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Capítulo 2

Autor: Bagel
Sobre a cama enorme, a lingerie de renda de Ruby estava emaranhada com o terno de Alexander.

Na parede, a única fotografia dos meus pais havia sido estraçalhada. Marcas de garras eram claramente visíveis nas bordas.

Aquela era a única lembrança que me restava depois que perdi meus pais em um ataque de lobos renegados.

Com as mãos trêmulas, recolhi do chão os pedaços espalhados. Segurando aqueles rostos rasgados entre os dedos, desabei no chão, tão despedaçada quanto a fotografia. Mordi o lábio com força para impedir que meus soluços escapassem.

Enquanto isso, os respingos e as risadas no banheiro continuavam.

Apertei alguns pedaços da fotografia na mão, levantei e corri até a porta do banheiro.

Naquele exato momento, a porta se abriu.

Alexander saiu carregando Ruby nos braços, enquanto o vapor branco envolvia os corpos dos dois.

Gotas de água deslizavam pelo peito largo dele. Ruby estava aninhada em seus braços, completamente nua.

Assim que me viu, bateu palmas e soltou um grito estridente:

— A aberração sem loba voltou!

Lancei um olhar fulminante, sentindo um peso sufocante se instalar em meu peito.

Antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa, Alexander franziu a testa.

— Ruby não está bem. Eu só estava a ajudando a se lavar. Por que está olhando assim para ela?

Sem esperar uma resposta, ele se virou e colocou Ruby delicadamente sobre nossa cama.

Com movimentos hábeis, secou o corpo dela e a vestiu com uma camisola de seda. Alexander não deixou uma única gota para trás, desde a pele atrás das orelhas até os espaços entre os dedos. Em seguida, esfregou óleo perfumado por todo o corpo dela.

Ruby lançou um sorriso presunçoso em minha direção antes de fazer biquinho para Alexander.

— Você prometeu que só você daria banho em mim, não foi, Alex?

Sem pensar duas vezes, Alexander sorriu com ternura.

— Sim, eu prometi.

Apertei com força os pedaços da fotografia. Uma onda esmagadora de tristeza quase partiu meu coração.

Então era por isso que, na semana anterior, ele chamou uma enfermeira em vez de me carregar de volta para a cama depois que caí no chuveiro do hospital.

Alexander jamais quebrava a promessa de que só ele daria banho em Ruby.

Cada promessa feita a ela era importante, mas ele se esqueceu por completo da que fez a mim. Dez anos antes, em uma cabana fria por cujas frestas o vento entrava, um Alfa que estava no fundo do poço jurou à Deusa da Lua que me protegeria com a própria vida.

Permaneci em pé atrás deles. Minha garganta estava seca, e minha voz saiu rouca:

— Alexander... Por favor, apenas me deixe ir. Não aguento mais.

O quarto mergulhou em completo silêncio.

Depois de uma longa pausa, Alexander se inclinou para cobrir Ruby com o edredom e ajeitou os fios soltos do cabelo dela.

— Seja boazinha. Vá dormir.

Em seguida, se virou, agarrou meu pulso com força e me arrastou para fora do quarto. As crostas das queimaduras em minha pele se abriram no mesmo instante, e o sangue encharcou meus curativos.

Por uma fração de segundo, eu o vi estremecer. Ele sentiu a dor aguda por meio do nosso vínculo de companheiros, mas reprimiu qualquer reação.

Alexander me puxou para seus braços no corredor mal iluminado.

— Ah, Evie, você só está chateada. Não está falando sério. Meu dia foi longo, amor. Não vamos dizer bobagens. — Murmurou.

Ergui os olhos para ele e soltei uma risada vazia.

— Exausto? Estava ocupado demais vasculhando o território à minha procura?

Alexander evitou meu olhar.

— Evie, vou mandar preparar nossa cerimônia para selar o vínculo na fronteira oeste. Levarei apenas você comigo, Ruby ficará de fora. Não haverá mais acidentes.

