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capítulo 4

last update publish date: 2026-07-14 04:06:10

Os cinco saíram do quarto em silêncio.

Ainda estavam com as mesmas roupas da noite anterior.

Os ternos escuros.

Os cabelos ainda perfeitamente alinhados, apesar da noite sem dormir.

Mas havia algo diferente neles.

Eles não estavam indo como filhos obedientes.

Estavam indo como homens que tinham tomado uma decisão.

Quando chegaram ao escritório, Donatello abriu a porta sem anunciar.

Mateus levantou os olhos dos documentos sobre a mesa.

Ele observou os cinco.

— Vocês ainda estão com essas roupas?

Ninguém respondeu.

O patriarca recostou-se na cadeira.

— O que vocês querem aqui?

Donatello foi direto.

— Falar dela.

Por alguns segundos, o escritório ficou em silêncio.

Então Mateus soltou uma risada baixa.

— Ah.

Ele levantou lentamente.

— Claro.

O olhar dele ficou frio.

— Vocês acham mesmo que eu não sei?

Os cinco ficaram imóveis.

— Vocês estão com essa garota há sete anos.

A mandíbula de Ângelo travou.

— Sete longos anos.

Mateus caminhou pelo escritório.

— Está na hora de trocar.

O olhar dele era cruel.

— Uma carne nova.

O silêncio ficou pesado.

Os cinco olharam para o pai com uma expressão que poucos homens no mundo teriam coragem de mostrar.

Raiva.

— Essa garota é bonita — Mateus continuou. — Tem olhos claros, tem um corpo bonito. Eu sei muito bem por que vocês ficaram presos nela por tanto tempo.

Ele parou diante deles.

— Principalmente porque foram vocês que ensinaram ela a ser mulher.

A frase fez o ar mudar.

Donatello deu um passo à frente.

— Cuidado com as palavras.

Mateus apenas sorriu.

— Estou falando a verdade.

Ele voltou para a mesa.

— Mas a verdade é que ela não é nada.

Aquelas palavras fizeram os cinco ficarem ainda mais frios.

— O tempo dela aqui acabou.

Roivan fechou as mãos.

— Ela é da nossa família.

Mateus soltou uma risada.

— Família?

Ele apontou para os corredores da mansão.

— Ela só está aqui porque vocês fazem questão.

Ele começou a enumerar como se estivesse falando de coisas sem importância.

— Ela vive em uma ala luxuosa. Tem os melhores aposentos. Tem sofá, camas grandes, espaço suficiente para vocês cinco ficarem com ela.

Os olhos dos irmãos escureceram.

— Vocês dão joias.

Uma pausa.

— Roupas caras.

Outra pausa.

— Tudo que uma mulher poderia querer.

Mateus encarou os filhos.

— Mas não esqueçam uma coisa.

A voz dele ficou dura.

— Ela continua sendo filha de empregados.

Silêncio.

— Os pais dela morreram. Se ela não serve mais aqui dentro como empregada, então vai para a rua.

Chunal deu um passo à frente, furioso.

— Ela nunca foi uma empregada para nós.

Mateus olhou para ele.

— Mas para o mundo ela é.

A frase caiu como uma sentença.

— Vocês cinco vão se casar com mulheres do nível de vocês.

Ele voltou a se sentar.

— Mulheres com sobrenome. Poder. Alianças.

Então olhou para cada filho.

— Vocês vão construir o futuro dessa família.

Um silêncio.

— Vocês vão dar herdeiros para esse império.

Mateus apoiou as mãos na mesa.

— Isso não está em discussão.

Durante anos, aquela frase teria encerrado qualquer conversa.

Mas não dessa vez.

Donatello ficou parado diante do pai.

E quando falou, sua voz estava baixa.

Mas carregada de ameaça.

— Então o senhor ainda não entendeu.

Mateus estreitou os olhos.

— Entender o quê?

Donatello encarou o próprio pai.

— Que pela primeira vez na vida…

Ângelo ficou ao lado dele.

Miguelito, Roivan e Chunal também.

Os cinco juntos.

Como sempre deveria ter sido.

— Nós não viemos pedir permissão.

Mateus ficou olhando para os cinco filhos.

Por alguns segundos, ninguém disse nada.

O escritório, que sempre foi um lugar onde homens entravam com medo, agora parecia pequeno demais para aquela tensão.

Ele soltou uma risada fria.

— Vocês estão me desafiando por causa de uma garota?

Donatello não desviou o olhar.

— Não.

A resposta fez Mateus erguer uma sobrancelha.

— Então por quê?

Donatello respirou fundo.

— Porque o senhor está falando da única pessoa que esteve ao nosso lado antes de termos qualquer poder.

Ângelo se aproximou.

— Quando ninguém conhecia nossos nomes, ela já estava aqui.

Miguelito continuou:

— Quando todos tinham medo de nós, ela era a única que entrava no nosso quarto sem medo.

Roivan olhou para o pai.

— Quando o senhor queria que ela fosse lembrada como alguém inferior, nós vimos quem ela realmente era.

Chunal, que sempre foi o mais impulsivo, bateu a mão na mesa.

— Ela não é um objeto que pode ser descartado quando deixa de ser conveniente!

Mateus ficou sério.

— Cuidado.

Apenas uma palavra.

Uma ameaça.

Mas dessa vez nenhum deles recuou.

— O senhor passou anos ensinando que essa família não se curva para ninguém — Donatello falou. — Nós aprendemos.

Ele deu um passo à frente.

— Mas parece que o senhor esqueceu que essa regra também vale para nós.

Mateus levantou.

— Vocês acham que podem jogar fora tudo que construí?

Ângelo respondeu:

— Não.

Uma pausa.

— Mas também não vamos deixar que o senhor jogue fora uma pessoa.

O patriarca encarou os filhos.

— Vocês têm ideia do que estão dizendo?

— Temos.

Donatello olhou para os irmãos.

— Se ela não tem lugar nessa família…

Ele fez uma pausa.

— Então nós também não temos.

O silêncio foi absoluto.

Até Mateus pareceu surpreso.

Porque ele esperava rebeldia.

Esperava uma discussão.

Mas não esperava que seus filhos colocassem o próprio império em risco.

— Vocês abandonariam tudo?

A voz dele ficou mais baixa.

— O nome. O poder. A herança?

Donatello não hesitou.

— Se for o preço para ela ter uma vida onde não precise se sentir um lixo todos os dias…

Ele encarou o pai.

— Sim.

Mateus ficou imóvel.

Durante toda a vida, ele tinha criado homens frios.

Homens capazes de tomar decisões difíceis.

Mas nunca imaginou que a maior decisão deles seria contra ele.

— Vocês estão cegos — Mateus disse.

Roivan balançou a cabeça.

— Não.

Ele olhou para a porta.

— Nós só demoramos tempo demais para enxergar.

Nesse momento, Mateus percebeu algo.

Aquela garota que ele considerava uma fraqueza…

Era justamente o motivo que tinha unido os cinco filhos contra ele.

A única pessoa capaz de fazer aqueles homens escolherem sentimento em vez de poder.

Donatello abriu a porta.

Antes de sair, olhou uma última vez para o pai.

— Os casamentos podem esperar.

Mateus ficou em silêncio.

— Mas ela não.

E os cinco saíram do escritório.

Pela primeira vez…

Não como herdeiros da máfia.

Mas como homens que tinham escolhido a mulher que amavam.

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