LOGIN***Lucca Schutz***
Começo a escutar uma voz doce me chamando lá fundo da minha mente, mas eu queria apenas dormir mais um pouco, como aquela voz ainda insistiu a minha mente me forçou a voltar à realidade.
— Senhor, nós já chegamos — desperto completamente com o chamado da comissária de bordo, finalmente cheguei, respiro fundo para me ajudar a acordar, então aquela voz doce que estava me chamando era a dela, pelo menos é bonita e educada.
— Obrigado — a respondo ainda meio sonolento, mas pegando a minha mala de mão para descer do avião.
Não tenho pressa para pegar as minhas outras malas, afinal não tem ninguém me esperando, fiz questão de não avisar ninguém da minha chegada antecipada. Essa surpresa arranca um sorriso meu e percebo que tem pessoas me olhando, realmente estou em casa, somente aqui tenho essa atenção toda, sempre foi assim, tenho qualquer um ou qualquer uma, a minha disposição é só chamar.
Enquanto estive fora do país, a minha vida era mais reservada, a diferença aqui é que as pessoas são mais diretas e atiradas. Não posso negar que senti falta dessa dinâmica.
Lá fora não preciso ter um cuidado maior para que o caso de uma noite não vire um relacionamento, pelo menos do outro lado. Já que para mim isso está completamente fora de questão.
O meu ego agradece toda essa atenção, mas estou realmente cansado e quero a minha cama, vou em direção à saída e para o meu espanto encontro o meu pai parado na porta com uma feição de poucos amigos.
— O que pensou? Se é que pensou em alguma coisa, esse menino ainda quer me matar do coração — ele nem espera eu chegar perto para começar a brigar comigo, tento segurar o sorriso, mas ele acaba escapando como senti falta desse velho.
— Também senti saudades pai — a minha fala sai mais debochada do que eu queria e levo um tapa na nuca por isso — Isso dói, sabia?
— É para doer mesmo, quem sabe assim o seu juízo retorna para o lugar, se ainda sobrou algum juízo que lutamos tanto para colocar na sua cabeça — ele nos faz parar de andar e sorrindo me abraça forte — Estava com saudades também, seja bem-vindo de volta.
— É ótimo estar de volta, mas como descobriu que viria mais cedo?
— Estou de olho em você tem um tempo — ele me responde sem me olhar, apenas dando de ombros como se não fosse nada.
— Pai…
— Não preocupe, são mudanças boas.
— Para quem? — não consegui disfarçar nem o meu tom de voz, nem as minhas feições com essa resposta dele, afinal, dos dois eu esperava tudo, claro que não seria nada de ruim, mas ainda, sim, podem ser as mais chocantes.
— Para nós — o meu olhar de descrença o fez gargalhar — A sua mãe e eu principalmente.
— O que está aprontando?
— Vamos para casa que explico tudo com detalhes, estou cansado de ficar te esperando aqui neste aeroporto.
— Na verdade, pai, gostaria de ir para o meu apartamento…
— De forma alguma, estou proibido de voltar para casa sem você, depois você terá o seu tempo com as suas amiguinhas — as caretas que ele faz quando o assunto é a minha vida sentimental são as melhores.
Esse comentário ácido dele me fez gargalhar e assim foi o caminho até a casa dos meus pais, aqui em Foz do Iguaçu tenho o meu próprio apartamento, mesmo morando fora há tanto tempo, foi um pedido que fiz e a minha mãe tomou frente o mantendo sempre habitável.
Nem consigo entrar em casa e dona Sara já pula no meu pescoço me abraçando, não nego eu a abracei de volta a tirando do chão e a rodando no ar, a minha mãe é considerada uma pessoa de altura alta, porém ainda, sim, é menor quando está próxima tanto do meu pai quando a mim.
— Estava com saudade dona Sara — nem termino de falar e já levo um tapa no braço, ela andou malhando ou já desacostumei com a sua força, então fico passando a mão no local por estar ardendo.
— Não abusa — ela se solta arrumando o seu cabelo, tentando manter a sua pose brava — E nem começa com esse costume novamente — ela odiava quando a chamava pelo nome e claro que na minha fase rebelde eu só a chamava assim.
— Não vou mãe, falei apenas para te ver brava mesmo.
— Menino, você brinca com fogo — o meu pai sai rindo nos deixando a sós.
— Mãe — ela resmunga “hum” abraçando o meu braço enquanto vamos até a sala — Sabe o motivo de estar aqui? Ter que voltar?
— Sei, mas o seu pai vai conversar com você, não se preocupe.
Estava com muita saudade dos dois, enquanto estudava fora aproveitei as minhas boas amizades para abrir um negócio para nos render o sustento, não queríamos viver à custa dos nossos pais, mas com a exigência do meu pai com o meu retorno fui obrigado a me afastar das minhas responsabilidades e fiquei apenas como acionista.