Ele tentou suavizar a voz:

— Pare de ficar brava comigo, está bem?

A pressão dos dedos dele sobre minha mão afrouxou de repente. Alexander franziu levemente a testa e me soltou, fingindo que nada aconteceu.

Compreendi no mesmo instante.

Ele sentiu sob os dedos a textura áspera das queimaduras de prata em meu pulso. Ficou imóvel por um breve momento e desviou depressa os olhos.

Eu sabia que Alexander não queria olhar para minhas cicatrizes. Ele sempre evitava encarar a realidade do meu corpo destruído.

Ao ver meus olhos marejados, pude perceber que por apenas uns instantes, ele sentiu pena de mim. No entanto, quando estava prestes a me puxar novamente para os braços, Ruby gritou dentro do quarto.

Alexander se virou por instinto e correu para lá. Ao fazer isso, seu braço me atingiu e me derrubou no chão.

Ele nem sequer percebeu.

Sentada no piso gelado, soltei uma risada fraca.

Peguei o celular e liguei para o advogado da alcateia.

— Prepare os documentos oficiais de rejeição do vínculo e encaminhe-os ao Sumo Sacerdote. Além disso...

Fiz uma pausa antes de continuar:

— Venda todas as ações que possuo na alcateia ao Alfa Gideon por um valor baixo. Tenho certeza de que o Alfa da alcateia Eclipse vai adorar esse pequeno presente.

Pela fresta da porta, vi Alexander segurando Ruby nos braços para consolá-la. Depois, ele a deitou novamente na cama.

Sob a luz fraca da arandela, Ruby apoiou o queixo no ombro dele e encontrou meu olhar. Um sorriso presunçoso se formou em seus lábios.

Aquele sorriso era perfeitamente lúcido e calculista. Não parecia ser o de alguém com a mente debilitada.

Um pensamento aterrorizante atravessou minha mente, fazendo meu corpo inteiro se cobrir de suor frio.

Se o que eu estava pensando fosse verdade...

Chamei a criada de plantão e baixei a voz, pedindo que acessasse as gravações das câmeras de segurança daquele mês.

A criada manteve a cabeça baixa.

— As câmeras pararam de funcionar na semana passada. O Alfa não mandou consertá-las.

Meu coração afundou. Era exatamente como eu suspeitava.

Reprimi a raiva e fiz outra pergunta:

— Alguém mexeu no meu closet recentemente? Principalmente nos vestidos caros e nas joias?

A criada pareceu constrangida e engoliu em seco.

— Ruby achou divertido jogar tudo na lareira.

Ao ver meu rosto pálido, ela se apressou em acrescentar:

— O Alfa disse que era para deixar Ruby queimar tudo e se divertir.

A raiva em meu peito se intensificou. Cerrei os punhos até as unhas se cravarem em minha pele.

Fui até o quarto de hóspedes mais distante e tranquei a porta. Vencida pela exaustão absoluta, só consegui adormecer às três da manhã.

Meu sono, porém, durou pouco.

De repente, alguém despejou o conteúdo de uma panela cheia de líquido escaldante diretamente sobre minha cabeça.

Um cheiro fétido e amargo invadiu minhas narinas. A queimadura era tão intensa que meu couro cabeludo ficou dormente.

Abri os olhos em meio à dor e vi Ruby avançar sobre mim. Suas garras afiadas arranharam meu rosto.

— Sua vadia! Este território é meu! Saia daqui!

A agonia das queimaduras me fez arfar.

A empurrei com força para afastá-la, e Ruby caiu de costas no chão.

No instante seguinte, antes que eu pudesse reagir, duas mãos fortes me empurraram com violência.

Meu corpo foi lançado para trás, e a parte de trás da minha cabeça se chocou com força contra a parede de pedra.

Então, senti um filete quente escorrer pela nuca.
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Último capítulo

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