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A Loteria do Destino
A Loteria do Destino
Author: Sea One

Capítulo 1

Author: Sea One
Adrian voltou depois de ver Sera e me encontrou esperando por ele na sala de estar. Ele tirou o casaco, me puxou direto para os braços, a voz baixa e carregada de emoção:

– Esperando tão cedo pelo resultado? Minha principessa.

O mordomo trouxe o papel que ele havia tirado. E, como todos os anos, Adrian o segurou com a mesma delicadeza cuidadosa e dolorida, pronto para abri-lo para mim.

Eu o encarei, atordoada. Todos esses anos, eu pensei que a decepção na voz dele, sempre que dizia "não foi dessa vez", era real. Nunca imaginei que fosse tudo uma mera encenação.

Ele segurou meu rosto com as duas mãos.

– Não importa o que esteja escrito aí, meu amor por você não muda. Você sabe disso, não sabe?

Eu sorri para ele, sem som, sem forças.

O mordomo abriu o papel.

Em branco.

Exatamente o que eu tinha colocado ali.

E eu permaneci perfeitamente calma.

As sobrancelhas de Adrian se franziram. Ele percebeu que havia algo errado — percebeu como eu não reagia como em todos os outros anos, sem chorar, sem desabar, sem implorar para que ele me abraçasse.

Ele tentou com cuidado, quase com gentileza:

– Irene? Por que você está tão quieta este ano?

Ele passou os dedos pelo meu cabelo.

– A gente consegue no ano que vem. Se eu não tirar seu nome, não vou me casar com mais ninguém.

Puxei levemente o canto dos lábios.

– Não precisa. Não mais. Você… deveria apenas seguir o plano da família e se casar com a Sera.

Adrian congelou. A expressão dele escureceu, pouco a pouco.

– Irene… você realmente não confia em mim?

– Minha principessa – murmurou, gentil, mas firme –, sim, os anciãos vivem dizendo que me casar com uma herdeira Moretti garantiria minha posição. Eles têm pavor de que a Sera se case com o herdeiro de Detroit e faça meu posto desmoronar da noite para o dia.

Ele soltou uma risada baixa, quase impotente.

– É exatamente por isso que nenhum deles jamais poderia ser o Don.

O polegar dele roçou minha bochecha enquanto falava, a voz baixa, calma e absolutamente segura:

– Poder não se constrói com quem eu me caso. Se constrói com os cassinos que eu possuo, os portos que operam sob o meu nome e o dinheiro que eu movo, o suficiente para que até os federais pensem duas vezes antes de bater à minha porta.

Ele suspirou, estendendo a mão para mim.

– Eu só amo você. Você é a única com quem eu sempre quis me casar. Por que você acha que eu brigo com eles todos os anos?

Eu me afastei das mãos dele sem fazer barulho algum. Então perguntei, em voz baixa:

– Você nunca se sentiu culpado em relação à Sera, sentiu?

Adrian parou.

Depois soltou uma risada suave, sem jeito.

– Claro que não. Amor não pode ser forçado.

– Admito que ela sacrificou muita coisa por mim. Nascida herdeira Moretti, e mesmo assim ficou ao meu lado como nada além de minha assistente.

– Teve uma vez em que ela bebeu demais, se agarrou a mim, chorando… dizendo que o dia do meu casamento seria o dia mais sombrio da vida dela.

– Mas ela e eu sabemos a verdade. Ela sabe que eu não a amo. Ela sabe que eu só amo você.

– Tudo o que posso dizer é… talvez o motivo de eu não ter tirado seu nome todos esses anos seja… vontade de Deus.

Meu peito ficou gelado.

E, de repente, eu entendi tudo.

Era por isso que ele concordou com aquela regra estúpida de sortear um nome e casar com quem saísse no sorteio. Se ele tirasse meu nome, teria que se casar comigo — e todos achariam que ele estava quebrando o acordo entre as famílias. Problemas. Pressão. Perguntas que ele não queria enfrentar.

Mas se meu nome nunca aparecesse… ele poderia me manter ao lado dele, sem nunca precisar colocar um anel no meu dedo, sem nunca arriscar sua posição como Don.

Meus quatro anos de espera não foram lealdade.

Foram a forma dele de apaziguar a Sera e manter firme seu título de Don dos Grandes Lagos.

Ele já tinha me descartado na própria cabeça, já tinha me usado quando lhe era conveniente — e ainda tinha a audácia de me olhar como se fosse ele quem mais amava.

Quando começamos a namorar, Sera foi forçada a adiar o noivado com ele por minha causa. Em um banquete, as pessoas apontavam para ela, zombando por ter sido deixada de lado por Adrian.

Eu estava no fim do salão, observando-a cercada, pálida, apertando o copo nas mãos.

E o Adrian?

Ele não lhe deu nada além de um olhar frio, depois fechou a mão em torno da minha e me puxou para longe.

Naquela época, eu pensei que aquilo fosse devoção.

Achei que ele estava me escolhendo com uma determinação inabalável.

Todos aqueles suaves – minha principessa – pareciam amor.

Mas agora estava dolorosamente claro:

Se ele se casasse com a Sera, me perderia.

Se se casasse comigo, poderia perder o título.

Então escolheu não se casar com nenhuma das duas — e disfarçou isso como "escolha de Deus" por meio daquele sorteio, para não precisar perder absolutamente nada.

O Natal sempre foi meu dia pessoal de sofrimento, mas este ano… este ano é o pior.

E ainda assim — por mais que doa — pelo menos agora eu vejo a verdade.

E terminei de ficar presa nisso.

Fui para um canto vazio, peguei o celular e liguei para minha mãe.

– Qual foi o resultado do sorteio este ano? – ela perguntou, com a voz cheia de preocupação.

– Vocês dois podem se casar?

– Mãe… eu estou voltando para casa. Vou aceitar aquele noivado que você e o papai arranjaram.
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