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Capítulo 4

Author: Jane Above Story
(PONTO DE VISTA DE AVERY)

Alguns dias depois, parei diante do espelho. Puxei a gola da camisola no ponto onde o ombro encontrava o pescoço. Minha marca de mordida já estava cicatrizada. Foi incrivelmente rápido. Toquei a pele lisa, sem acreditar.

Agora não havia nenhuma indicação visível do que aconteceu sob a Lua de Acasalamento. Eu sabia que a marca ainda estava lá, mas estava selada internamente, invisível para os outros. Se ao menos eu pudesse encontrar o homem que se acasalou comigo! No entanto, como minha loba estava latente, eu não conseguia sentir meu companheiro através do vínculo. Eu não tinha como encontrá-lo ou me comunicar com ele. Eu sequer sabia como era o rosto dele!

Hoje era o Baile de Acasalamento em que o Alfa da Nightwolf escolheria sua noiva. Eu precisava encontrar alguém que me aceitasse até o fim do dia, ou meu pai me mataria para salvar as aparências. Parecia uma tarefa impossível.

Um alvoroço começou no andar de baixo. Levantei a cabeça, escutando.

— O Alfa Gideon está prestes a chegar! — Ouvi minha madrasta gritar. — Terminem os preparativos!

O tom de Zara era tenso e temeroso. O Alfa Gideon não era alguém com quem se pudesse brincar.

Pressionei a mão sobre o coração, sentindo-o martelar contra a palma. Eu podia ouvi-lo claramente no silêncio do meu quarto empoeirado. Era hora de sair, mas quando tentei abrir a porta, a fechadura estalou alto. Do outro lado, ouvi a risada de Zara.

— Ninguém te quer de qualquer maneira. É melhor esperar pela morte, querida irmã!

(PONTO DE VISTA DE GIDEON)

Ser o Alfa da Nightwolf significa lidar com uma quantidade imensa de burocracia inútil. "Tradição" era uma palavra venerável que, às vezes, parecia mais uma maldição venenosa. Aprendi há muito tempo a encarar deveres desconfortáveis de frente, mas havia poucas obrigações que eu desprezava mais do que esta.

Era o dia da seleção de companheira. Fiz o meu melhor para me distrair da tarefa desagradável que viria. Espalhados sobre o assento de couro ao meu lado estavam dossiês espessos detalhando os relatórios mais recentes de ataques em meu território. Mas a papelada não era suficiente para ocupar minha mente ultimamente.

Enquanto meu motorista guiava o sedã elegante pela floresta densa, observei redemoinhos de névoa subindo acima das árvores. O movimento me lembrou de uma mulher, arqueando as costas de prazer sob mim no solo da floresta. Ela também havia se fragmentado e desaparecido.

— Ainda sem sinal daquela garota daquela noite? — Perguntei bruscamente. Saiu com mais rispidez do que eu pretendia, e meu Beta, sentado à minha frente, arregalou os olhos.

— Minhas desculpas, Alfa. — Tegan respondeu com cautela. — Nenhuma nova mulher marcada foi relatada em nenhuma alcateia que pesquisei.

Tamborilei os dedos no assento, carrancudo. Dentro de mim, meu lobo andava de um lado para o outro, irritado.

— Continuem procurando. A qualquer custo.

Tegan estremeceu, mas não disse nada enquanto o carro parava no salão de cerimônias da Silvermoon. Saí do carro e arrumei meu paletó. Um grupo de mulheres perto da porta me observava com admiração. Seus cheiros eram uma mistura de curiosidade e medo. Eu sabia o que diziam sobre mim e as coisas que fiz. Eu não poderia me importar menos.

Caminhei em direção ao velho Alfa da Silvermoon.

— Alfa Gideon! — O velho Alfa Leon acenou em saudação. — Sinto-me honrado em recebê-lo.

— Alfa Leon! — Respondi secamente, cansado das formalidades. — Soube que houve uma incursão de renegados aqui há algumas noites. Encontrei alguns deles também. Vocês conseguiram localizá-los? Parece que estão vindo de algum lugar perto de suas fronteiras.

O rosto do velho assumiu uma expressão distante.

— Oh, bem, vejamos... Ainda não conseguimos localizá-los. Tivemos outros incidentes que exigiram nosso foco.

A irritação borbulhou em mim.

— Então sugiro que foquem nisso... — Respondi entre dentes — E parem de causar problemas que eu terei que limpar.

O silêncio caiu sobre o salão. Alfa Leon teve sorte de ter sentido apenas uma amostra do meu temperamento. Se a alcateia dele estivesse patrulhando corretamente, minha companheira não teria sido quase atacada. Eu não teria precisado reivindicá-la ali mesmo na floresta para acalmar meu lobo e, se tivesse sido paciente o suficiente para levá-la à minha casa, ela não teria fugido na manhã seguinte.

No meio do desfile interminável de candidatas, um homem se aproximou.

— Sou Cohen, o Gamma da alcateia, Alfa Gideon. — Disse ele. — Quais pretendentes mais lhe interessaram até agora?

Olhei para todas as garotas na sala e cruzei os braços. Nenhuma diferença.

— Eu realmente não me importo. Qualquer uma serve. Mas, antes de aceitar voluntárias, precisam saber: Não vou marcar quem eu escolher hoje. Estejam preparadas para isso.

— Mas a tradição... — Leon hesitou.

— A tradição não me obriga a marcar ninguém. Apenas o casamento — Cortei-o. — Eu já tenho uma companheira marcada.

O salão se encheu de apreensão. Ninguém queria ser escolhida sob essas condições: por um Alfa implacável e com uma "amante" marcada para competir no futuro. Eu estava satisfeito; era melhor que ninguém se voluntariasse.

— Então, qualquer uma serve. — Virei-me para o Gamma. — Talvez sua filha?

— Oh... ela... ela já está comprometida com o Ryan. Então... — O Gamma claramente entrou em pânico e gaguejou.

— Pai, como você pôde esquecer da Avery? — Uma das garotas deu um passo à frente e virou-se para mim. — Alfa Gideon, sou Zara. Perdoe meu pai por não mencionar que também tenho uma irmã. Ela o admira muito, mas não está aqui porque não tem se sentido bem. Talvez queira conhecê-la?

Havia algo no sorriso de Zara que me cheirava a algo vicioso. Ainda assim, todas as mulheres, exceto minha companheira predestinada, eram iguais para mim.

— Ótimo. Traga-a para mim.

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