Eu tinha uma vida estabilizada, mas não poderia negar um pedido dos meus pais, afinal sou o único filho e não tenho essa coragem de os desapontar. Por mais independente que venho vivendo os seus conselhos sempre levo em consideração.
O meu pai me olhava intensamente enquanto a minha mãe me repreendia por não ter sossegado ainda e encontrado uma pessoa no mínimo decente para casar, ela me fala desde a adolescência que ainda vou me apaixonar por uma mulher que não vai me dar bola e que mesmo assim beijarei os seus pés.
O meu pai apenas ria dessas suas “pragas” afinal foi exatamente isso que aconteceu com ele, a dona Sara o colocou na coleira onde ele permanece até hoje de bom grado. Mesmo com todas essas brincadeiras eles sempre torceram e me apoiaram em todas as minhas decisões, desde é claro que não sejam negativas, essas, a minha mãe intervém me mostrando todos os lados e consequências.
— Lucca, vou direto ao ponto — o meu pai volta a falar, após a longa bronca da minha mãe sobre os meus casos de uma noite só — Vou me aposentar e quero que assuma o controle das empresas, por isso pedi para voltar completamente.
— Querido, acho que ele não esperava — a minha mãe fala segurando o riso ao me ver completamente petrificado olhando para o meu pai, eu sabia que viria algo chocante disso tudo, só não sei o que esperar, o meu medo é o que está motivando essa mudança.
— Não, na verdade, não esperava mesmo mãe, não tão cedo — falo olhando atentamente para os dois — Existe algum motivo específico para isso? — eu precisava perguntar, mesmo com medo da resposta, não quero ficar no escuro.
— Sim, estou velho e quero curtir a minha esposa enquanto ainda dou conta — escuto a minha mãe soltar um grito com ele, mas consigo apenas rir e observar o meu pai a abraçar na tentativa de acalmar a fera que ele provocou.
— Isso é coisa para se dizer Klaus? Quer me matar de vergonha?
— Querida, o seu filho é o maior galinha da família, acha mesmo que ele ficou constrangido?
— Eiiiiiiii, como assim o galinha da família? — o meu pai me olha segurando o riso me fazendo se arrepender da pergunta no mesmo momento — Esquece, não responda por favor, mas sei que essa informação tem algumas exigências junto.
— Sim, como passou muito tempo fora não está mais habituado à nossa rotina, então quero que você…
— Passe por todos os setores — completo a sua frase, o fazendo sorrir — Não vejo problema, na verdade, estou aliviado que seja apenas isso.
— Você diz isso agora — a minha mãe pensa alto e depois nega com as mãos, fazendo o meu pai rir, não sei se estão escondendo mais alguma coisa ou se ela se refere aos acionistas que ainda me enxergam como uma criança.
— Você vem comigo para Londrina, irá ficar em um dos apartamentos perto do escritório onde vai vivenciar todos os setores e posições daquela filial — ali estava o CEO já me direcionando como será os próximos dias e não o meu pai.
— Por que Londrina? O certo não seria já ficar aqui na matriz?
— Tenho uns assuntos para resolver lá e, ao mesmo tempo, é um lugar novo para você.
— Posso escolher? O apartamento? — não achei ruim de ser um lugar novo, afinal gente nova para me divertir.
— Não, ele já foi providenciado.
— Ele pode escolher, sim, deixei algumas opções — a minha mãe corrige a informação, mas não senti confiança nesse poder de escolha que a minha mãe está me proporcionando, alguma coisa ela aprontou, já conheço a dona Sara.
— O que me resta então?
— Passar conosco o final de semana e segunda cedo vocês dois vão para Londrina — a minha mãe fala já se levantando, deixando claro que não estamos negociando e essa é a palavra final, como ainda tenho juízo vou seguir o seu cronograma.
— Não vai conosco? — ela olha para o meu pai em uma conversa muda e sorri saindo da sala sem me responder, sempre admirei esse comportamento dos dois e espero um dia ter um relacionamento assim.
— Não, de início — o meu pai responde sorrindo enquanto acompanha ela saindo com o olhar apaixonado que sempre teve, se tem uma coisa que o meu pai sempre me ensinou é dar valor em quem amamos, mas essa ideia do amor deixou de ser a minha prioridade há muito tempo.
