… por arranjar o casamento.

Desliguei.

E imediatamente—

Uma voz atrás de mim:

– Casamento? Irene… sinto muito, mas a sua cerimônia com o Don vai ter que ser adiada. De novo.

Virei-me.

O irmão mais novo de Adrian já estava parado atrás de mim, não sei como. Ele suspirou alto.

– Droga. Dessa vez a gente podia ter começado a planejar. Por que mudou de novo?

A expressão no rosto dele dizia tudo — constrangida, desconfortável, e com uma indignação silenciosa por mim, como se até ele achasse que Adrian estava indo longe demais.

– Eu juro que eu…

Eu sabia exatamente o que ele queria dizer.

Ele estava a um passo de falar:

– Eu juro que troquei. Deixei seu nome lá.

Eu lhe dei um sorriso calmo, justamente quando Adrian se aproximou e passou um braço pela minha cintura.

– O que você quer dizer com – casamento?

A voz dele era autoritária, absolutamente segura.

– Preparem esse casamento. Mais cedo ou mais tarde, eu vou tirar o papel certo — a Irene vai estar lá. Ela vai esperar por esse dia.

Ele nem hesitou.

– Se eu não tirar o nome dela, não me caso com mais ninguém. Não vou me casar com outra pessoa.

Antes, ouvir isso teria feito meu coração disparar. Agora, só soava cruelmente irônico.

O irmão dele soltou um suspiro meio brincalhão.

– Don, ninguém espera para sempre. Se um dia ela se casar com outro, você nem vai ter onde chorar.

Mas Adrian sequer considerou o aviso. A confiança dele era absoluta.

– Isso é impossível. A Irene me ama. Ela vai esperar. Não importa quantos anos leve, ela vai esperar até o dia em que eu tirar o nome dela e colocar um anel no dedo dela.

Adrian, você está errado.

Eu não vou me casar com um homem que me chama de principessa com a boca, mas passa cada pensamento calculando e me usando, enquanto finge estar profundamente apaixonado.

E mesmo que no ano que vem meu nome apareça de novo… você só vai trocá-lo como sempre, não vai? Você vai me manter esperando para sempre.

Uma dor aguda atravessou a palma da minha mão.

Só então percebi o quão havia cravado as unhas fundo na própria pele.

A porta do corredor se escancarou.

Sera entrou, ofegante.

No instante em que os olhos dela pousaram em Adrian, ficaram vermelhos.

Ela apontou para mim, a voz falhando.

– Cinco anos, Adrian! Cinco anos sem tirar o nome da Irene. É o destino dizendo que vocês dois não podem ficar juntos! Por que você simplesmente não a deixa ir?

Lágrimas tremiam nos cílios dela.

A voz quebrou em súplica.

– A sua situação com a Irene já virou piada em todos os Grandes Lagos. Se isso continuar, como as famílias Marco e Moretti vão manter o respeito?

A expressão de Adrian congelou na hora.

– Sera, você é minha secretária. Quem lhe deu autoridade para interferir na minha vida pessoal?

– Eu amo a Irene. Ela é a única mulher com quem eu vou me casar. Cinco anos não significam nada. Dez anos não mudam porcaria nenhuma.

A voz dele endureceu, fria.

– Uma família se mantém pela força. E quem ousar rir de nós… eu vou garantir que se engasgue com isso. Em seguida, ele me puxou para mais perto e passou por ela.

Resmungou, irritado, em voz baixa:

– Ela não acerta uma coisa sequer, mas reclama como se fosse mãe de alguém. Impressionante.

Encostei levemente a cabeça no peito dele e perguntei, suave:

– Se ela dá tanto trabalho… por que não a demite?

Um instante antes ele parecia querer estrangulá-la.

Agora, o tom mudou completamente.

– Ela só é direta demais. Não fez nenhuma besteira grande. Não se preocupe, se algum dia passar dos limites, eu garanto que ela desaparece de vez. Já estou farto dela desde que éramos crianças.

Naquele momento, algo se encaixou dentro de mim.

No mundo dele, eu não era uma parceira. Eu era um NPC, programada, previsível, presa em um ciclo que eles escreveram para mim.

Que patético.

Adrian Marco, já se passaram cinco anos.

Eu finalmente estava farta disso tudo.

Essa NPC não vai mais cumprir o programado.
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