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Capítulo 4

Author: Morcego
Às seis da manhã, um gemido repentino meu despertou Kane de sobressalto.

— A bolsa da Luna rompeu. A frequência cardíaca fetal está caindo de forma contínua.

Depois de me examinar, a curandeira afirmou que a situação era urgente e que a cirurgia precisava ser realizada imediatamente.

Às oito horas, levaram-me de maca para a ala cirúrgica.

Kane segurou minha mão durante todo o caminho. Quando chegamos à porta, ele ainda se recusava a soltá-la.

— Alfa, os familiares não podem entrar, — Lembrou a enfermeira.

Kane pareceu não ouvir. Inclinou-se e pressionou a testa contra a minha.

— Vou ficar bem aqui fora. Chame por mim pela conexão mental no instante em que sentir medo.

Então, perguntei:

— E se desta vez não for apenas o filhote? E se eu também não sobreviver?

As pupilas dele se contraíram. Kane segurou meu rosto com uma das mãos.

— Não pense assim. Desta vez, você e o filhote ficarão bem.

Eu sorri.

— Está bem.

As portas da ala cirúrgica deslizaram até se fechar, deixando Kane do lado de fora.

Vivian também estava lá.

Ela permanecia sentada na extremidade oposta do corredor, segurando com força sua velha bengala.

Assim que Ethan a viu, seu rosto ficou frio.

— Quem deixou você entrar?

— Vim dar as boas-vindas ao meu terceiro filhote. E este será o último.

Vivian olhou para Kane.

— Você me prometeu.

Kane fechou os olhos.

— É o último. Depois que essa dívida for paga, você deixará o território da Alcateia Lua Prateada e nunca mais aparecerá diante de Elena.

Vivian sorriu.

— Tudo bem. A partir de hoje, estamos quites.

Dez minutos após o início da cirurgia, uma dor surda surgiu de repente no peito de Kane.

Ele levou a mão ao coração.

Do outro lado da conexão mental, meu medo avançou contra ele como uma onda gigantesca.

— Elena?

Kane chamou por mim através do vínculo, mas não recebeu resposta.

Em seguida, veio uma dor ainda mais aguda, como se alguém usasse uma lâmina enferrujada para separar à força duas almas entrelaçadas.

O rosto de Kane perdeu toda a cor. Ele correu em direção à sala de cirurgia.

— Abram a porta!

— Alfa, a cirurgia ainda está...

— Eu mandei abrir!

Alarmes começaram a soar do lado de dentro. Passos se espalharam pela sala, enquanto várias vozes se misturavam.

— A pressão arterial está caindo!

— E a frequência cardíaca fetal?

— Não há mais batimentos fetais!

— Frequência cardíaca materna em quarenta... vinte...

— Preparem a reanimação!

Kane ficou paralisado diante da porta.

Vivian também se levantou.

— Como isso pôde acontecer? A curandeira disse que seria apenas um parto normal.

Kane se virou para ela. Pela primeira vez, o medo apareceu em seus olhos.

— Três partos seguidos já destruíram o corpo dela. Agora, com essa complicação... Elena não vai sobreviver.

— Eu avisei!

Com os olhos injetados, Ethan agarrou Kane pelo colarinho.

— A curandeira também avisou você!

Mal as palavras terminaram de sair, um leve estalo ecoou na mente de Kane.

Crac.

A conexão mental que o ligava a mim se rompeu.

Nas profundezas de sua alma, o lobo interior de Kane soltou um uivo de pura agonia.

As pernas dele cederam, e seu corpo atingiu o chão com força.

— Não...

Suas garras rasgaram o vazio diante dele, como se pudessem alcançar o lugar onde nossa conexão mental existia.

— Elena, responda. Você odeia sentir dor, não é? Pode me xingar, pode implorar... Eu não me importo. Apenas diga alguma coisa.

A única resposta foi o longo som contínuo do monitor cardíaco, vindo da sala de cirurgia.

Um instante depois, a porta se abriu.

A curandeira retirou as luvas manchadas de sangue. Seu rosto não demonstrava qualquer emoção.

— Oito e trinta e sete da manhã. O coração da mãe parou de bater. O filhote também não sobreviveu. Sinto muito, Alfa. A Luna não resistiu.

Kane ergueu lentamente a cabeça, como se não compreendesse o que ela dizia.

— Morta?

— Quando uma companheira predestinada morre, a conexão mental se rompe para sempre.

A curandeira baixou o olhar.

— O senhor deveria saber disso melhor do que eu.

A maca saiu da sala.

Sob o lençol branco, uma mão pálida pendia sem vida. No dedo anelar, estava o anel com a lua cheia que Kane colocou em meu dedo na noite anterior.

Kane avançou e arrancou o lençol.

O rosto sob o tecido não tinha qualquer cor. Não havia respiração nem movimento no peito.

Até mesmo o aroma que me identificava como sua companheira predestinada desapareceu por completo.

— Não...

Kane balançou a cabeça.

— Ela estava falando comigo hoje de manhã. Perguntou o que aconteceria se também não sobrevivesse desta vez.

Ele puxou o corpo que começava a esfriar para os braços. Suas garras se cravaram nas próprias palmas, e o sangue pingou sobre o lençol branco.

— Eu não queria que você morresse. Elena... eu só queria pagar aquela dívida. Pensei que teríamos mais tempo. Achei que você continuaria esperando por mim.

A conexão mental permaneceu em silêncio.

Ninguém jamais voltaria a responder.

...

Eu estava sentada no carro que seguia rumo ao norte, acompanhando as imagens das câmeras de segurança pelo tablet.

Na tela, Kane estava desmoronado diante da sala de cirurgia, abraçado ao corpo que deixei para trás.

O feitiço da bruxa enganou seus sentidos e rompeu nossa conexão mental.

Daquele momento em diante, para Kane e toda a Alcateia Lua Prateada, eu estava morta.

Do lado de fora da janela, a familiar floresta de cedros ficava cada vez mais distante.

A bruxa, sentada no banco da frente, olhou para mim pelo retrovisor.

— Assim que cruzarmos o marco de pedra da fronteira norte, eles nunca mais encontrarão você.

Desliguei a transmissão e pousei a mão sobre a barriga.

O filhote se mexeu, como se sentisse meu toque.

Ele estava vivo.

Dali em diante, não seria o filho do Alfa, o herdeiro da alcateia, e nem o pagamento de uma dívida.

Seria apenas meu filhote.

Eu o levaria para um lugar que Kane jamais poderia alcançar. Nós viveríamos e ficaríamos bem.

O marco de pedra da fronteira norte surgiu à frente no exato momento em que os primeiros raios da alvorada cortaram o céu.

Não olhei para trás.

— Kane, acabou entre nós.
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