Se você chegou até aqui… então, no fundo, já entendeu que essa nunca foi uma história sobre amores simples.Porque existem relações que passam pela nossa vida como uma brisa leve, quase esquecíveis.Existem outras que chegam silenciosamente, ocupam espaço, mudam quem somos e nos obrigam a enxergar partes de nós que talvez preferíssemos manter escondidas. E existem aquelas raras relações que deixam marcas permanentes. Cicatrizes invisíveis. Memórias que continuam respirando dentro da gente mesmo quando tudo parece ter acabado.Essa história nasceu exatamente desse lugar.Do caos emocional que existe entre desejo e destruição.Entre amor e obsessão.Entre aquilo que salva… e aquilo que consome.O universo Império Schutz não foi criado para ser confortável. Ele foi criado para provocar. Para mexer com sentimentos contraditórios. Para fazer você amar personagens em um capítulo… e depois questionar profundamente no próximo. Porque pessoas reais são assim. Relações reais são assim.
***Lucca Schutz***Voltei com força total após a minha conversa com a Yara, já sabia que tinha o seu amor para mim, mas agora eu tenho certeza que ela ainda me ama e mesmo com esse Oliver na jogada, ainda sim, não corro perigo.Pedi uma pesquisa sobre quem ele era e descobri que ele sempre na época de colégio e na faculdade era muito pior que eu, seja em briga como com as garotas, precisei escutar que ele tinha mais experiência e pelo jeito muito mais pegada que eu.Tenha amigos… Se espera que eles vão te ajudar, bom eles me ajudaram mas também acabaram com a minha autoestima, de qualquer forma agora sei que as credenciais dele é muito melhor do que poderia esperar.Quando finalmente consegui traçar um comportamento do Brendon consegui entender que ele estava morando em Curitiba, bem na hora que comemorei a Alice entrou na minha sala
***Lucca Schutz***Perdi a cabeça completamente quando descobri que a minha nanica fez tudo o que fez, apenas com medo de que aquele idiota pudesse nos atacar, mas tenho que concordar com ela que ele poderia mesmo fazer isso e no lugar dela teria feito o mesmo.A minha mãe teve pesadelos horríveis e por diversas vezes acordava chorando e gritando que queria a sua menina de volta, ela havia realmente partido, ou então a minha mãe não ficaria assim.Mas ela não foi a única que sentiu, o Treu choramingava e caiu doente, ninguém conseguiu encontrar o que ele tinha, mas eu sabia que isso era o seu coração partido, não teve um dia que ele não ia, onde a Chisai ficava com ele e também chorava com a cabeça na cama do mesmo lado que a Yara dormia.Em alguns momentos cheguei a comentar que se a Yara estivesse com ele certa
***Yara Yuri***Desci as escadas com tanta raiva que se encontrasse com o Flirt agora eu juro que dava uma surra nele, ao chegar no andar de baixo não encontrei nem ele e nem a Sara, olho para fora e encontro apenas a Sara recebendo uma entrega na sua casa.Mesmo ficando aqui ela não para nenhum momento, o que sinceramente admiro muito e até mesmo agradeço, pois também consigo me manter trabalhando e claro manter a empresa em ordem.Mas a pessoa que eu quero não está ali, eu vou acabar com a raça daquele cretino que é o meu cunhado, se ele não está aqui em casa só pode ter corrido para a casa do Ralf.Vou todos os dias conversar com o Ralf e conferir como ele está e também acompanhar a sua melhora. A enfermeiras que estão com ele são uns amores, competentes e até exigentes com o Ralf.Como te
***Yara Yuri***As compras com a Sara começaram naquele mesmo dia e pela primeira vez eles aceitaram ficar conosco, o Oliver no começo me pareceu incomodado, mas isso foi passando assim que ele percebeu que tanto a Sara como o Klaus o tratam com respeito, carinho e principalmente não invalidam o nosso namoro.Após alguns dias apenas o Klaus voltou para Foz e a meu pedido a Sara ligou para o Brendon que no segundo toque atendeu todo preocupado comigo, ele vem evitando as minhas ligações e até mesmo as minhas mensagens para não ter rastros do meu local.— Então o tio babão está correndo das suas mulheres preferidas?— Yara… Espera como assim? É uma menina?— Sim, Brendon e você tem algumas horas para voltar ou vou deixar a Sara pintar o seu apartamento todo de rosa e como um toque final vo
***Yara Yuri***O Oliver passou o resto da semana me perguntando o que tanto eu conversei com o seu irmão, mas em todas às vezes apenas desconversei, não quero que ele pense que estou com ele apenas por pena ou algo assim.Sei bem como essa sensação pode acabar conosco e ele mesmo já me afirmou diversas vezes que está ao meu lado porque ele quer, então não vejo motivos de trazer essa insegurança para ele.Naquele mesmo dia ele refez todos os exames, não deu tudo normal, mas estava dentro do aceitável, então ele não conseguiu me segurar na cama com um repouso absoluto. Porém, não exagerei nos meus movimentos, os mantendo sempre mais lentos e claro procuro ficar o mais confortável possível.— Oli… — a minha voz era apenas um sussurro e sinceramente não sei como ele con







